CLARICE
Depois de uma noite em claro, sem conseguir fechar os olhos e não ver aquela mulher em cima de mim, eu estava apenas o bagaço no dia seguinte.
Queria apagar a cena da minha memória, fingir naturalidade e seguir a minha vida, mas como eu faço isso sem poder fechar os olhos para dormir?! Eu estava muito ferrada.
O meu alívio era saber que a Valquíria raramente circulava pelo o meu andar e quando vinha, falava apenas com a gerência. Sua interação conosco meros mortais era quase mínima e inexistente. Ou seja, quais as chances de eu a encontrar por aqui hoje? Nenhuma.
– Bonjour.
Meu corpo entrou em estado de alerta ao ouvir a típica voz rouca vindo do outro lado do saguão.
Okay, talvez eu tenha me esquecido que todos nós entramos pela a mesma recepção. Sem querer dar mole para não ser vista, eu me enfiei no meu do aglomerado de gente esperando pelo elevador e entrei no primeiro que apareceu.
Essa foi por muito pouco.
Minha rotina de estagiária era um tanto tranquila, exceto quando os outros estagiários faziam grandes merdas. Sinceramente não sei como a maioria aqui são da mesma faculdade que eu. Não é possível que temos a mesma capacidade cognitiva para passar no mesmo vestibular e eles serem tão burros.
– Clarice, leva esses documentos no A. Agora, – meu chefe largou uma pasta em cima da mesa e saiu.
Sem “por favor” ou “obrigado”, eu adoro como sou tratada como ser humano nesse lugar.
– Espera aí, ele disse A? – Perguntei para os demais que estavam por perto.
– Sim, não ouviu? ‘Tá surda?
Respirei fundo para não dar uma má resposta ao Gustavo. Eu detesto esse garoto!
O A nada mais é o setor no topo do edifício, também conhecido como o “Lado Rose” que é basicamente onde estão todas as gerências e a galera da arquitetura de alto padrão e luxo. Eu faço parte do “Lado Jack”, como você já deve ter imaginado.
Eu nunca subi até o A e até onde eu sei, o nosso elevador comum tem acesso somente ao primeiro andar do A, ou seja, meros mortais não frequentam os andares superiores desse setor. Já ouvi dizer que até celebridade aparece por aqui de vez em quando.
– Oi, bom dia! – Uma garota super sorridente me cumprimentou. Ela parecia ser uma recepcionista.
– Oi, eu… uh… mandaram subir com esses documentos.
A garota cujo o crachá estava escrito Estela, me olhou curiosa. – Te mandaram subir aqui para isso? Eu posso ver? – Mostrei a pasta para ela. – Ah sim, é para a diretora Valquíria, pode deixar que eu levo. Obrigada, Clarice!
Eu quem agradeço! Essa Estela me salvou de uma e nem sabe.
Voltei para o meu trabalho e tive uns três minutos de paz até que Felipe apareceu no corredor outra vez, um pouco agitado e afoito.
– Clarice, você não levou os documentos?!
– Eu levei, deixei com a recepcionista.
– Deixou com a recepcionista… eu mandei você entregar na direção. Não sabe fazer uma tarefa simples direito! É brincadeira.
Ele não mandou entregar na direção…
Respirei fundo e deixei passar. Felipe é estouradinho e tem mania de querer ser grosseiro com todos. Acha que por ter um cargo de supervisão é melhor que todos. Eu apenas ignoro e não gasto minha energia com ele.
A minha manhã se passou arrastando. O tédio de segunda acumulado com o sono que sentia não me favoreceu em nada. Nunca na minha vida me senti tão feliz por ter dado o meu horário.
A caminho do elevador eu me deparei com a francesa outra vez, no entanto, ela estava ocupada conversando com outra mulher de cabelo curto que parecia ser sua amiga.
Eu a vi de longe, ela me viu quase que no mesmo instante. Nós trocamos olhares por um breve instante e então Valquíria deu atenção a mulher com quem conversava e o meu elevador chegou.
Parte de mim estava dividida entre a cumprimentar ou fingir que nada aconteceu. É estranho pensar que a diretora da empresa era a mesma mulher com quem dividi a cama e literalmente me masturbou. Mas apesar desse ato tão… íntimo, ela ainda era a diretora e eu a estagiária.
Então, sei lá… não quero parecer emocionada ou fazer com que ela pense que estou me aproveitando da situação de alguma forma. Não é como se eu tivesse alguma expectativa de benefícios e regalias por uma noite que sequer sei se deveria ter acontecido. Talvez seja melhor eu só ficar na minha e seguir a minha vida normalmente.
Depois do estágio eu costumo encontrar a minha prima no Bandejão da USP. Comida boa e barata, perfeita para o meu bolso e preguiça. Se você acha que eu tenho tempo e disposição para cozinhar a minha própria comida morando sozinha, você está enganado.
Desde que a minha mãe foi embora, eu vivo sozinha no apartamento que costumava ser nosso. E a liberdade de estar só é um tanto estranha. Eu posso fazer o que quiser, mas sei que nem tudo me convém e às vezes acho que não deveria ter sido deixada para tomar as decisões sozinha.
Saudades da mamãe!
Por fim, a minha empolgante rotina termina com mais estudos em casa. Às vezes assisto uma série ou outra, ou vou direto dormir. Eu queria poder dizer que tenho uma vida mais emocionante, no entanto, esse é o meu dia-a-dia pacato.
No dia seguinte tudo se repete. Acordo de manhã cedo, aproveito mais dez minutinhos na cama, me atraso e não dá mais tempo para tomar um café, saio de casa às pressas, chego na empresa, vou atrás de um cappuccino, vejo a francesa, me questiono se devo a cumprimentar, na dúvida, desvio o caminho, desisto do cappuccino, volto para a minha mesa… espera, o que?! A Valquíria por aqui… de novo?
– Sei não, hein… acho que tem alguma coisa pegando, – Gustavo comentou quando estávamos somente nós, os estagiários, por perto. – Já é a terceira vez que eu vejo a francesa circulando por aqui hoje. Ontem também foi a mesma coisa.
– Vixi, será que é alguma investigação? Ouvi dizer que alguém foi reportado por assédio.
– Quem?
– Eu não sei, não me deram detalhes. Essas coisas acontecem em sigilo.
– E como você sabe?
– Namore com alguém do RH, – Lina deu ombros.
Hmmmm… faz sentido. Ufa! Ainda bem que eu não fiz o papel de idiota de ir puxar assunto. Um vexame a menos para a minha lista.
Ao menos agora eu já sei o que devo fazer: focar no meu trabalho.
– Ei, Clarice? – Lina me chamou, balançando mão na minha frente. – Você não vem? A reunião já vai começar – Só então percebi que todo mundo já havia saído e só havia nós duas ali. Eu a encarei confusa. – Reunião de projetos. Você não esqueceu, né?
Sorri disfarçando meu leve desespero. – Não, eu estava me preparando para ele, – menti.
Fruta que partiu! Eu esqueci completamente dessa reunião.
– Ainda bem, – Lina respondeu aliviada. – Nós temos que apresentar uma solução para o projeto e se for aprovado, podemos usar no relatório do estágio.
Era para hoje?!
Eu passei a minha tarde de domingo estudando essa planta e tentando encontrar alternativas para solucionar o problema, mas pasme… eu não encontrei. O motivo? Valquíria.
Pensar na minha distração de domingo, me fez lembrar exatamente da cena que não queria e enrijeci o corpo antes de levantar quase às pressas para a sala de reunião.
Eu me sentei na última cadeira da mesa central para ficar do lado oposto ao Felipe e manter a minha distância. De costas para a janela, ninguém iria ver que não tinha nada para apresentar e estava só com a planta aberta para disfarçar.
– Vamos lá, pessoal. Vamos dar um fim nesse problema ainda hoje, – Felipe disse dando início a reunião. – Esse projeto já está atrasado e não conseguimos fazer a planta ser aprovada pelos engenheiros. Não podemos atrasar mais.
– É, mas o Pedro quer colocar um pilar no meio do saguão e o cliente não quer isso. Não tem muito o que fazer, – Amanda comentou.
– Quais outras alternativas já foram passadas?
Devo confessar que em algum momento da reunião eu me distrair. Ninguém me avisou que ser arquiteta significava estar em constante batalha com os engenheiros para conseguir aprovar qualquer projeto. Você se dá o trabalho de desenhar tudo considerando os mínimos detalhes para eles dizerem “não dá, vai ter que mudar tudo” por “problemas estruturais”. Eu odeio engenheiros.
A discussão sobre a planta já se estendia por mais de meia hora quando a porta da sala se abriu, revelando a presença da francesa que não foi convidada.
– Senhora Valquíria… posso ajudar?
Valquíria entrou carregando uma xícara na mão.
– Non. Continuem, – ela disse.
– Claro, – Felipe sorriu um pouco nervoso. – Estamos discutindo a planta do projeto do club.
– Oui, je sais, – ela caminhou para o fundo da sala onde havia um sofá… bem ao meu lado. – Não quero atrapalhar. Só vim assistir. Finjam que não estou aqui.
– Isso é impossível, – Gustavo comentou baixinho, mas não baixo o suficiente.
– Tentem, – a diretora rebateu.
Valquíria sorriu e seu sorriso, apesar de lindo, era quase ameaçador.
Engoli o seco e me endireitei na cadeira. Para o meu desespero, podia sentir o seu perfume mesmo que eu focasse em encarar o Felipe como se a minha vida dependesse disso.
– Certo, então como íamos dizendo, as únicas soluções dadas pelo engenheiro foi, ou colocamos um pilar no meio do salão, ou rebaixamos o teto em cinquenta centímetros.
– As duas opções são péssimas, o cliente não quer isso.
A discussão prosseguiu. Eu me mantive calada sem ter o que agregar a conversa, tampouco tinha capacidade de pensar em algo agora. Todo meu corpo e cérebro estava única e exclusivamente focado em não criar vida lá em baixo pensando em besteira. Ou tentando não me abalar com a presença dela tão perto.
– Então é isso, não vai ter outro jeito. Vamos ter que ficar com o pilar, – Felipe concluiu depois da longa discussão sem ir para lugar algum.
Se Valquíria não tivesse aqui, certamente essa reunião terminaria em agendamento para outra reunião para discutir o mesmo problema. Mas como ela está, Felipe quer mostrar serviço.
– Estamos de acordo? – Felipe fingiu se importar com a opinião de todos.
– É o jeito, né. Fazer o que – Amanda deu ombros.
– O cliente não vai ficar muito contente, – Lina acrescentou.
– O cliente irá aceitar. Ele não vai querer que todo o edifício desabe na cabeça dele, – Gustavo disse.
– Diretora Valquíria, a senhora quer dar uma palavra, uma opinião? – Felipe perguntou.
De repente todos ficaram em silêncio esperando pela fala da francesa que também ficou em silêncio por um instante. Dessa vez, até eu a encarei, curiosa para saber o que irá dizer.
– Sobre? – Ela perguntou quebrando o silêncio.
– O pilar.
– O que tem o pilar?
É impressão minha ou ela não ouviu nada do que estávamos falando há dois segundos?
– Nós decidimos acatar a sugestão do Pedro e colocar um pilar no meio do salão…
– No meio do salão de festas?
– É a única solução. Era isso, ou rebaixar o teto e perder no pé direito.
– Entendi… Clarice?
Clarice? O que tem Clarice? Tem outra Clarice por aqui? Por que essa mulher está falando o meu nome?
– Eu?
– Oui, você. O que você acha?
Sorri de nervoso. – Sobre… o pilar?!
– Sobre acatar a sugestão do engenheiro mesmo sabendo que vai contra ao que o cliente pediu. Não vi você falar uma só vez nessa reunião, quero saber a sua opinião a respeito do tema.
Ah, meu deus! Isso é um teste ou algo do tipo? Viu, só… eu sabia que não deveria ter me deitado com o diabo, agora ela quer a minha alma!
– Eu… eu acho… acho que não deveríamos aceitar…?! – Respondi receosa.
Felipe me encarou não muito contente com a minha resposta. Droga… eu deveria ter concordado com o meu chefe.
– Pour quoi? – Ela perguntou curiosa.
– Porque… se o cliente pediu o salão livre, colocar o pilar significa que estamos resolvendo um problema estrutural sacrificando justamente a coisa que ele considerou mais importante e fez questão de nos falar.
Valquíria balançou a cabeça pensativa, fazendo um biquinho. – Très bien, continue.
Continuar? Continuar o que?! Continuar para onde?!?!
Senti o meu rosto virar um pimentão tendo todos na sala me encarando curiosos para saber o que iria falar.
– Então… uh… talvez a gente… esteja, esteja tratando o pilar como… hmmm… inevitável? E isso só porque foi o que o engenheiro disse…, mas… uh… – eu travei.
Eu não poderia continuar a minha frase em me meter em encrenca com o engenheiro. Eu sou só uma mera estagiária, eu não posso me meter nessa treta.
– Mas…? – Valquíria insistiu.
Prefiro fazer a minha caveira com o engenheiro que nem vejo ou com a diretora que também não vejo, mas está mais perto?
– Mas… – respirei fundo buscando coragem, – mas se o projeto não funciona com ele, eu acho que… eu acho que talvez devêssemos… procurar outra solução… antes de, antes de mudar o projeto para caber na estrutura?! – Isso foi uma afirmação ou pergunta? Céus, eu sou tão patética!
Minha Nossa Senhora… não deixa que essa mulher faça outra pergunta! Acaba com essa conversa logo ou acaba comigo antes.
O silêncio se estendeu por um tempo considerável. Ou talvez o meu tempo tenha parado.
Esperei receber o meu esculacho, mas então Valquíria sorriu de leve.
– Eu também acho.
É o que?!
Valquíria se levantou e se aproximou do Felipe. – Colocar o pilar é um erro. Você está lidando com estudantes que logo serão os futuros profissionais da nossa área e é isso que quer ensinar? Ensinar a ser a vergonha da profissão? Aceitar soluções preguiçosas do engenheiro e ignorar os desejos do seu cliente?
– Não, senhora.
Eu vivi para ver o dia em que o chato do Felipe foi humilhado na frente de todos os estagiários. Que dia!
– Ao invés de colocarem um pilar no meio do salão, transforme as paredes do núcleo da escada em elementos estruturais, – Valquíria começou a rabiscar a planta pelo monitor touchscreen. – A carga dos pavimentos superiores pode ser transferia para o núcleo… em vez de uma viga vencendo quase doze metros, vocês fazem a transferência entre as duas paredes do núcleo. São pouco mais de quatro metros. Com isso será necessário fazer algumas alterações na fundação…
Em algum momento a reunião virou uma aula de engenharia, com direito a cálculos que tenho certeza que ninguém mais estava acompanhando, mas Valquíria jurava que estava sendo compreendida.
– Et voilà… assim nós eliminamos o pilar, mantemos o pé-direito e não interferimos no salão, – Valquíria concluiu.
O silêncio pairou sobre a sala…
– O Pedro não sugeriu isso, – Felipe teve coragem de comentar.
– Então sugiram vocês.
– Sim, senhora.
– E se o Pedro Henrique se recusar, mande que se resolva comigo.
– Tudo bem.
Valquíria sorriu e se virou para nós. – La réunion est terminée, vous pouvez partir. Au revoir (a reunião terminou, podem sair. Tchau) – ela dispensou a todos. Podemos não ser fluentes na língua, mas tenho certeza que isso todos entenderam muito bem.
Eu estava tentando me mesclar as outras pessoas para sair de fininho, mas pelo visto, ser baixinha dessa vez não me favoreceu e antes que pudesse escapar, fui chamada.
– Clarice, você fica. Quero conversar com você, – Valquíria disse quando eu já estava com o meu pé na porta. A liberdade chegou tão perto e eu a perdi.
Derrotada, eu me virei para ela e tentei disfarçar o nervosismo. – Sim, senhora.
Observei a última pessoa a sair da sala e Valquíria fechar a porta. Agora éramos somente ela e eu aqui. Estávamos a sós. Sozinhas. No mesmo metro quadrado.
– Eu fiz algo de errado? – A pergunta de Valquíria me pegou de surpresa.
– O que?
Não sou eu quem devo fazer essa pergunta?
– A esse ponto eu tenho plena certeza de que está me evitando. Eu fiz algo de errado?
– Não.
Quer dizer… então… eu não sei se dá para considerar o que fizemos naquele quarto de hotel como certo também, mas preferi não comentar.
– Então por que está me evitando?
– Eu não estou.
– Não está? – Valquíria ergueu um cenho e seu olhar quase penetrou a minha alma. – Posso saber por que não me enviou a mensagem que eu mandei?
– Que mensage-aah… eu esqueci – sorri amarelo. – Desculpa, eu me distraí com coisas do estágio no domingo e me esqueci completamente.
– Você não deveria estar fazendo “coisas do estágio” no final de semana.
Fala isso para o meu chefe, seu Felipe, que nos atola de coisa para fazer e que quatro horas por dia não é o suficiente.
Valquíria cruzou os braços e me observou atentamente, me fazendo corar. – Eu não gosto de ter as minhas ordens esquecidas, – comentou me fazendo engasgar com a minha própria saliva. – A próxima vez que eu mandar me enviar uma mensagem, obedeça.
Eu acho que ouvi tudo errado. Oi?!
– Desculpa?
Eu não sabia o que poderia responder nessa ocasião.
– Me diga a verdade, por que está fugindo de mim? Você não gostou do que aconteceu entre nós?
– O que?! Não! Quer dizer, sim! Não. Espera…
Caralho, Clarice! Se recomponha. Respira fundo. Sem gay panic.
– O que eu quero dizer é que sim, eu… – meu deus, como eu vou falar isso?! Eu quero a minha mãe.
– Você…? – Valquíria insistiu.
– Eu… eu gostei? Eu só… eu só achei que… achei que não fossemos tocar nesse assunto outra vez.
– Excuse moi? Pardon?! Pour quoi? – Valquíria balançou a cabeça discretamente. – Por que? Por que achou isso?
Uai, gente? Isso não é óbvio.
– Porque você é a diretora e eu a estagiária?
– E? Você realmente achou que eu faria o que eu fiz se eu já não estivesse interessada antes?
Oi? Como é que é?! Eu não entendi!?!
– Eu acho que eu… acho que eu não entendi direito.
– Foi exatamente o que você ouviu. Ou você achou mesmo que eu iria masturbar alguém apenas por altruísmo da minha parte? – Valquíria se aproximou de mim. – Eu não sou tão boazinha assim, Clarice, – ela segurou meu queixo, forçando o nosso contato visual. – Eu tenho os meus interesses bem sórdidos com você.
Dentro de mim todas as minhas células entraram em puro desespero e pânico e meu corpo deixou de ser funcional. Meu Deus, o que estava acontecendo?!
– Alors, qu’en penses tu? (Então, o que você acha?)
Pisquei por um momento sem reação enquanto tentava reorganizar todo meu corpo. – Eu não entendi, – eu disse.
– Eu perguntei o que você acha…, mas você parece precisar de mais tempo para se recompor. Tire o resto do dia para pensar e me mande uma mensagem quando chegar em casa. Se não enviar, eu vou entender que não tem interesse em nada mais comigo… não vá se esquecer dessa vez, – ela lançou uma piscadela e saiu.
Simples assim… a francesa joga uma bomba sobre a minha cabeça e sai como se fosse nada.
Eu tenho interesse de algo mais com ela? Assim… a francesa é simplesmente um espetáculo de mulher. Eu seria louca se não quisesse nada. Mas é justamente o fato de ser tudo isso que eu deveria me contentar em apenas a admirar de longe, pois ela é muita areia para meu caminhãozinho.
Me belisquei achando que fosse acordar de um sonho muito louco e me dei conta de que estava acordada.
E agora, o que eu faço?!

1 Comentário
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Mdss, que saudade estava da sua escrita e narrativa mulher.
Sério, quando vi que vc voltou a postar, comecei a ler no meio do meu trabalho mesmo, fiquei mega ansiosa kkkkkk
Eitaaaaa até eu fiquei sem ar kkkkkkk Gostei dessa versão Valquíria direta 🤭😍