Clarice
Eu não sou uma Touchon, mas se eu fosse eu teria um surto.
Não sei ao certo qual foi a conversa que a senhora minha noiva e minha digníssima sogra tiveram, estava muito ocupada fazendo coisas mais importantes – dormindo – para saber. Mas seja lá o que foi, essa conversa resultou em um convite inusitado para almoço.
Quando digo convite, leia-se como intimação. Não é como se eu tivesse a opção de escolha. Eu estava aproveitando minha última manhã acordando tarde quando recebi a ligação da Giovana dizendo que me buscaria em uma hora para o almoço.
E aí você pensa, dona Val estará junto, correto? Errado.
Minha mulher nem em São Paulo estava e eu descobri por acaso que ela foi visitar uma obra em Goiás e não me falou nada. É realmente muito difícil acompanhar os passos de uma Touchon.
E assim, eu não tinha nada contra a Giovana, mas a encontrar com tanta frequência não está sendo legal. Eu prefiro que ela se resolva com a minha mulher e com ela apenas. Os papos de mommies são chatos.
– Eu vou precisar fazer alguma coisa? – Perguntei enquanto caminhávamos em direção a entrada do restaurante.
– Ouvir a proposta e assinar o contrato.
– Contrato do que?
– Em resumo, autorização para a exposição dos quadros da sua mãe que são seus.
– E precisa de uma reunião para isso?
– Você ainda tem sorte que será em um almoço, poderia ser pior.
– A Val já sabe dos detalhes?
– Não, – Giovana abriu a porta do restaurante e me esperou passar. Eu a encarei desconfiada. Ela não me parecia alguém que viria direto a mim sem antes passar pela Val. – Ela não quis saber, – acrescentou um tempo depois. – Ela não quis se envolver nos seus “assuntos particulares”.
Assuntos particulares? Desde quando existe o conceito de assuntos particulares para a Val?
– Eu fiz alguma merda?
– Eu não sei. Talvez devesse perguntar a sua noiva, não?
Droga.
Por que isso soa como se eu tivesse feito a maior merda do mundo e estou com sérios problemas? Pior que nem deu para enviar alguma mensagem ou até mesmo ligar, pois os demais advogados que encontraríamos já estavam a mesa nos aguardando.
E não, o almoço não foi nada demais. Poderia inclusive ter sido um e-mail ou terem só mandado o contrato para assinar. Não faria diferença alguma. Eu não iria ler de qualquer forma, tampouco entender. Eu juro que tentei. Nos primeiros minutos do encontro tentei manter o foco e prestar atenção, mas durou pouco. Quando menos esperava minha mente estava em Goiás.
Não ter um tetezinho daqui a pouco seria péssimo. Horrível. Não estava pronta para encarar essa realidade.
Quando chegamos ao escritório, tudo estava em plena paz. Eu amo a minha noiva mais que tudo nessa vida, mas não posso negar que sua ausência – apesar de triste para mim – era uma paz para todos. Ela é legal, mas extremamente exigente e leva qualquer um à loucura muito fácil. E suas habilidades sociais são muito questionáveis.
E apesar da paz, eu não resisti a saudades – e a ansiedade – para querer entender logo o que estava rolando. Se eu fiz alguma merda, eu precisava saber já para me dar tempo de resolver a tempo do próximo tetê. Não posso nem brincar com a possibilidade de ser barrada dos meus valquírios, eu tenho um treco e faleço.
“Você está brava comigo? Me odeia? Não me ama mais?” enviei a mensagem.
Minhas chances de respostas eram quase nulas. Pelo o que ouvi dos meus colegas, a senhora minha chefe não respondia desde cedo, apenas enviava mais trabalho e ignorava todo o resto. Ligações? Nem deixava chamar, direto na caixa postal.
Levei um susto quando o celular começou a vibrar na minha mão e a imagem da Val de biquini surgiu na tela. Por sorte não tinha ninguém ao meu lado para ver, mas eu definitivamente preciso trocar essa foto.
– Posso saber o motivo da sua mensagem? – Val foi direto ao ponto. Sem “alôs”, “ois” e etc. Eu me tranquei na sala de reunião vazia mais próxima para o mínimo de privacidade. Não queria que ninguém por ali soubesse que eu estava falando com ela.
– Você não quis se envolver nos meus “assuntos particulares”, desde quando existe isso entre nós? Ainda mais vindo de você!
– Eu me envolvi até onde precisava de mim, bébé.
– Naah, a Valkyrie que eu conheço não deixaria essa reunião acontecer sem estar junto.
– Então, deixe-me ver se entendi. Você está com saudades da minha versão domme?
– O que?! Não! De onde você tirou isso?
Filha da xuxa! Eu consigo ouvir o sorriso em seu rosto.
– Se você quiser que eu controle todos os aspectos da sua vida, é só pedir, mon amour… ou eu deveria dizer, implorar?
– Isso não vai acontecer.
– Sendo assim, maman só cuida do que está relacionado a petite dela. Negócios e os quadros, não fazem parte disso, bébé…
Mas eu não entendi nada que eles falaram na mesa lá. Pensei comigo, mas me recusei comentar em voz alta. Não vou dar esse gostinho para a versão maldosa e cruela da minha noiva.
– Se você quiser, podemos ver o contrato juntas essa noite e entender melhor o que se trata. O que acha? Eu aposto um beijo que você não prestou muita atenção na discussão.
– Não mesmo.
– A sua sorte é que a Giovana não deixaria você entrar em furada e a pessoa na outra ponta do acordo é a minha mãe. Você seria um alvo fácil, amour.
Pior de tudo é concordar com isso, mas falar em voz alta é declarar derrota.
Eu não sei se a Val está fazendo isso de propósito, mas se for, não vai dar certo não. Eu não vou cair nessa. Ardilosa que só essa mulher.
Apesar de estar falando com a minha chefe, eu não iria enrolar em ligação. Segui a minha tarde como se nada tivesse acontecendo e tentando segurar a vontade de reduzir ainda mais o meu tamanho. Não faz nem sentido isso, mas saber que a maman estava tão longe me fazia sentir mais vulnerável e com uma vontade absurda de chorar. E não, não era como se ela fosse me dar toda atenção do mundo se estivesse aqui agora.
Parte de mim quis falar para a maman como me sentia e a outra parte decidiu apenas esperar. Em poucas horas estaria em casa e tudo isso iria passar.
Ao final do expediente eu não sabia ao certo como faria para ir para casa. Estava mal acostumada com as caronas da minha mulher e nem me recordava qual era a última vez que fiz o trajeto do trabalho para casa da Val sozinha. Se um dia já fiz. E enquanto me decidia do que fazer, me lembrei de um pequeno detalhe muito importante: e se ela ainda não estiver lá?
Eu não quero ir para a casa da maman sem a maman. Ela também não respondia as minhas mensagens, tampouco atendeu a minha ligação. Talvez estivesse voando de volta para São Paulo. Eu deveria ter perguntado mais cedo que horas voltava. Será que eu fico mais um tempo na empresa?
A minha vontade era sentar no chão e chorar até a maman aparecer. Mas se eu fizesse isso no meio do um edifício comercial com centenas de pessoas saindo do trabalho ao mesmo tempo não seria muito legal. Alguém certamente iria pisar em mim por estar atrapalhando o caminho. E a maman não iria gostar que eu sentasse no chão.
– Clarice? O que você está fazendo parada aí? – Larissa perguntou. – Por que você está com uma cara de quem vai chorar? Aconteceu alguma coisa?
– Não.
– Tá certo… cadê a sua sombra? Pensei que vocês fossem embora juntas.
– Ela está longe. Goiás. Ou São Paulo. Eu não sei se ela já chegou.
– Entendi… e você vai para casa sozinha? – Afirmei com a cabeça. – Eu estou indo no mercadinho expresso na rua de baixo, quer vir comigo?
Larissa é a minha prima. Não via razão para não aceitar a sua proposta. Além do mais, um docinho agora me cairia bem.
– Os gatinhos já estão saudáveis para ir para casa, – Larissa comentou enquanto passávamos pelo corredor dos lacticínios do mercadinho. – Quando você vai buscar o seu?
– É sério?! E por que você não me avisou antes?!
– Eu também recebi a notícia hoje. A Glória quer buscar a Maria Antonieta na sexta.
– Dá para pegar o Sem Nome agora?!
Laris me observou desconfiada. – Não acho uma boa ideia. Espera a francesa voltar. Você está me cheirando encrenca. Com certeza irá aprontar
– Eu não apronto!
– Eu também tenho certeza que a bonitinha não deveria estar levando esse tanto de doces, – ela apontou para a minha cesta. – Você não mudou nada, não é mesmo dona Clarice? – Dei ombros e ela balançou a cabeça, voltando a atenção a geladeira de iogurtes. – Aqui, leva esse. Costumava ser o seu favorito. Ainda deve ser.
Leite fermentado do Bob Esponja! Quantas eras que não via isso?! Eu amo muito, muito, muito!
– Você não vai tomar um agora, né doidinha! Tem que passar pelo caixa primeiro. Falando nisso, estou com a maior fome. Quer comer alguma coisa? Tem umas mesinhas ali. Quer saber? Senta lá, eu vou passar no caixa e pegar umas coisas para a gente comer.
Larissa pegou a minha cesta e praticamente me empurrou em direção a porta.
As mesinhas ficavam numa lateral do mercadinho e era cercado por um muro mediano e canteiros de flores. Era bonitinho e agradável, sem muita opção para fugir… não que eu estivesse planejando fazer. Enfim, você me entendeu.
Demorou uma eternidade para a Larissa voltar com as compras e os nossos lanches, empada e pão de queijo. Felizmente ela sabia que esse corpinho aqui não seria alimentado só com um deles e me trouxe logo dois.
– Três horas na fila.
– Ué, um monte de gente e só um caixa. Se continuar reclamando, dá próxima eu te deixo lá em pé esperando.
– Você é um amorzinho.
– Eu sei.
Eu comi meu pão de queijo e a empada, tomei meu suquinho de morango, bebi alguns Bob Esponja fermentado e aproveitei para comer uns chocolates enquanto Larissa e eu nos atualizávamos de tudo: vida, GL’s, jogos, séries. Até fofoca familiar teve, um pouco de tudo.
O céu estava começando a escurecer quando me dei conta de que estávamos uns quarenta minutos ou mais ali. Peguei o meu celular desesperada achando que perdi mensagens da maman, mas não tinha absolutamente nada e já faz um tempão. Será que aconteceu alguma coisa?
– Que cara é essa? Que foi?
– A maman-Val não fala comigo já tem um tempão. Será que o avião dela caiu?
Larissa fez uma careta. – Não caiu coisa nenhuma garota. Talvez ela só esteja ocupada.
– Não! Ela nunca está ocupada demais para me responder! Alguma coisa aconteceu! E se ela… e se ela… e se ela também…
– Clarice, não começa. Ela está bem e bem viva… ai meu deus do céu, – Larissa se levantou para se sentar ao meu lado para me consolar enquanto eu me desabava em lágrimas.
Eu não queria pensar coisas ruins, mas como não pensar se a maman sempre fala comigo!? Se eu perder a maman eu não sei o que vai ser de mim. Eu não vou aguentar tudo isso de novo não. Não vou!
– Clarice, ela está bem.
– Como você sabe se ela não está nem falando comigo?! Eu nem sei qual avião que ela está!
– Se algum avião tivesse caído, já teria notícias em todos jornais. Por que você não liga para ela? – Larissa não esperou a minha resposta, eu também não estava em condições de responder chorando pela possível morte da maman. – Valquíria? Espera aí.
Larissa colocou a chamada em viva voz. – Uh, oui?
Eu imediatamente reconheci a voz da minha maman e agora chorava de alivio ao ouvi-la. – Maman!
– Clarice, você… está chorando?!
– Ela cismou que tinha morrido e por isso não respondia as mensagens, – Larissa respondeu por mim sem um pingo de humor. – Você vai demorar muito para chegar?
– Non. Eu estou na esquina. No semáforo.
– Ótimo, estamos te esperando. Tchau!
– Espera, eu… você desligou!
– Ela está chegando já, não precisa desse chororô todo.
– Eu quero falar com a maman! Eu quero falar com a maman! Eu quero a minha maman!
– Clarice, em nome de Jesus. Está todo mundo olhando para a gente. Ela já está chegando, fica suave na sua. Meu deus… Bebe essa água aqui.
Com a delicadeza de um coice de cavalo, Larissa quase enfiou a garrafa na minha goela abaixo. Apesar de quase me matar sufocada, serviu para me ajudar aquietar um pouco, pois agora toda minha concentração era beber a água e não engasgar com ela.
Quando a água acabou, ela me deu um Bob Esponja atrás do outro para não me dar tempo de voltar a chorar e eu me sentir um balão de tanto líquido.
– Ça suffit, Clarice – nunca me senti tão aliviada em ouvir alguém falar francês na minha vida. – Você já bebeu demais isso aí… mon dieu, olha esse caos.
A maman olhou horrorizada para a mesa cheia de caixinhas de leite fermentado vazias. Eu levantei e corri para a abraçar forte, sentir o seu cheirinho outra vez e me aconchegar no seu calor.
– Isso tudo é saudades?
– Sim! Você foi para longe, deixou eu sozinha!
– Foi só por algumas horas e você não iria sequer perceber.
– Ia sim! Eu ia chegar em casa, maman não estaria lá, eu seria triste iria chorar até derreter e virar uma poça de lágrimas no chão e você nunca mais ia me encontrar porque até que chegasse em casa eu já teria secado!
A maman me olhou em silêncio por um instante. – Ma vie, eu estava em casa quando me mandou mensagem que saiu do trabalho. Só que eu estava no banho. Se tivesse ido para casa teria me encontrado lá.
Cheirinho de pós banho e não era o perfume de trabalho, cabelo ainda molhado e roupas casuais… a maman realmente estava em casa!
– Larissa, obrigada por ter resgatado essa petite perdida. Estou te devendo uma.
Foi só então que eu percebi que a Laris sabia que a maman estava vindo esse tempo todo. Ela estava me distraindo com comida!
Meu deus, eu sou tão fácil!
– Por que eu tenho a impressão de que está na corda bamba, Clarice? – A maman perguntou me ajudando a colocar o cinto no carro. – Você ficou assim quando saiu do trabalho? – Eu não respondi. – Antes disso? E por que não falou nada?
– A maman estava longe.
– A maman nunca está longe demais de você, mon amour – ela me deu um selinho rápido e assumiu o volante para dar a partida no carro. – Nem que eu esteja do outro lado do planeta e você aqui, você sempre fala com a maman o que está sentindo, d’accord?
– Tá bom.
– Algum motivo para você não ter ido direto para casa? A Larissa disse que você parecia desnorteada na saída do prédio.
– É que eu não sabia se a maman estaria lá.
– E…?
– E eu não queria ir para lá sem a maman.
– Você mora lá, bébé. E hoje mesmo estava lá pela manhã sem a maman. Que diferença faz?
Meu cérebro entrou em pane no sistema. É verdade, eu estava lá essa manhã sem a maman.
– Por que você não tenta tirar um cochilo enquanto voltamos para casa? Eu vou estar bem aqui do seu ladinho o tempo todo. Está tudo bem, mon bébé.
A maman me fez carinho no cabelo, quase me mandou direto para o vale da soneca. Eu queria resistir um pouco mais e manter os olhos abertos, mas eu os fechei e aos poucos me senti mais sonolenta, pesada…
– Maman?
– Oui?
– Xixi.
– Consegue segurar um pouco até chegar em casa?
– Não sei.
– Certo, vai avisando a maman. Não espere chegar em situação crítica, okay? Avisa antes.
– Tá bom. Eu aviso.
A maman pediu para eu avisar, mas ela mesma ficou o tempo todo perguntando qual era a minha situação. E olha, a minha situação não era nada boa quando chegamos em casa.
Entrei no apartamento já correndo para o primeiro banheiro mais próximo ignorando até a existência do Chloée. Algumas gotinhas foram inevitáveis, mas comparado com o desastre que poderia ter sido, eu estava até orgulhosa de mim de ter chegado tão longe.
A maman me fez ir direto para o chuveiro ali mesmo e só me trouxe as minhas roupas. Nem para entrar comigo… já houve mais amor nessa casa.
– Finalmente saiu do banho, – a maman estava na cama, lendo algum livro e seu cabelo agora estava seco. Tão linda! – Você quer dar uma olhada no seu contrato agora?
– Não, depois – eu subi na cama me juntando a ela. – Eu quero dar uma olhada no meu tetê. Já faz tanto tempo que eu já nem lembro mais o gosto.
– Você é tão dramática.
– Realista, maman.
Eu me aninhei ao lado dela e puxei a sua roupa para finalmente ter o meu tetê só para mim. Até meus valquírios sentiam a minha falta, o leite saiu tão rápido que me deixou surpresa.
– Não vá engasgar, bébé – a maman passou a mão no meu cabelo.
– Hm-hm, não vou.
Eu já sou mestre em mamar no tetê, nele eu não me engasgo.
Valkyrie
Eu já esperava que fosse acontecer.
Quando vi no olhar da Clarice a minha petite florescendo sem se importar em onde estava, eu sabia que não iria querer saber nada sobre o acordo que fez essa tarde. Honestamente, eu não estava nada preocupada. Eu não sei exatamente os detalhes, números e etc, mas estou ciente o suficiente para não ter motivos para me preocupar.
Se não fosse dentro da minha própria família, eu jamais deixaria a Clarice lidar com isso sozinha. Ainda mais sabendo que existem filhos da puta por aí que se aproveitariam da ocasião para roubar para si os quadros da minha bébé. Não, não, isso jamais aconteceria. O filho da puta que tentasse eu destruiria a vida dele e das suas próximas gerações.
Ninguém mexe com a minha mulher.
E por falar em quadros, gerações e filhos da puta, eu não conversei com a Clara sobre o seu suposto pai. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. A minha vida costumava ser uma paz organizada, sabia exatamente tudo que estava para acontecer, muito raramente algum evento era inesperado e no improviso, mas agora… o improviso é o padrão, planejar é a raridade. Não estou reclamando, eu não trocaria essa vida por nada nesse mundo, mas também não seria ruim se alguma coisa ou outra ficasse mais controlada.
Talvez um dia nossa rotina seja um pouco menos caótica, assim como nossos momentos juntinhas. Talvez…
Sorri ao observar Clarice mamando, principalmente por ela ficar tão fofa enquanto mama, mas também pelo alívio que sentia. Eu achei que seria tranquilo seguir o dia sem tirar o leite e como eu me enganei! Milagrosamente, meu corpo vive em ritmo de Clarice e isso significa que existe as horas sagradas do dia para esvaziar o leite, caso contrário, a dor é certeira.
– Bébé, como você vai ficar quando a maman tiver que ir para longe de verdade?
Clarice que estava quase fechando os olhos, os abriu de repente me encarando com seus cristais verdades.
– A maman vai me abandonar?!
– Eu não vou abandonar ninguém. A maman tem umas viagens a trabalho para fazer muito em breve e a bonita tem sua faculdade e estágio.
– Mas a maman é rica, para que tem que viajar a trabalho? Fica em casa com o neném. Manda outro no seu lugar. Você num pode ficar longe d’eu!
Queria eu que a solução fosse tão prática. Infelizmente eu achei de bom tom criar uma carreira onde as pessoas esperam a minha presença e sem mim o encontro não faria mais sentido.
Por mais que a Clarice ocupe muito do meu tempo, ainda não era o suficiente para eu deixar o meu trabalho. Talvez o que eu precise é de outro neném. Quem sabe assim eu tenha motivo em dobro para parar.

3 Comentários
Deixa a petite peste desconfiar desses seus papos, corta logo suas asinhas kkkkkkk
Clarice e seus pensamentos que Val irá a abandonar um dia.
Queeee??? Que papo é esse de outro nene? Não inventaaaa. 😂😂