« C L A R I C E »
Sabe quando você está acordado e não deveria estar? Essa era eu. Deitada na cama ao lado da minha Val e sem uma gota de sono para voltar a dormir. Não sabia exatamente que horas eram, mas o céu ainda meio escuro era um sinal claro de que definitivamente esse não era o meu horário.
Queria conseguir voltar a dormir, mas enquanto isso não acontecia, cá estava eu me sentindo culpada por querer algo que não deveria. Val estava dormindo e eu não conseguia tirar os olhos dos meus tetês. Aposto que dormiria rapidinho se pudesse ter só um pouquinho…, mas eu não iria acordar a maman para isso.
Tão pertinho e ao mesmo tempo tão distante. Como seria se do tetê saísse leite? Qual seria o sabor do leitinho da maman? Eu queria tanto provar. Ficar encarando o tetê com fominha não era uma boa ideia não e também não estava afim de levantar para comer outra coisa. Eu só queria um mamazinho e voltar a mimir.
Frustrada, eu me virei na cama e encarei o teto.
O movimento fez com que o Chlô, que estava dormindo em sua caminha, acordasse e viesse para perto do meu lado da cama. Ele era nanico demais para até encostar na borda, dirá lá subir sozinho. Também não era como se a Val fosse gostar de ter um cachorro sobre a cama e por isso eu levantei.
– Ainda está cedo para você comer, rapaz. A maman vai ficar brava se você comer fora de hora, – Chlô me encarou atento, curioso com o que eu dizia. – Pois é, ela tem essa coisa de horário e com certeza vai encher seu saco também. E se a gente der uma volta no condomínio?
Seria um bom passatempo para nós dois. Eu nunca saí por aí no condomínio da Val, sei que é grande e deve ter muita coisa para ver, mas a maman não é do tipo de pessoa que frequenta essas partes. E nem precisa, a melhor parte é a piscina e ela tem a dela própria.
Chamei o elevador pelo botão e ele nem ligou. Será que tinha um segredo mágico para fazer funcionar?
– E se a gente sair pela porta? Se bem que… eu não lembro qual é a senha… ah, mas aí a gente aperta a campainha e maman abre. O que você acha, Chlô? Você acha que ela vai ficar brava se a gente sair? Mas é dentro do condomínio… e não vamos demorar. Eu vou levar o celular.
Os planos de sair deram errado já na porta quando tentei abrir a maçaneta e ao invés de destravar, fez um barulho alto e irritante.
– Mas até para sair precisa de senha? E agora, Chlô? O que você quer fazer?
Peguei o meu menino no colo e fui para o sofá. Ele era tão petico e peludinho, a coisinha mais fofa do mundo. Ainda nem acredito que esse neném é meu! Eu quero guardar esse momento para sempre… oh, eu tive uma ideia. E se eu fazer um quadro com as patinhas do Chlô? Vai ficar tão, mas tão, tão fofo! A maman vai amar, ela ama os meus quadrinhos!
– Chloée, a gente vai pintar! Vamos fazer um quadro das suas patinhas. E depois quando você crescer… se você crescer, a gente faz de novo e de novo e de novo. Seria legal se tivesse gesso. Será que a maman vai ficar brava se eu pedir gesso agora? São cinco da manhã, não é tão cedo, é? O que você acha, Chlô? – Ele latiu e eu senti que isso foi uma resposta. – Tem razão. Deixa ela mimindo… Qual cor você prefere para o seu quadro?
Pintar com o Chlô foi mais difícil que eu esperava. Ele não parava quieto quando tentava carimbar o papel, mas consegui fazer render em algo. Ficou fofo até, mas não quis parar por aí e decidi pintar mais uma aquarela de qualquer coisa que viesse a cabeça.
– O sol está nascendo, Chlô! Olha lá! Tá tão bonito… como que a maman consegue dormir tendo uma vista dessas em casa? Você não concorda, Chlô? O céu agora está lésbico… já sei, vou fazer um quadro com as cores da bandeira lésbica.
Eu não sabia exatamente o que fazer, mas fui seguindo meu instinto e coração. O Chlô também ajudou nas escolhas das cores em algumas ocasiões, isso quando não estava tentando comer o meu pincel. Ele era tão fofinho que eu nem me importava.
– Tá parecendo a maman… a maman de cor lésbica… acho que também combina com você. E se eu te pintar da bandeira gay e a gente for na parada ano que vem?! Será que a maman vem junto?
O Chlô latiu algumas vezes e ficou do seu jeitinho meio saltitante empolgado. Acho que ele realmente quer ir na parada.
– Mas eu não acho que a maman vá… ela não gosta de ficar no meio de muita gente, mas ela gosta de você, eu sei que sim. Pois é, se ela não gostasse ela não ia deixar você aqui não. Ela é bem chata, Chlô. Você fica esperto senão vai ficar de castigo.
O Chlô deitou com a barriguinha colada no chão, o rabinho balançando agitado. Aposto que iria adorar sair agora, mas para isso tínhamos que esperar pela maman.
– Tõ ficando com fome, e você? Acho que ainda não deu seu horário não… quando você está com a sua mamãe você tinha horário para mamar? Eu bem que queria que a maman tivesse leitinho. Café da manhã na caminha… mó bom! Mas eu não iria querer dividir não. Você teve um monte de irmãozinho, imagina ter que dividir com esse tanto de doguinho? Prefiro ser a única da maman, deve ser horrível comer só ração agora, né Chlô? Vou comprar mais petisquinho para você.
Acabei fazendo uma aquarela da maman na paleta lésbica. Estava gostando do resultado e eu acho que o Chloée também já que ele o tempo todo queria pegar meu pincel ou pular no meu desenho. A empolgação dele era tanta que acabou pisando no meu godê e virando todas as minhas misturas de tinta nele.
Fui tentar me levantar para ajudar o coitadinho e acabei virando o pote de tinta no chão. Derramou pouca coisa até eu conseguir pegar de volta, mas foi o suficiente para o Chloée deitar em cima achando que era uma brincadeira.
– Chloée! A maman vai matar a gente! Para já com isso! – Me ajoelhei no chão e peguei o cachorro para controlar suas patinhas saltitantes. – A gente tem que dar um jeito nisso antes da maman acordar ou ela vai comer a gente vivo. Isso não é bom, não é bom, não é bom!
De repente ouvi a voz vindo do fundo e meu coração congelou.
– Bonjour, mon amour.
A partir daí foi só ladeira abaixo. Eu soltei o Chloée – péssima ideia, – e ele, empolgado ao ouvir a voz da maman e achando que eu estava brincando, saiu correndo praticamente saltitante com as patinhas da frente se sujando ainda mais e espalhando pelo chão.
E o que aconteceu depois disso você já sabe… Chloée foi para o banho, eu tive que limpar a bagunça todinha e ainda levei no bumbum. Eu chorei muito, muito, muito mesmo e não foi pela dor das palmadas, foi medo, remorso e culpa. Não bati na maman querendo… eu fiz sem pensar e depois fiquei com medo dela ficar tão brava, mas tão brava que fosse querer me deixar, me abandonar, esquecer de eu.
Aí eu fiquei com o coração doendo e o bumbum também, mas eu aprendi minha lição: eu não vou fazer isso de novo. Eu nunca mais vou pintar com esse pestinha… não sem a maman por perto. Imagina outra punição? Pode não. Meu bumbumzinho num ‘guenta não!
– Eu queria dar uma volta pelo condomínio com o Chlô mais cedo, – comentei enquanto estávamos no carro indo para o parque. – Mas eu não consegui sair do apartamento.
Val me olhou por alguns segundos e voltou a atenção para a estrada. – Heureusement qu’il n’a pas réussi
– O que você disse?
– Ainda bem que não conseguiu.
– Ah…
Ficamos em silêncio por um momento. Eu queria falar, mas pela forma a maman mordia dentro da bochecha ela provavelmente estava brava. Muito brava. Eu não queria mais palmadas por hoje, não mesmo.
– Será que podemos combinar de você não sair por aí enquanto eu estiver dormindo? Especialmente se for antes das sete horas da manhã – ela quebrou o silêncio, impaciente. – Eu não quero que vá a lugar algum sem meu conhecimento. E isso vale para as duas partes de você, – a maman me olhou rapidamente e voltou a atenção para o trânsito. – Não que eu vá te impedir de ir onde quiser, mas eu quero saber onde está, com quem está e o que está fazendo. Até porque, se você sumir outra vez, eu quero saber onde procurar e quem matar primeiro.
– Eu não vou sumir de novo.
– Eu prefiro não contar com a sorte. E eu sou a sua maman agora; eu mandei me avisar e você só obedece. Ou prefere que eu contrate segurança pessoal? É muito pior, acredite.
– Tenho direito de recusar todas opções?
– Não.
– Tá bom, – respondi derrotada. – Eu não tento mais sair sem avisar…
– Você não vai tentar, Clarice. Você simplesmente não irá sair mais sem meu conhecimento. Nem dentro do condomínio. Lugar nenhum. Eu definitivamente não quero acordar e pensar que sumiu. Estamos entendidas?
– Sim, maman. Eu não vou sair para lugar nenhum sem falar com você, tá feliz?
– Não.
– Não?!
– Não. Tem algo mais.
– O que? – Perguntei preocupada. Lá vem…
– Quer tomar sorvete?
– Sorvete?! Quero! –
Falar em comida deu clique no meu cérebro. Foram tantos eventos essa manhã que já era quase onze horas e eu não tinha comido nadinha de nada. Falar em sorvete despertou a minha fome adormecida.
– Maman…
– Oui, bébé.
– Promete que num vai dar mais palmadas no neném hoje?
A Val me encarou desconfiada. – O que você aprontou, Clarice? – Ela parou o carro no semáforo e agora sua atenção estava todinha só para mim. – Fala o que você aprontou.
– Promete?
– Prometo.
Respirei fundo e soltei de vez; – eu esqueci de comer.
A maman cumpriu com a sua palavra. Eu não apanhei, mas eu ouvi reclamações, uma palestra sobre saúde e xingamentos em português e francês por vários minutos até pararmos numa cafeteria pet friendly. E a regra é clara: falou francês? Maman está puta… ops, ainda bem que ela não ouviu meus pensamentos. Palavra feia não pode.
Sob o olhar furioso de dona Valquíria eu comia o meu “brunch”. Eu aprendi a minha lição; não posso pular refeições, anemia isso, anemia aquilo, ferro no sangue, blá-blá-blá.
– Por que você levantou e não foi tomar o seu café da manhã? – Val perguntou revoltada. Ela estava em posição de revoltada: sentada de pernas e braços cruzados, virada para o lado e não para mim. Se ela estivesse de bom humor comigo, estaria totalmente de frente para mim. – Tinha frutas picadas na geladeira, era só pegar e comer. O cereal que gosta no armário. E acho que tem bolo também. Opções era o que não faltavam para você escolher.
– Eu sei, mas é que… eu queria outra coisa, – ela me encarou com a sobrancelha erguida, curiosa para me ouvir. – E não tem. Aí eu deixei de lado, me distraí e esqueci de comer.
– E o que é?
– E o que é o que?
– O que não tem em casa?
– Nada.
Val ficou de frente para mim. – É melhor abrir essa boquinha ou ficará sem seu sorvete mais tarde. O que queria de café da manhã mais cedo que não tinha em casa?
– Leite.
– Mas tem leite na gela… oh, oui, oui…je comprends, ce lait, ce lait (ah, sim, sim, eu entendi, esse leite, esse leite).
A maman desconfigurou legal que deu erro no cérebro. Dei ombros e continuei a comer meu café da manhã enquanto fazia carinho no meu cachorrinho. Ele também estava feliz, ganhou biscoitinho e um monte de carinho.
Depois do café da manhã/almoço, nós fomos direto para o parque. O Chlô gostou muito de lá; ele correu, brincou, comeu petisco, bebeu água, correu de novo, pegou bolinha, atraiu atenção de um monte de gente e depois cansou. Eu também estava cansada. Não corri porque a maman não deixou, mas eu “andei rápido” para brincar com o Chlô e foi o suficiente para querer um cochilinho também.
Confesso que fiquei com um pouquinho de inveja dele por poder voltar para o carro no colo da maman e não precisar andar tuuudo de volta. Será que era pedir demais um colinho também?
O resto do dia foi pura preguiça. Tanta preguiça que, depois da ducha assim que chegamos em casa, eu fui obrigada a vestir uma fraldinha porque a maman sabia que eu iria acabar dormindo… e bem, ela acertou. Uma mamadeira de suquinho natural no sofá enquanto deitava no colo da maman e eu já nem vi o final da novela.
Meu cochilo não durou muito. Acordei na cama e era pouco depois das cinco da tarde. A umidade entre minhas pernas logo me causou incomodo e eu fui direto para o banheiro me livrar daquilo e voltar com as minhas roupas de gente grande.
Sinceramente eu não sabia como me sentia em relação a tudo isso. Era muito fácil aceitar qualquer coisa que a Valquíria me dava quando estava nesse estado de mente meio estranho, mas depois que passava, eu sei lá. Ainda era eu de fralda na frente da minha namorada e me causava certa vergonha.
E se a Val não me levar mais a sério por causa disso? Ou não me ver mais como a sua namorada? Eu não a quero como a minha mãe! Ela não é a minha mãe. Deus me livre se ela só me ver assim. Limites.
Apesar do silêncio absoluto, eu sabia exatamente onde encontrar a minha namorada. Desde que saí do hospital, eu tive só um dia para explorar tudo por aqui antes da viagem, mas foi o suficiente para aprender os lugares favoritos da Val. O escritório é um deles.
Era óbvio que a minha chefe chata estaria trabalhando na primeira oportunidade. Eu não fiquei nada surpresa quando a encontrei em sua mesa de desenho concentradíssima no seu projeto. Ficaria em choque se eu tivesse errado, isso sim.
– Pensei que você tinha parado com esse costume de trabalhar em casa, – disse, atraindo atenção da Val para mim.
Ela me olhou por cima dos óculos e sorriu. Eu sei que ter a atenção da Val tão fácil é um privilégio meu, principalmente quando está focada em algo. Ela nunca para o que está fazendo de imediato para atender alguém, às vezes parece até que não te ouviu ou está ignorando, mas na verdade ela está só “encerrando a linha de raciocínio” antes de parar e dar atenção a alguém. Devo confessar que ter esse poder sobre a Val mexe um pouco com o meu ego.
– O que está fazendo? – Me aproximei, Val virou um pouco para o lado me dando espaço para sentar em seu colo. Outro privilégio só meu.
– Eu precisava passar para o papel a ideia que tinha em mente, mas o resultado está péssimo. Provavelmente será mais uma aquisição da minha gaveta.
Apenas para constatar, o “resultado péssimo” da Valquíria era simplesmente um dos projetos mais fodas que já vi na vida. Uma forma sutil e discreta de dizer que eu sou nada talentosa na área.
– Você não ouse arquivar esse projeto! Está incrível, Val. Você definitivamente deveria ir para frente com ele… ou eu serei obrigada a roubar a sua ideia e me dar os créditos por ela.
– Isso é crime.
– Vai ser só mais um para quem já está sendo julgada por outro.
O olhar de repreensão que recebi foi mais que o suficiente para saber que ela não gostou da piadinha. É evidente que a Val leva muito mais a sério tudo o que está acontecendo, embora ela deveria ser a pessoa mais tranquila e segura por aqui. Mas enfim, ou eu faço piada ou me desespero. Dá para saber exatamente o que farei se levar em consideração que meus amigos sabem que eu vou chorar quando começo ter uma crise de risos.
Não precisa dizer, eu sei que eu sou ferrada das ideias.
– Por tocar no assunto, – Val começou, o tom de voz sério, porém apenas o usual da sua skin séria. – A próxima audiência já foi marcada… você terá que atender.
– Eu posso me internar mais uma vez?
– Clarice. Não se brinca com isso.
Encolhi os ombros com a repreensão que recebi. Às vezes – só às vezes – a Val dá medo.
– Foi mal, mano. Vacilei, pisei na bola – ela ergueu uma sobrancelha me encarando. – Desculpa… – me corrigi. Porém não foi o suficiente. O olhar julgador ainda estava pesado sobre os meus ombros me esperando terminar a frase. Não muito feliz, eu continuei a frase – … maman.
Me sentia patética nessa posição. Eu ainda não entendia totalmente o tal pequeno espaço e até onde isso me afetava. Mas eu posso afirmar com todas as palavras que fora desse estado da mente, eu definitivamente não sou uma submissa. E não vou me prestar a esse papel.
– Très bien, mon amour (muito bem, meu amor) – Val acariciou meu cabelo e deu um beijo no canto da minha boca.
Sinceramente eu não sabia se era uma provocação ou genuíno o que ela fez. É muito difícil ler a Val nesse aspecto; ela realmente percebeu que não quero e não vou me submeter a ela e está me provocando, ou ela não percebeu nada e está seguindo a vida naturalmente? As duas possibilidades são 100% plausíveis e possíveis. Agora resta saber se perguntar isso soaria ofensivo ou não.
Na dúvida, eu achei melhor deixar bem claro:
– Eu não estou no pequeno espaço.
Val me olhou confusa, primeiro sinal aí.
– Eu sei, – ela respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Você é bem diferente quando está pequena.
– Então por que me fez pedir desculpas desse jeito?
– Porque eu não sou seu “mano”, e exijo que me respeite.
Sabe, às vezes eu me esqueço que – por mais brasileira que a Val fosse – ela era francesa e franceses são chatos com honorifico. Boca suja, mas com respeito. Uma energia carioca quando diz “com todo respeito” e em seguida ofende até a quinta geração da pessoa. A Val é do tipo que diz “excuse moi, monsieur… vai tomar no seu c…”.
– Mas eu não estou “pequena” para me tratar assim. Eu não sou submissa.
– Nem você está totalmente convencida disso.
– Você que pensa, – cruzei meus braços levemente irritada com a audácia dela. – Já tentaram essa antes e não deu certo. Não crie esperança ou expectativa só por causa dessa coisa de ser pequena. Fora desse “mundinho” eu gosto da minha liberdade.
Val tirou os óculos e deixou sobre a mesa. Observei o movimento atentamente suspeitando de que estava tramando algo. Não se pode confiar muito tempo.
– Nesse momento você está soando uma pequena brat querendo atenção da sua maman, – ela levou a mão até o meu rosto e formou uma interrogação no meu rosto. Do que essa doida está falando? – Você não gostou de ser deixada de lado, não é mesmo mon amour? É por isso que está assim? Ficou com ciúmes que só seu lado pequeno recebeu atenção da maman?
– Que? Não. Nada disso.
– Você não tem que mentir para a maman, – ela se aproximou mantendo a mão firme no meu rosto me impedindo de afastar. Suave e lentamente, ela começou a espalhar beijos trilhando caminho até a minha orelha. – Você tem toda a minha atenção agora, mon amour – ela disse baixinho com a sua voz rouca e irresistivelmente sexy. – Você terá tudo o que quiser da sua maman, é só pedir.
No fundo eu sabia exatamente o que Valquíria estava tentando fazer. Sabia que era arriscado demais continuar ali, sentada no seu colo. Sabia que o mais sensato a fazer era fugir. Mas as sensações que seus lábios e língua contra o meu pescoço estavam causando em meu corpo deu um erro em todo o meu sistema. Eu sabia que deveria levantar, mas minhas pernas deixaram de receber qualquer comando e a mão perigosa da Val começou a acariciar minha coxa.
– Eu estou esperando, ma petite. O que você quer que a sua maman faça com você? Eu sou todos ouvidos – ela mordeu a minha orelha. Virei o rosto numa tentativa de beijar seus lábios, mas ela se afastou de mim. – Ham-ham, use as palavras, bébé.
Não satisfeita, Valquíria subiu a mão ainda mais até alcançar o centro entre as minhas pernas me fazendo arfar. Eu estava muito mais sensível que o habitual. Com o período de internação e tudo que aconteceu, nossos momentos íntimos eram tudo, menos sexo. Era como se eu fosse uma virgem desesperada no colo de uma depravada, porém cruel e má.
Entre os chupões em meu pescoço, seus dedos estimulando meu clitóris por cima da minha roupa e o desejo desespero por um orgasmo, não sabia mais se dava ouvidos ao meu coração ou orgulho. Valquíria não podia ter tudo o que queria, eu não poderia dar essa vitória a ela.
A sensação de estar perto e ao mesmo tempo não ter o suficiente para chegar lá era uma tortura.
– Parece que o meu bébé não quer nada. Será que devo parar?
– Não! – Respondi ridiculamente rápido. – Não… – repeti com um pouco mais de dignidade. – Não para agora.
– E o que você quer, mon amour? – Ela fez um pouco mais de pressão na mão deixando claro que sabia exatamente o que eu queria e precisava, mas escolheu não me dar. – Eu sei, mon bébé. É muita coisa para a minha pequena raciocinar ao mesmo tempo. A maman pode pegar mais leve…
– Maman, – a interrompi.
– Oui, mon amour?
Para me incentivar a falar, Val continuou me estimular com um pouco mais de pressão nos dedos.
– Me beija… por favor.
Não era exatamente o que eu queria pedir, mas era o suficiente para conseguir o que eu queria. A Val queria jogar, então eu usaria as regras do seu próprio jogo contra ela.
Em meio a um beijo ardente e apaixonado, foi muito mais fácil me deixar levar pelo pouco estímulo que recebia. Difícil foi me conter e não gemer quando estava chegando lá e me desmanchei em um orgasmo lento e sofrido. Poderia ser muito melhor se a Val não fosse cruel.
O nosso beijo foi interrompido de uma vez, me tirando o finalzinho do meu clímax.
– Você gozou.
Arregalei os olhos por ter sido pega no flagra. Eu pensei que havia sido discreta o suficiente.
Minha única resposta possível foi dar ombros. – Aconteceu, o que você queria que eu fizesse?
– Eu não te dei permissão para gozar.
Eu ri achando que era brincadeira, depois de alguns segundos percebi que Val estava séria… e brava.
– Ah, qual é? É sério isso?
– Levanta.
– O que você vai fazer?
– Eu mandei levantar, – ela disse firme e eu tremi na base.
Sem pensar muito me coloquei de pé, não que isso fizesse muita diferença.
– Mãos na mesa.
– Mas e o seu projeto? – O olhar dela foi a resposta, eu apenas aceitei e fiz como pediu. – O que pretende fazer? Você não vai me bater, vai?
Val se levantou e por um momento me perguntei se ela sempre foi tão alta assim.
– Você deveria ter pensado nisso antes de querer agir como uma pirralha. Já que você quis gozar, eu vou fazer você gozar.
Antes que eu pudesse refletir sobre o que ela disse, Val me envolveu pela cintura e abriu o botão e o zíper do meu short antes o tirar completamente junto com a minha calcinha. E quando eu disse completamente, era de fato tirar tudo, até dos pés.
– Você se lembra da palavra que combinamos no jantar na casa dos meus pais? – Ela perguntou pegando minhas mãos, uma por uma, puxando para trás do meu corpo.
– Coentro? – Perguntei confusa.
– Use se você precisar.
Teria protestado ou dito alguma coisa, mas fui incapaz de falar algo ao perceber que ela havia usado a minha calcinha – favorita, diga-se de passagem – para prender as minhas mãos juntas. E sem me dar chance de reclamar, Val me empurrou contra a mesa me pegando desprevenida. Não foi forte para me machucar, mas definitivamente não era o que estava acostumada vindo da minha namorada.
– Valquíria, o que você está fazendo?
– Ora, não é óbvio? Você quis agir como uma pirralha, agora estou te tratando como uma, – ela se inclinou para frente colocando nossos corpos e disse perto do meu ouvido. – Você pensou que poderia brincar comigo. E estava completamente errada.
Não vou mentir, eu estava excitada.
A Val sempre foi meio passiva na cama comigo, não ia muito longe do que eu a guiava para fazer. Então não, eu não esperava essa inversão brusca de papéis e desconfiava dos boatos de que fosse dominadora. Talvez eu tenha a subestimado demais.
– Qual a palavra de segurança? – Ela perguntou ao endireitar o corpo outra vez.
– Coentro.
– Você pode estalar os dedos três vezes se esquecer.
– Por que esse drama todo? Até parece que-ai! Porra! – O tapa que levei foi tão forte que a palavra suja escapou dos meus lábios. – Isso doeu! Você está malu-Valquíria!
– Eu já disse para rever as suas palavras quando for falar comigo. E você está ficando bastante boca suja.
– Convívio.
Levei outro tapa que me fez engolir minhas palavras.
– Você é apenas uma linda pequena. Essas palavras sujas não combinam com você e eu não quero que use. Estamos entendidas? – Ela me deu outro tapa por ter ficado em silêncio. – Clarice, quando eu falar com você, você responde. Estamos entendidas?
– Sim.
– Sim, o que?
– Maman. Sim, maman – respondi rápido com medo de receber outro tapa.
– Lembre-se de me chamar por aquilo que eu sou: maman ou senhora, – ela deu outro tapa. – Entendido?
– Sim, senhora.
Bem diferente das palmadas de hoje cedo, os tapas da Val não eram nada leves, muito menos suaves. A mão dessa mulher é pesada como pedra e ardia como inferno.
– Boa menina. Sabe o que boas meninas recebem de recompensa por serem obedientes?
– Não, maman.
– Boas meninas ganham tratamento especial, – Val levou a mão até meu clitóris e esfregou lentamente. – Elas têm direto de gozar. Você quer que a maman te faça gozar?
– Por favor, maman.
Val puxou o meu cabelo para trás e levou a mão que estava entre as minhas pernas até a minha boca. Com o rosto próximo do meu, ela disse: – Eu vou… quando eu achar que merece. Agora use essa sua boca para algo além de testar a minha paciência e chupe meus dedos.
Ela soltou o meu cabelo e o acariciou enquanto me assistia chupar seus dedos, um a um. Não que fosse realmente necessário isso, eu estava tão molhada que se ela tentasse me penetrar com os dedos totalmente secos seria indiferente.
– Très bien, très bien – ela tirou os dedos da minha boca. – Quem é a boa menina obediente e submissa da maman?
Isso aí era demais. Eu me recusei a responder.
– Estou esperando, Clarice.
Continuei em silêncio e levei um belo de um tapa na lateral da perna que doeu muito mais que os outros.
– E eu pensei que você estava finalmente aprendendo a sua lição, mas pelo visto decidiu me desafiar. Eu estou… levemente decepcionada, Clarice. Esperava mais de você. Mas tudo bem, você irá aprender o seu lugar de um jeito ou de outro.
Val me pegou despreparada ao enfiar dois dedos na minha boceta enxarcada. Depois do tempo de seca e o orgasmo sofrido, ser penetrada sem a típica delicadeza da minha namorada era exatamente o que precisava. Mordi o lábio inferior para conter o gemido, eu não daria esse gostinho a ela.
Era esperado que nesse ritmo eu iria chegar muito rápido no meu ápice. Eu já estava sentindo meus músculos se contraírem ao redor dos dedos da Val quando de repente me senti vazia.
– Eu não te dei permissão para gozar, Clarice… gozar é um privilégio para boas meninas.
Val me puxou fazendo ficar de pé com o corpo resto colado no seu. Ela beijou a lateral da minha cabeça descendo até os ombros, encontrando um espaço para ser delicada e carinhosa até quando está me dando sua lição.
Frente a frente, nós nos beijamos. Nossas línguas disputava o domínio, embora eu estivesse em desvantagem sem poder usar minhas mãos. Val me segurou pela cintura e puxou para mais perto.
– Je t’aime, – Val sussurrou contra a minha pele espalhando beijos pelo meu pescoço e ombro.
Isso era tão a minha namorada de ser… acabou de dar vários tapas na minha bunda sem dó e piedade e ao mesmo tempo não consegue deixar de ser romântica e fofa. Eu amo essa mulher!
Nos beijamos outra vez e Val colou a testa na minha e segurou meu rosto entre as mãos, acariciando minha bochecha.
– Você já está amolecendo o coração? – Não resisti a provocação. – Tem certeza que você era domme?
Ela sorriu, sem demonstrar uma gota de irritação. – Te dar um tempo para respirar não é amolecer o coração, é cuidado. Malcriada ou não, você ainda é a minha pequena, – ela se afastou um pouco. E de repente, seu olhar era outro. – Já que gosta de falar tanto, está na hora de usar essa sua boquinha para algo útil. Ajoelha.
Val deu um passo para trás me dando espaço. Como eu não me movi por livre espontânea vontade, ela pegou meu cabelo e me forçou para baixo.
– Você tem algum fetiche em apanhar? É exatamente o que vai conseguir me desafiando.
– Não, meu fetiche é te provocar.
– Você gosta de brincar com fogo, – Val começou a tirar o cinto do seu short de linho e confesso que engoli em seco com medo. Talvez esse fosse o momento de dizer “coentro”. A observei dar um nó no próprio cinto e se inclinar um pouco para ficar mais próxima da minha altura. – Vamos ver o que vai achar quando eu deixar a sua bunda queimando.
Estava prestes a pedir desculpas e evitar a cintada, quando na verdade ela passou o cinto no meu pescoço tal qual uma coleira. Em seguida, ela caminhou até o sofá me puxando pelo cinto e se sentou.
– Deita no meu colo.
– O que você vai… – fui interrompida pelo puxão que me fez cair em seu colo.
– Quando eu mandar, você obedece. Estamos entendidas?
– Sim, senhora.
Engoli o seco ao sentir sua mão acariciar a minha bunda. Parecia a calmaria antes do tsunami e eu estava com medo.
– Você andou estudando francês, não é mesmo? – Confirmei com um som nasal e levei um tapa forte. – Use as suas palavras.
– Sim… sim, senhora.
– Vamos ver se você realmente andou aprendendo alguma coisa.
– Que?!
– Você vai contar até vinte em francês e se errar, vamos recomeçar do zero. Pode começar.
Ela deu o primeiro tapa sem esperar pela minha resposta. E eu sequer tinha certeza se me lembrava ou não.
– Espera, eu não…
– Resposta errada, mon amour. De novo.
– Ei, isso não vale… aí!
– Isso não é o número um.
Ela bateu outra vez e dessa vez eu não cometi a mesma gafe.
– Un!
– Très bien, mon amour. Agora continue até o final.
Eu genuinamente pensei que teria mais tempo entre um tapa e outro, mas errei. Errei feio, errei rude. Não houve trégua ou descanso. Ela me bateu, um atrás do outro e confesso que quando chegou oitavo eu já estava chorando como criança e completamente arrependida pela provocação, mas o meu pavor foi chegar ao décimo sexto e não me recordar.
– Vamos lá, mon amour. Dezesseis. Estou esperando.
Não tive coragem nem de dizer que não sabia para ela não considerar como resposta errada e simplesmente recomeçar.
– Você não sabe?
Eu balancei a cabeça negativamente enquanto mordia meu lábio para não chorar ainda mais. Val acariciou meus cabelos e costas tentando me acalmar.
– Não é tão difícil assim, mon amour. Você está quase lá. Respira fundo.
Sabia que seguia praticamente a mesma lógica do português e que os números seguintes seguiam a ideia de “10+o número”. Então eu me arrisquei a chutar.
– Dix-six.
– Inteligente…, mas está errado. A resposta correta é “seize” e você sabe o que acontece quando você erra.
– Não, espera. Você não…
– Regras, são regras.
Ela não estava brincando mesmo.
O que era para ser 20 tapas, estava virando 38 e eu já não via a hora de acabar. E eu descobri que a maman pode ser boazinha e legal, mas também poderia ser muito má quando quer. Ela tinha razão quando disse que faria a minha bunda queimar e puta que pariu, como estava queimando e ardendo como o inferno!
De novo ao décimo sexto e dessa vez eu dei a resposta correta. – Seize.
– Très bien, mon amour – a Val me elogiou acariciando minhas costas. – Agora concentração. Você não vai querer errar nos últimos 4.
Os últimos eram fáceis e eu sabia muito bem. No entanto, o que me tirou de concentração foi o tapa que levei bem no meu clitóris, me pegando totalmente despreparada.
– Vamos lá, Clarice. Qual é o número?
– Di-di-dix-sept, – gaguejei.
Val mandou eu me concentrar e fez justamente o oposto para isso. Juro que quase gozei no segundo tapa que levei no mesmo lugar. No terceiro, eu gemi.
– Esse não é o número, mas vou te dar uma segunda chance. Vamos lá, 19.
– Dix-neuf.
Fiquei um fio de gozar no vigésimo e último tapa. Precisei de todo o autocontrole que havia dentro de mim para não me entregar e ter mais problemas por gozar sem permissão.
– Vingt, – o último saiu quase como um gemido.
Val ficou calada, o que aumentou a minha tensão. O medo de estar errada, de ter que recomeçar. Eu não aguentaria outras vinte palmadas, não mesmo.
– Très bien, mon amour. Você foi muito bem, – ela acariciou as minhas costas. – Sua bunda está a coisa mais linda, toda rosada.
– Eu não quero isso nunca mais!
– Tem certeza? Sua boceta me diz o contrário, – ela passou os dedos e eu até estremeci de tão sensível. – Você molhou a minha roupa. Deveria te punir por isso.
– Por favor, maman. Não. Não, por favor, – supliquei.
– Você foi uma boa menina até aqui. Merece uma recompensa. Me diga, minha pequena, o que você quer da sua maman?
Só havia uma única coisa gritando na minha mente. E por mais humilhante que fosse admitir, eu não tive muita escolhe.
– Me deixa gozar, maman. Por favor?
– Será um prazer atender um pedido como esse, ma vie.
Sentir os dedos de Val dentro de mim outra vez foi quase o suficiente para o meu ápice, o quão desesperada por isso eu estava. Eu gemi sem pudor e me deixei levar ao prazer que estava sentindo.
– Maman, por favor… por favor, por favor, – pedi sem nem entender ao certo o que estava suplicando.
– Pode gozar, mon amour.
Não que eu precisasse dessa permissão para chegar lá, mas quando ela disse isso eu senti meus músculos contraírem e todo o meu corpo enrijecer dando pequenos espaços à medida que gozava como nunca antes.
Foi longo, intenso e avassalador. Com certeza estava no ranking dos melhores orgasmos da minha vida.
– Não durma ainda, – Val disse me acordando do estado de transe. – Ainda não acabou. Ajoelha.
Demorei um pouco a entender o que ela queria, mas logo saí do seu colo e me ajoelhei no chão. Val tirou seu short e calcinha até o joelho, olhou para mim e mandou.
– Termina, – ela mandou se referindo a própria roupa.
Com as mãos presas para trás, me restava apenas a boca para puxar seu short e em seguida sua calcinha.
– Boa menina. Agora você já sabe o que fazer, cachorrinha. Vamos usar essa sua boca para algo útil.
Ela puxou o cinto o que me fez desequilibrar em sua direção, caindo com o rosto entre as suas pernas. Se não fosse o pequeno nó que ela havia feito, Val teria me enforcado. Mas por causa do nó, apenas causou um pequeno incomodo e provavelmente me deixaria uma marca vergonhosa no pescoço.
– Olha para mim enquanto me lambe. E vê se faz direito.
Eu só não revirei os olhos com medo de apanhar. Como se eu não soubesse como chupar a minha mulher…
Determinada a fazer a Valquíria gozar, eu dei o melhor de mim enquanto a chupava. E pelo visto, ela estava determinada em não gozar.
Comecei beijando a parte interna da sua coxa trilhando o caminho até chegar em sua boceta e usar minha língua quente e úmida lambendo lentamente da sua entrada até o seu ponto mais sensível. Eu sabia exatamente como ela gostava e estava disposta a tudo para a agradar.
– Agora me diz; quem é a boa menina obediente e submissa da maman? – Ela puxou o meu cabelo para trás me afastando da sua boceta. – Quero ouvir.
– Sou eu, maman – respondi sem pensar muito.
A lição dada no meu bumbum ainda estava bem vívida para arriscar qualquer brincadeira. O que eu poderia fazer era planejar a minha vingança, até lá, me restava aceitar.
– Boa menina, – ela me empurrou de volta contra a sua boceta.
Não foi necessário dizer nada, eu sabia exatamente o que deveria fazer. E como a “boa menina” que estava sendo, chupei a maman até ela gozar na minha boca.
– Oh, oui… Claric-ah! – Ela segurou firme em meus cabelos e o cinto me impedindo de ir para qualquer lugar, embora eu não estivesse nada interessada a sair. – Putain! – Val estava ofegante e extremamente sexy. – Bom trabalho, meu amor – ela fez carinho na minha cabeça. – Você fez um bom trabalho.
Val se inclinou para frente e beijou os meus lábios enquanto retirava o cinto do meu pescoço e a calcinha que prendia as minhas mãos juntas.
– Vem cá, – ela me chamou para o seu colo e eu fui. – Como está se sentindo?
– Meu bumbum dói… você foi muito maldosa.
– Você poderia ter usado a palavra de segurança.
– Não precisava. Eu só quero reclamar mesmo.
– Desculpa, meu amor. Eu vou passar um óleo para refrescar e aliviar. Deita aqui no meu colo, – ela me chamou com intenção de me dar peito.
– Eu não estou pequena.
– E daí? Você não quer mamar para acalmar um pouco?
– Eu posso?
– Por que não poderia?
– Porque não estou pequena.
Val balançou a cabeça. – Grande ou pequena, você é o meu amor. Se você quiser, você pode mamar. Eu não ligo.
Depois de tudo que aconteceu, até que um peito e um colo cairiam bem. Especialmente com todos os sentimentos a flor da pele e pensamentos a mil. Normalmente mamar me traz tranquilidade e aconchego.
Val liberou os seios para mim e me segurou em seus braços, provavelmente querendo evitar que eu deitasse sobre o meu bumbum. Eu abocanhei o que estava mais fácil para mim e o efeito de relaxamento era quase imediato.
– Você foi muito bem, meu amor – ela acariciou o meu rosto. – Eu amo você.
– Eu também te amo.
Ela sorriu. – Não fala com o meu peito na boca.
– Desculpa.
Até que receber o tratamento de pequena estando grande não era tão ruim assim não. Enquanto a minha mulher quiser me dar de mamar, eu estarei aqui.
Eu só não vou ser submissa… isso aí não.
«-»
Gostou? Não esqueça de comentar! Até a próxima…
Au revoir!
