« C L A R I C E »
Valquíria não me respondeu de imediato.
Ela me encarou confusa e pelo seu olhar, sabia que seus pensamentos estavam frenéticos.
– As-tu… as-tu, as-tu entendu – ela parou no meio da frase, – você ouviu o que acabou de me dizer, Clarice?
– Ouvi, eu…
– Non! – Ela me interrompeu brava. – Você não ouviu o que acabou de dizer!
Val se levantou da cama. Dizer que estava puta comigo era pouco, se eu saísse viva dessa conversa seria sorte. Ao menos no trabalho, quando a Val apertava as têmporas bom sinal não era.
– Clarice você não tem noção da sorte que tem. Se eu não tivesse bebido essa noite, o seu castigo não seria na mão e sim com uma chibata.
A revelação me fez arregar os olhos e me encolher na poltrona. Castigo?
– Eu só… achei que essa fosse a melhor opção… assim não teria que escolher entre a sua avó e eu e não sofreria tanto.
– Você só se esqueceu de um detalhe: eu já escolhi. A vida não é uma novela mexicana para eu embarcar nessa loucura da Hélène. Passar um inferno contando os dias para a grand-mère morrer para aí então viver? Como isso poderia ser a melhor opção; eu desejar a morte da minha própria avó?
– Eu não tinha pensado por esse lado…
– É claro que não pensou! – Val rebateu brava e eu me encolhi na poltrona envergonhada. – E pelo visto também não pensou em muitas outras coisas que essa sua “melhor opção” absurda implica.
Fiquei com vergonha de perguntar o que seria. Já vi a minha namorada brava em diversas situações, mas brava desse jeito e comigo essa era a primeira vez.
Na minha cabeça, dar espaço para que a Val pudesse se resolver com a avó sem ter que se preocupar comigo ou como isso poderia nos afetar fosse a melhor solução. Ela agradaria a Hélène e nós ainda estaríamos juntas. Mas era nítido que a Val não recebeu da mesma forma e agora estava com medo que fosse terminar comigo por me achar imatura ou sei lá.
– Tem um defeito muito feio em mim que talvez você ainda não tenha percebido, – Val parou bem a minha frente e pegou o meu colar com ponta em V entre os dedos. – Eu sou muito possessiva e não gosto de dividir o que é meu. Encoste o dedo em quem me pertence e irá conhecer a minha pior versão. Eu não dividiria você com ninguém…, mas se tem tanto desejo assim em me ver sentando em outro homem, era só ter pedido.
– Como é que é? Eu não… eu não quero que se envolva com outro homem.
– Foi exatamente o que sugeriu quando disse que eu deveria fazer o que minha avó queria.
Oh, okay… eu realmente não tinha pensado em todos os detalhes. E pensar neles agora me deixava revoltada. Imagina se em uma dessas, eles se apaixonam de fato e Val me deixa de vez?! Meu deus, Clarice! Você é burra!
– Aliás, o Pedro Henrique ainda deve estar lá em baixo – Val interrompeu os meus pensamentos. – Por que não chamamos ele agora?
– Que? Você está brincando, né?
Val me olhou nos olhos séria. Seu silêncio respondeu a minha pergunta; e não, ela não estava brincando.
Tive mais certeza disso quando ela me deu as costas para ir em direção a porta. Sem nem pensar, eu agarrei seu braço a impedindo de dar mais um passo.
– Não! Espera! Não faz isso! Eu retiro o que disse, essa não é a melhor solução. Me desculpa! Por favor…
Val me encarou séria. Seu silêncio era cruel e doía como uma faca atravessada no peito.
– Por mais que você merecesse uma lição para aprender a não falar merda, eu não faria isso. Eu estava indo beber algo.
– Então por que não falou antes?! Você quase me matou do coração!
– Para quem queria que eu me casasse com outro, você está bastante preocupada com quem eu vou ou não transar.
– Porque você não vai transar com ninguém além de mim. Você é minha mulher! Não vai casar com outro!
– Então casa comigo.
– Que?! Tá maluca? Aí que você vai enterrar a sua avó de vez. E eu não quero ser motivo para mais discórdia. Não é momento para brincadeira.
– Mas eu não… – Val balançou a cabeça. – Quer saber, Clarice? Se ajoelha.
Fiz uma careta confusa. – Não entendi. Me ajoelhar? Por que?
– Porque eu estou mandando, – ela rebateu séria. – Agora de joelhos e mãos para trás. Não se mexe até eu dizer que pode.
Querer me ajoelhar, eu não queria. Eu não sou muito fã de ficar ajoelhada. Sou nova, mas meus joelhos não. Você só vai me ver nessa posição se for para estar entre as pernas da minha mulher… e por mais que existisse essa possibilidade agora, a Val não estava com cara de que ficaria só por isso.
– O que vamos fazer?
– Eu não disse que poderia falar, Clarice – Val se afastou e eu não entendi até a ver tirar a bombinha da sua meia calça e deixar sobre a mesa de canto. – Você já falou muitas asneiras hoje, agora o único som que quero ouvir saindo dessa sua boquinha são gemidos. Isso quando eu permitir. Agora mesmo quero silêncio.
– Ah, tá. Desc…
Val puxou o meu cabelo para trás e colocou o dedo sobre o lábio me mandando calar. Quase que eu pedi desculpas, mas contive minhas palavras para mim.
– Não se empolgue tanto, – ela disse prendendo o meu cabelo em um rabo de cavalo. – Isso também faz parte da sua punição.
Engoli a seco, preocupada.
Como alguém poderia me falar isso enquanto acariciava o meu rosto?! Parte da minha punição? Que tipo de punição Val pretendia me dar agora? Só espero que não doa, eu vou chorar.
– Sua sorte é que eu não tenho intenções alguma de me envolver com outra pessoa e não sou cruel o suficiente para fazer isso só para te torturar, – ela abriu os botões do meu blazer e deu a volta por mim parando por trás. – Mas saiba que se voltar a sugerir algo do tipo será exatamente o que farei.
Ela tirou o meu blazer e o colocou sobre a poltrona. Pensei que pararia por aí, mas logo em seguida suas mãos estavam de volta em meu corpo, invadindo a minha blusa pelo decote.
– Sabe, eu achei que a parte mais difícil da minha noite seria aturar a minha família e por fim, me controlar para não socar a cara de todos aqueles homens te olhando foi pior.
– Me olh…
Val segurou meu rosto entre os dedos me fazendo calar. – Ah-ah! Nenhuma palavra. Ou você será castigada, – ela apertou o bico do meu seio forte, mordi o lábio inferior para não deixar escapar nenhum som. – Boa menina.
Aí, isso doeu!
Val forçou a minha cabeça para o lado me fazendo inclinar e lhe dar livre acesso ao meu pescoço e me lambeu lentamente me fazendo arrepiar. Ela sempre teve um cuidado para não me deixar marcas, hoje, porém, esse cuidado não existia. Justamente nos lugares mais difíceis de esconder, Val me chupou com claras intenções de deixar a sua marca.
Não gemer foi um esforço surreal com sua língua em meu pescoço e sua mão em meu seio. Não me pergunte como consegui me controlar.
Quando pensei que seria capaz de gozar apenas nessa brincadeira, Val parou de repente e endireitou o corpo levando consigo a minha blusa.
– Acho que assim já é o suficiente, – ela comentou satisfeita.
Então era isso? A minha punição era andar por aí como se tivesse sido atacada por um enxame de mosquitos que me picaram durante a noite? Como se alguém fosse cair nessa desculpa de picada de mosquito com tantos chupões que levei.
– Fica onde está.
Val foi até a porta e a trancou… me parece que não acabamos ainda. E meus joelhos já estavam começando a doer.
– Essa seria a ocasião perfeita para estrear a lingerie especial que comprei para a nossa noite de natal. Acho que você iria adorar…, mas não é como se estivesse merecendo algo da minha parte.
Uma lingerie especial? E ela tem algo mais sexy do que já usa no dia-a-dia?
Val começou a tirar o próprio vestido bem na minha frente. E bem, essa não era a sua “lingerie especial”, mas ela estava ridiculamente deliciosa em seu conjunto todo preto e a meia com a cinta-liga. Péssima hora para não poder usar as mãos.
O vestido caiu no chão e ela se inclinou para pegar. Um movimento inocente se não me deixasse em literais centímetros de sua bunda, como se fosse um convite silencioso para tocar e um pouco mais.
– Não ouse fazer isso, – ela me repreendeu antes mesmo que pudesse perceber que tinha me inclinado para frente. – Você não tem permissão para me tocar. Você abriu mão desse direito quando sugeriu que eu me casasse com outro. Agora olhe para mim e assista.
Oh… então essa era a minha punição. Céus, eu me fodi.
– Eu não tinha intenções de tentar seduzir com essa lingerie, – ela comentou se exibindo para mim, claramente tentando me seduzir… e conseguindo. – Mas o que você acha? Acha que o Pedro Henrique iria gostar?
Como é que é?! Que palhaçada é essa?!
– Você nunca se perguntou por que ele ainda insiste em mim? Eu tenho muito dinheiro, mas não sou a única. Existem várias outras por aí e nós dois conhecemos algumas que fariam qualquer coisa por ele. Mas nenhuma delas são como eu. Ou são tão boas quanto eu.
Eu estava divida entre o ódio e o tesão.
Não era justo que a Valkyrie me deixasse puta falando desse infeliz ao mesmo tempo que me seduz com sua voz rouca que me deixa louca e estando extremamente sexy com sua lingerie.
Val parou desconfortavelmente perto e impossível ignorar. Pude sentir o calor do seu sexo perto do meu queixo. Por puro instinto eu olhei para frente e ela segurou meu cabelo me forçando olhar para cima.
– O que ele quer não está na minha conta bancária. Está entre as minhas pernas… e você que tinha acesso quis entregar de mãos beijadas.
“Tinha”? O que ela quer dizer com “tinha”?
Ela se sentou na cama de frente para mim e cruzou as pernas. A essa altura não deve ser novidade para ninguém que eu sou fascinada nas pernas da minha mulher e essa cena só me fez querer passar a mão… para não dizer a minha língua.
– Gosta do que vê? – A pergunta me despertou dos pensamentos sórdidos. – O Pedro Henrique também gostava. E não vou ficar surpresa se tiver alguma foto para usar nas suas noites solitárias… noites essas que você quis reduzir voluntariamente.
Já entendi, Valkyrie. Você já pode parar de falar desse cara!
Só não entrei em combustão de raiva porque as mãos de Val foram para costas com a intenção de tirar o sutiã. Antecipar a cena que viria trouxe um pouco de paz para o meu coração.
Não era preciso tocar para saber que Val estava cheia e notar isso me deixou com água na boca. Os seios da minha mulher já são as coisas mais bela desse mundo, inchados de tão cheios são ainda mais.
– Hmmm, droga. Eu estou começando a vazar, – Val limpou com o dedo a gotinha de leite que estava se formando no bico de seu seio e chupou. – Uma boca para me sugar agora seria um alívio e tanto. É uma pena que não possa me ajudar… pensando aqui… ele ainda não viu meus seios novos. Seria uma novidade e tanto. Maiores e cheios de leite.
Okay. Essa brincadeira já está passando dos limites… o meu leite não!
– Aposto que você também não pensou por esse lado, – ela me provocou. – Imagina que triste não poder amamentar a minha amante todos os dias. Seria tão triste… e eu não teria outra melhor opção senão tirar todos os dias para o meu leite não secar… – Val pressionou os seios, piorando ainda mais o vazamento e desperdiçando o meu leite. – Ou será que o Pedro Henrique se voluntariaria para fazer isso em seu lugar? Você não iria se importar em dividir, não é mesmo?
Me importaria. Importaria para um caralho! Mas ela não tem como saber porque não pode ler os meus pensamentos e eu não posso falar. Argh! Eu quero falar! Me deixa falar!
– Você poderia estar aqui agora, com a sua boca em meu seio, sugando até a minha última gota…, mas você decidiu ser uma menina má e agora terá que ficar aí. De joelhos observando o seu leite escorrer sem poder fazer nada. Dá próxima vez que pensar algo semelhante vai lembrar dessa cena e de tudo que ouviu.
Engoli a seco e apenas concordei com a cabeça, embora dentro de mim estivesse gritando desesperadamente que não terá uma próxima vez. Essa lição foi muito bem dada, porém não parecia ter acabado.
– Vem aqui, – ela mandou.
Ainda não estava acostumada com esse tom firme e autoritário da Val. Não sabia se sentia medo ou tesão. Só sabia que era sexy e provavelmente seria capaz de conseguir qualquer coisa de mim falando desse jeito.
Por puro instinto, me preparei para levar e mal cheguei a me erguer quando Val me interrompeu.
– Eu não dei permissão para levantar, Clarice.
A encarei confusa e quase, quase a questionei, mas me lembrei da ordem de silêncio antes que acontecesse.
– De quatro. Para os pés da sua dona, cachorrinha.
Tudo bem que eu concordei em experimentar essa dinâmica entre nós duas e de certa forma estava me sentindo mais confortável em ser sua petite, mas submissa… submissão puramente dita era uma coisa que ainda não digeria bem. Especialmente essa humilhação.
Estava em um conflito interno em me recusar e sofrer as consequências ou aceitar me submeter assim e ser humilhada. Nos livros é bem menos vergonhoso e parece mais fácil. Imagina que vergonha se alguém descobre.
Em outra ocasião, eu talvez até me recusasse. Mas agora, depois do que eu fiz e sabendo que essa era só uma parte da punição, eu optei por aceitar minha derrota e fazer exatamente o que Valquíria queria.
– Aqui na minha mão, cachorrinha.
Mas assim você também não ajuda, Valquíria! Que ódio!
Engatinhei até os pés da Val e coloquei o queixo sobre sua mão controlando a vontade interna de morder no lugar.
– Eu sabia que você seria uma boa menina e faria a escolha certa, – ela sorriu e me acariciou os cabelos. Senti o calor subir pelo meu rosto me deixando corada. Estava odiando tudo isso e ao mesmo tempo contente pelo elogio.
Estar tão perto da Val conseguiu ser ainda pior.
Não sabia se me concentrava no fino tecido que me separava do seu sexo ou no leite que continuava a escorrer pelo o seu seio e não iria parar até que eu cuidasse disso.
Val descruzou as pernas e agora que estava entre seus joelhos e pronta para lhe satisfazer com a minha língua, fui interrompida novamente.
– Eu disse para não se empolgar tanto. Essa noite poderia ser muito diferente. Você estava tão linda e eu passei todo o jantar pensando em várias formas de te arruinar na minha cama. Mas sua estupidez atrapalhou os meus planos e estou bem, bem, bem furiosa com você por isso.
Ela estava furiosa, mas não era só pelos seus planos arruinados e eu sabia muito bem. Sua punição tinha uma gota de mágoa e talvez por isso eu aceitava sem protestar.
– E por fim, se eu concordasse, essa seria a nossa realidade. Meus planos de te foder sendo arruinados por não poder te levar para casa. Eu teria que me resolver sozinha…
Val percebeu que eu desviei o olhar para o leite escorrendo do seu seio e limpou com o dedo. Confesso que esperei que fosse me fazer chupar, porém, ao invés de enfiar na minha boca, ela enfiou os dedos dentro da própria calcinha.
– E eu não sei se você sabe, Clarice. Mas eu não sou muito fã de me resolver sozinha, – ela disse isso claramente se masturbando na minha frente e eu em total choque. – É tão, tão, tão frustrante ter que fazer o trabalho que deveria ser seu.
Suas palavras saíram quase como um gemido. E por fim, quem estava totalmente frustrada aqui era eu. Como assistir isso sem poder fazer nada e nem ao menos usar minhas mãos?!
Val tirou a mão de dentro da sua calcinha e exibiu seus dedos enxarcados. – Estar molhada desse jeito e sem a minha amante por perto deve ser horrível. Você não concorda? – Ela enfiou os dedos molhados em minha boca e senti o gosto do seu sexo e leite neles. Eu chupei com vontade na expectativa de ser convidada para participar da brincadeira, mas não fui convincente o suficiente. Val simplesmente me tirou os seus dedos e os voltou para dentro da sua calcinha, a colocando um pouco de lado para que eu pudesse ver sua boceta.
– Talvez a melhor opção fosse usar o traste do meu marido imaginando estar com a minha amante, – Val se inclinou um pouco para trás e colocou uma das pernas sobre meus ombros, me prendendo o lugar; pouquíssimos centímetros da sua boceta. – Eu poderia até gemer seu nome de propósito só para ele ter certeza que estava sendo usado. Ou te ligar para você me ouvir enquanto uso meu marido… é isso que você quer, Clarice? Use as suas palavras.
– Não.
– Você quer ser a minha amante?
– Não!
– E o que você quer ser minha?
A pergunta me deixou confusa. Val não perguntou o que eu sou e sim o que eu quero ser. Se eu responder que eu quero ser sua namorada, ela vai me bater. Nós já definimos isso no passado e eu não quero passar por esse aperto de novo.
E o olhar de Val sobre mim me deixava nervosa. Ela parecia que iria me devorar a qualquer momento. E o fato dela se masturbar na minha frente enquanto me olhava tornava tudo ainda pior.
– Sua submissa?! – Não sabia se afirmei ou perguntei.
Um sorriso safado surgiu nos lábios. – Boa resposta, mas não. Eu quero saber o que você realmente quer ser minha.
O que eu realmente quero ser não deve ser novidade para ninguém, mas não acho que a Valquíria esteja falando disso. Ela nunca iria concordar. Não enquanto eu ainda fosse tão nova em relação a ela e enquanto nosso relacionamento fosse algo tão recente no seu ponto de vista.
Então só me restou uma resposta possível.
– Eu quero ser sua… do jeito que você me quiser.
Eu não preciso de um título ou status contanto que a Val me queira por inteiro.
– Do jeito que eu quiser? Você não deveria me dar essa liberdade. Eu posso imaginar inúmeras formas de te fazer minha.
– E eu vou querer todas elas… até ser sua cachorrinha.
Val me observou séria e eu não sabia se era porque estava prestes a gozar ou se por estar refletindo na minha fala… como se fosse possível ter alguma outra reflexão num momento como esse.
– Oh putain… se é o que você quer ser, então olha para mim, ma petite chienne. Regarde ta maîtresse jouir. (Minha cachorrinha. Assista a sua dona gozar.)
A minha própria calcinha estava arruinada e observar a cena quase me levou ao meu ápice junto. Era como ver uma obra de arte se formar bem a minha frente em que o principal monumento era a minha mulher.
Val gozou com o olhar fixo em mim. Sem aviso prévio, ela puxou minha cabeça para perto pelos cabelos e eu obedeci a sua ordem silenciosa. Ela soltou as tiras da sua cinta me permitindo tirar sua calcinha por inteiro. Queria meus dedos dentro dela, mas não sabia até onde tinha permissão para chegar e não quis me aventurar e correr o risco de outra punição.
O segundo orgasmo veio muito mais rápido que o primeiro. Não demorou muito para Val começar a gemer palavras desconexas em francês. Mais uma prova de que ela de fato não gosta de se resolver sozinha e eu espero ser a única responsável em cuidar das suas necessidades.
– Você está enxarcada, ma vie. E eu nem preciso tirar a sua calça para sentir isso – Val comentou me provocando com o pé entre as minhas pernas. – Não deveria estar nesse estado por ouvir sua mulher falar sobre ir para cama com outro.
Por um instante eu havia me esquecido dessa parte. Agora que Val comentou, eu me lembrei e todo o ódio abafado pelo tesão veio à tona.
– Eu não fiquei excitada por isso, – me defendi. – Eu fiquei puta com todo esse papo, mas não consegui ignorar todo o resto.
– O que especificamente?
– Você?! Não aja como se não soubesse que é gostosa.
– Eu sei.
O pior tipo de mulher é a mulher gostosa e que sabe que é gostosa. Apesar das suas próprias inseguranças, o fato de a Val ter consciência da sua imagem a torna muito auto confiante.
– Levanta.
Ficar de joelhos por tanto tempo foi uma punição por si só. Minhas pernas estavam dormentes e a dor foi considerável, tão ruim quanto as palmadas da Val.
– Você foi uma boa menina, – Val começou enquanto abria a fivela do meu cinto e o zíper da minha calça. – Merece um agrado.
Sem tempo a perder, a Val tirou minha calça e calcinha junto terminando de me deixar nua. Para o alívio dos meus joelhos judiados, ela me fez sentar entre suas pernas e me envolveu por trás. Meu estado era tão lastimável que novamente estava perto do meu ápice apenas com o toque das suas mãos explorando meu corpo.
– Você quer que eu te faça gozar? – Ela perguntou entre beijos em meu ombro e pescoço, enquanto massageava um dos meus seios.
– Sim, senhora.
– Então implore.
É o que filha da pu…
Novamente, em outra ocasião eu teria me rebelado e agido como uma brat. Mas nesse caso o meu tesão sobressaiu a minha dignidade e ao invés de me opor eu só me entreguei.
– Por favor, maman. Me faça gozar, por favor. Eu quero te sentir dentro de mim, – pedi entre gemidos.
Conhecendo a Val, temi que fosse exigir muito mais para atender ao meu pedido. E eu em minha atual situação acabaria fazendo exatamente o que queria.
– Eu não deveria permitir que gozasse hoje. Essa também deveria ser sua punição…, mas você se comportou tão bem que eu vou abrir essa exceção. Talvez isso sirva de incentivo para ser uma boa menina mais vezes.
– Oui, maman. Por favor!
Val esfregou o meu sexo com a mão antes de enfiar dois dedos em mim. Eu estava tão molhada que eles entraram fácil e até arriscaria mais um sem medo.
– Você está bastante sensível, ma vie.
– Por favor, vai direto ao ponto.
– Estou sem pressa.
Era tão frustrante estar tão perto e quando finalmente sentir que irá chegar lá, Val parar de repente. A primeira vez que aconteceu eu pensei que fosse um acidente, mas quando isso se repetiu outras duas vezes percebi que estava tentando me enlouquecer.
– Maman! – Gemi frustrada por ser impedida de gozar pela terceira vez. – Eu não aguento mais, por favor.
– Você aprendeu a sua lição hoje?
– Sim, sim. Eu aprendi e não vou fazer de novo! Eu prometo!
– Está faltando dizer uma coisa, ma vie. Se acertar, eu te faço gozar.
A resposta veio rápido. Eu sabia exatamente o que Val estava esperando.
– Desculpa. Me desculpa, amor. Não vou fazer de novo.
– Très bien, mon amour.
Val voltou a mover seus dedos dentro de mim, dessa vez mais firme e duro, pressionando meu ponto mais sensível. Com a outra mão ela estimulava o meu seio, brincando com meu mamilo. Meu corpo inteiro se contraiu se preparando para avalanche que sentia se formar.
– Amor, por favor – supliquei.
– Goza, mon amour.
Ter o orgasmo interrompido tantas vezes apenas serviu para o intensificar mais. Quando finalmente gozei, minhas pernas tremeram e por um momento pensei que havia feito um acidente. Val me segurou pelo pescoço apertando de leve enquanto ainda me penetrava sem uma trégua.
Quando a onda passou achei que teria uma crise de asma de tão ofegante. Passou o tesão e veio o sono, quase me derrubando. Aos poucos recebia o título de “goza e dorme” e me pergunto como a Val consegue gozar e seguir a vida tranquilamente como se nada tivesse acontecido.
– Como está se sentindo?
– Meus joelhos doem.
– Imaginei, – Val riu. – Vamos tomar um banho para deitarmos.
– Nós temos mesmo? Eu estou com taaanto sono.
– Clarice, eu estou toda suja de leite. Eu não vou dormir assim.
Não só ela, eu também estava por ter apoiado meu corpo no dela. Os meus tetês estavam implorando para que eu mamasse neles. Logo, logo iria lidar com isso. Para mamar eu sempre tenho energia.
« V A L K Y R I E »
Depois de uma noite intensa, o que eu mais queria era deitar e relaxar. Começando pelo banho quente que Clara e eu merecíamos.
Aftercare na banheira estava se tornando o meu favorito. A mistura da água quente com os sais de banho, era uma combinação perfeita. Com o adicional das velas aromáticas, eu encontrei o meu nirvana.
Esse também era um dos poucos e raros momentos em que eu tenho certeza absoluta que uma certa petite peste não irá aprontar ou me dar fios de cabelos brancos precoce.
– Maman, você me ama? – Clara quebrou o silêncio com a pergunta mais aleatória possível.
– Oui, ma vie. Eu te amo muito.
– Tipo, muito mesmo?
– Oui, muito, muito, muito mesmo.
– Eu também te amo muito, muito, muito mesmo e mais um montão.
Ela se aninhou ainda mais em meus braços, afundado o rosto contra o meu pescoço e acariciando meu seio.
Por mais que esse fosse o meu momento de paz, Clarice estava quieta demais. Talvez fosse sono ou só a vontade de mamar a deixando manhosa. Independente de qual fosse o motivo, o nosso tempo de banheira teria que ser cortado. Está na hora de certo bebê ir para a cama.
Saímos da banheira e seguimos para o nosso ritual pré-cama: secar os cabelos, escovar os dentes, cuidar da pele e vestir pijamas. Bom, pelo menos eu vesti o pijama. Clara aceitou sua fralda e foi isso. Em pleno inverno, essa garota queria dormir só de fralda.
Tudo bem que a minha bebê fica extremamente fofa com a fraldinha com detalhes rosas que eu comprei, mas ainda assim era inverno.
– Ao menos sua camisa, mon bébé. Você não pode dormir assim.
– Mas eu num quero, maman! – Ela choramingou.
– E as meias? – Clarice ficou pensativa como quem estava cogitando. – São as meinhas fofinhas e quentinhas.
– Hmmm… num quero.
Sinceramente não sei qual a aversão da Clara em usar roupas enquanto está pequena, mas basta regredir um pouco mais que o usual e vira adepta ao nudismo.
– Mas você vai usar ao menos sua camisa e as meias para dormir. Você não pode tomar friagem e ainda não está totalmente recuperada do resfriado. Quer piorar sua situação? Você tem a opção de vestir sem reclamar ou vestir reclamando e ainda ficar de castigo. Qual você prefere?
– Vestir sem reclamar, – ela murmurou.
– Eu sabia que você seria uma boa menina.
A contragosto, porém sem reclamar, Clara me permitiu a vestir com a camisa e as meias. Não era exatamente o que eu gostaria que usasse, mas um meio termo aceitável para nós duas.
Deitadas na cama, eu abracei a minha pequena e lhe dei alguns beijinhos pelo rosto esperando a sua reação de sempre; sorrisos e risadinhas gostosas, mas não aconteceu. Minha bebê olhou para mim com uma carinha de gato de botas, tão fofa, que se me pedisse qualquer coisa agora, eu aceitaria.
– O que foi, meu amor? Por que está assim, hein? Fala para a maman.
– É que… é que… você… – Clara hesitou a falar.
– Continua, bébé – a incentivei.
– Você, você ainda está bolada comigo?
Por um breve momento eu havia me esquecido da situação que nos trouxe aqui e preferiria ter ido dormir assim. Qualquer conversa séria que precisávamos ter poderia esperar o amanhecer, mas pelo visto Clarice não via da mesma forma.
– Não, ma vie. Eu não estou “bolada” com você. Um pouco chateada, eu não vou negar, mas vai passar.
– Você não vai me deixar, vai?
– Não, eu não vou. E você não ouse me deixar também. Você está presa comigo para sempre.
– Eu não vou para lugar nenhum. Eu estou presa com você.
Lhe dei um selinho demorado. – Je t’aime, ma vie.
– Eu também te amo, docinho.
Clara me abraçou afundando o rosto contra o meu peito, segurando minha camisola. Uma mistura de sono e manha que eu já entendia muito bem.
– Vem cá, bébé. Vem mamar para você mimir.
Ajustei a nossa posição na cama e tirei a alça da camisola para lhe oferecer o seio. Ainda envergonhada pelo o que aconteceu, Clarice pegou o bico com uma timidez que nem parecia ser ela mesma a pessoa que se dava a liberdade de mamar sem pedir permissão de vez em quando.
– Eu sei que o natal não foi o mais legal de todos, mas a maman promete que irá compensar por isso. Okay? Vamos passar o ano novo juntas só nós duas em um lugar bem legal. Tenta não pensar muito no que aconteceu. Eu estou aqui com você.
Clara suspirou e me abraçou me apertando e trazendo seu corpo para mais próximo do meu, quase como uma tentativa de eliminar qualquer espaço entre nós.
Na tentativa de animar um pouco a minha bebê que estava tristonha, resolvi brincar um pouco.
– De quem é esse neném, hein?
– É da maman, – Clarice respondeu sem se soltar do meu seio.
– E essa barriguinha? – Fiz cócegas na barriga de Clara a fazendo dar uma pequena gargalhada tímida.
– É da maman.
– E esse pescocinho aqui?
Diferente da barriga, Clarice é bem sensível no pescoço e se render as cócegas foi inevitável. Até parou de mamar para dar risadas. Risadas essas que eram música para os meus ouvidos.
– Pala maman, – Clara pediu tentando se recuperar. – Num pode mexer no ‘pecotinho!
– Por que não pode mexer no pescocinho desse neném? Não é da maman?
– É que num pode… mesmo sendo da maman.
– Ah, entendi. Então tudo bem, eu não mexo mais no pescocinho do neném… mesmo sendo meu. E esse tetê? O tetê é de quem?
– É meu! – Clara fez cara de brava e voltou a mamar segurando o meu peito com as duas mãos. Nada possessiva.
– Então eu posso ficar com o outro para mim?
Clara tirou a minha própria mão do meu peito e substituiu com a sua. – Não! É meu também! Só meu… e de mais ninguém! Esse tetê é meu. O outro tetê também é meu. A maman é toda minha! Só minha! – Clara me abraçou, novamente afundando o rosto contra o meu peito. – Minha maman! Eu não vou dividir com ninguém… ninguém! Não pode ter outro neném! Nem dá tetê pra outro neném! Só eu! Só eu!
Teria sido uma cena fofa de pequena se Clarice não tivesse começado a chorar agarrada em mim como se houvesse alguma possibilidade de eu ir embora ou alguém me tirar daqui. Ela poderia estar nada pequena durante a sua punição, mas agora que deu uma regredida, as coisas que ouviu de mim pareciam ter batido de outro forma.
– Eu sou do neném e só do neném, está bem? – Segurei o rosto de Clara entre as mãos e limpei suas lágrimas com os dedos. – A maman é do neném e o neném é da maman, d’accord? Ninguém vai tirar uma da outra.
– Mas, mas… a maman disse… a maman disse que ia dar o meu tetê ‘pra ‘ôto. Eu num quero ter que dividir minha maman com ninguém!
– Nada do que eu disse vai acontecer, mon bébé. Nós não vamos nos separar, nem para mudar o status de namoradas para amantes. Você sempre será a minha e minha única. Okay?
– Você ‘pomete?
– Prometo, ma vie.
– Mas e se sua vovó tentar tirar a maman do neném?
– Ela não vai conseguir porque eu não vou deixar e já disse que não vou concordar com essa loucura. Ninguém tira a maman do neném. O lugar que ocupa na minha vida é único e só seu.
– A maman fala isso, mas vai casar com o chato bobão do mesmo jeito e vai deixar eu!
Se Clarice não estivesse pequena, eu não teria segurado a resposta que quase saiu pela minha boca. Se eu alterar o me tom de voz, nem que seja um pouco, essa crise de choro razoável de agora irá virar berros durante horas.
– Ma vie… a maman já disse antes e vai repetir mais uma vez para você entender: eu não vou me casar com nenhum homem… ou outra mulher que não seja você. Não existe essa possibilidade. Por que está dizendo isso?
– Mas ele disse… ele disse que vai te pedir em casamento. Dia 29! Ele disse!
A encarei desconfiada. – Quem disse isso? O Pedro Henrique?
– Sim! O chato bobão disse que vai pedir a maman em casamento na frente de todo mundo dia 29.
– Ele pode pedir, ma vie. Ele pedir não quer dizer que eu vá aceitar. O Pedro Henrique me pede em casamento na frente de todo mundo e eu respondo “não” na frente de todo mundo também.
– Até na frente da velha velhota?
– Dela e de quem mais quiser ouvir. E dia 29? Nós nem vamos estar em Paris dia 29. O jantar é dia 27.
– Mas ele disse ‘pra ‘eu dia 29.
– Se for isso mesmo, nós sequer vamos estar lá. Não se preocupa com isso, okay? – Acariciei o rosto de Clara e a segurei para que olhasse para mim. – Nós temos um acordo, lembra? Você concordou em ser totalmente minha até o último segundo desse ano. Sua única obrigação e preocupação é se entregar para mim. Todo resto, quem se preocupa e lida sou eu. Hélène não é o seu problema, Pedro Henrique não é o seu problema, e você não tem que pensar em soluções ou “melhores opções”. Quem lida e resolve isso sou eu. Você se preocupa em obedecer às minhas regras e comer as saladas e legumes que eu colocar em seu prato. Estamos entendidas, Clarice?
– Mas e se a solução da maman for se casar com o cara malvado e deixar o neném?
– Você é minha, Clarice. E enquanto quiser ser minha, seu bem-estar, saúde, proteção e tantas outras coisas são minhas responsabilidades. Eu sempre vou te cuidar com o melhor de mim para que continue querendo se entregar para mim e só para mim. Você é o amor da minha vida e eu não estou disposta a abrir mão de viver o nosso amor, nem que seja para ficar de segundo plano.
Clara me abraçou. – Eu quero ser da maman para sempre!
– E vou fazer de tudo para que continue assim para sempre porque eu também quero ser sua para sempre. Então não dê ouvidos a esse povo, d’accord? Ouça a sua maman e só a sua maman.
– Tá bom, maman. Desculpa eu?
– Está tudo bem, mon amour. A maman sabe que às vezes acontece de o neném ficar com medo e acreditar em pessoas maldosas, mas eu estou orgulhosa que tenha se aberto comigo – dei um beijo demorado em sua testa. – Agora está muito tarde para esse neném que mal dormiu estar acordada. Mama o seu tetê e vamos dormir, está bem?
Clara respondeu com um joinha, pois sua boca estava ocupada abocando o meu seio. Sem dúvidas, ela estava bem mais calma depois dessa nossa breve conversa. Seu lado pequeno é muito mais fácil de se deixar levar por ouvir bobeiras, mas ao tempo também era muito mais fácil de lidar e acalmar. Um colo, um peito e umas palavras de afirmação são o suficiente para a deixar bem outra vez.
O problema – e minha principal – preocupação é a Clarice adulta. A que se faz de forte por fora e no interior fica remoendo o que ouviu, criando cenários imaginários onde ela é o incomodo e ela é a pessoa quem deve se retirar. Ela sempre irá se colocar numa posição muito inferior ao que realmente ocupa. Se na própria arte onde seu talento é indiscutível, Clarice se diminuiu a todo instante. No nosso relacionamento onde acredita não ser “boa o suficiente” não seria nada diferente.
Mas tudo bem. Se Clarice por si só não acredita ser boa o suficiente para ser o meu amor, eu estou aqui para lhe mostrar o contrário quantas vezes fosse necessário.
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Au revoir!

1 Comentário
QUE CAPITULO DO CARALHO FOI ESSE