Elora Aneva

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Capítulo 17.1

Laura

Eu estava mais perdida e confusa que cego em tiroteio.

A minha vida teve uma grande reviravolta nos últimos dias que nem eu sabia mais o que estava acontecendo. Giorgia disse ser a minha “mamma”, mas o que isso significava? Estávamos namorando? Ou eu era só o seu passatempo sem compromisso? A verdade era que nem eu sabia o que pensar mais.

Perto dela meu cérebro era incapaz de processar um único pensamento. Não conseguia ser racional ou agir como um ser capaz. Sua voz, seu olhar e seus toques quebram qualquer resistência minha tão facilmente e eu me torno fisicamente incapaz de dizer “não” ou fazer qualquer coisa contrária à sua ordem.

Esse era o principal motivo pelo qual eu quis vir para casa.

Eu precisava de tempo, espaço e distância para entender o que estava acontecendo comigo e de onde vinham essas vontades e desejos estranhos. Parecia o mais sensato a fazer, no entanto, o que eu não antecipei e definitivamente não esperava, era que no momento em que vi o carro da Giorgia ir, eu me sentiria tão sozinha e desconfortável. Quase um medo irracional, como se eu fosse aqueles bebês deixado na creche que choram quando as mães vão embora.

E eu quis chorar. Quis ligar e dizer que mudei de ideia, que queria ir embora com ela. Que eu não pensei bem e também queria passar a noite com ela. Mas antes que eu pudesse pensar em pegar o celular, minha mãe me viu na varanda da garagem.

– Lembrou que tem casa, é Laura? – Ela perguntou balançando a cabeça negativamente e batendo o pé no chão. – O que deu em sua cabeça, hein? Quem foi que deu permissão para passar vários dias fora?

– Eu já sou maior de idade.

– Mas ainda mora de baixo do meu teto e me deve satisfações, – ela rebateu. – Quem era aquela mulher no carro?

– Você estava me espionando?

– É claro que eu iria querer ver com quem está andando. Isso está tudo muito estranho, Laura minha filha. Ninguém sai fazendo caridades sem segundas intenções… você não está se prostituindo, está?

Por mais genuína que parecesse ser a preocupação de minha mãe, eu não pude deixar de me sentir ofendida. Eu não estava me prostituindo! Muito menos me envolvendo com alguém por dinheiro!

– O que?! Claro que não! A Giorgia é a minha namorada… – respondi sem pensar.

– Namorada? Desde quando você é sapatão, lésbica?

– Aí, mãe… eu não sei. Talvez eu seja Giorgiassexual. Agora me deixa entrar, eu não quero falar da minha vida pessoal onde qualquer vizinho pode ouvir.

– É melhor não contar ao seu pai, – minha mãe disse assim que eu passei por ela. – Eu não ligo com quem decida se relacionar. Mas ele não irá entender.

Minha vontade era contar a verdade para a minha mãe. Contar a ela que seu incrível marido que trabalha tanto para manter a casa e a família, na verdade passa as tardes de folga no bar enquanto mente dizendo que está no trabalho.

Mas eu me contive.

– Eu não vou.

– Ótimo. Nós ainda vamos conversar sobre essa mulher

Eu honestamente nunca pensei sobre quem dos meus pais aceitaria mais fácil eu me relacionar com uma pessoa do mesmo sexo. Mas também não esperava que a minha mãe levaria com tanta naturalidade.

A verdade era que ela me parecia um pouco mais calma, ou melhor, menos estressada que o normal. E logo eu entendi o porquê…

Giorgia não havia comentado nada a respeito de ter contratado mais cuidadores para o meu irmão, mas para a minha surpresa, quando cheguei no quarto dele, ele estava acompanhado de um cuidador claramente profissional. Cuidador esse que nunca vi antes e tinha certeza que meus pais não teriam condições para pagar, mas que estava aqui… o colocando para dormir.

– Ele agora está fazendo terapia em casa. Tem funcionado para o deixar mais calmo e quieto – minha mãe comentou baixinho para não atrair a atenção do Gustavo para nós e me puxando para a cozinha, onde começou a servir a mesa do jantar. – Eu sei que isso não é caridade do plano de saúde, Laura. E eu ouvi o nome dessa mulher algumas vezes aqui… você tem certeza que está tudo certo?

– Tudo certo? – Perguntei confusa.

– Eu não sei… estou preocupada com você. Estive pensando e conversando com a sua tia. Talvez tudo isso seja culpa minha… eu te pressionei demais. Coloquei uma responsabilidade muito grande nas suas costas. Não fui uma boa mãe para você… e talvez por isso achou que esse foi o único caminho.

Encarei a minha mãe a analisando.

Não tinha reparado antes, mas apesar de estar menos estressada, seus olhos estavam levemente inchados, como quem esteve chorando mais cedo.

– Eu não estou me prostituindo se é o que continua pensando.

– Eu só quero que saiba que pode falar comigo. Eu posso dar um jeito. Nós podemos te proteger.

– Mãe… eu estou bem. E eu não estou me prostituindo. Eu sou virgem.

Minha mãe ficou surpresa demais ao ouvir sobre a minha virgindade. Não posso acreditar que ela realmente achou que estivesse vivendo essa vida e se culpando por isso.

Bom, pelo menos uma vez na vida se preocupou comigo em algo. Pena que é um pouco tarde demais.

– Oh… eu pensei… pensei que essa mulher…

– Não, ela não encostou um único dedo em mim. Ela é realmente um amor de pessoa comigo. Sempre foi.

– Então ela gosta de você de verdade?

– Eu não sei, parece que sim… eu sei que eu gosto dela de verdade.

Eu não estava com fome, mas também não recusei o prato que minha mãe me serviu. Era tão difícil e raro a ver preocupada comigo, que aceitei o seu “cuidado” mesmo sem querer comer outra vez. A sopa de batata também era uma das minhas favoritas.

– Seu pai acha que isso está incluso no reajuste do plano, – ela se sentou a mesa comigo e também se serviu um prato. – Ele não sabe que essas pessoas estão sendo paga por outro alguém.

– Você acha que ele iria reclamar?

– Ele já não está nada feliz que ficou esses dias fora. Seria ainda pior se soubesse a verdade.

Eu costumava achar que meu pai era um homem calmo e centrado, enquanto minha mãe a histérica e louca. Porém, sabendo que ele esconde uma grande mentira… percebo que na verdade ele só não estava aqui. Seu silêncio e tranquilidade não era paciência e sim ausência. Omissão…

Minha mãe e eu jantamos em paz. Um milagre raríssimo. Por conta do trabalho, eu já não ficava muito em casa nesse horário, mas dos dias de folga sabia que era quase impossível terminar um prato sem parar algumas vezes para atender o Guto.

E nessas ocasiões, eu vi meu pai terminar o próprio prato quentinho várias vezes e em seguida ler o seu jornal ou o celular sem levantar uma única vez, me mandando no lugar quando minha mãe sozinha não dava conta. E no fim, comiam as duas a comida já fria.

Ela me contou como tem sido a experiência de ter não só um cuidador profissional, mas alguns. E apesar de ainda ter muito trabalho, afinal a casa não se limpa sozinha e nem a comida se prepara em um passe de mágica, ainda conseguia tirar um tempo do dia para si.

E bem, quando mais nova eu achava que minha mãe me colocava a responsabilidade de babá para tirar um tempo só seu. Quando na verdade, o tempo só seu era ir ao mercado, fazer feira, ir a farmácia, limpar casa, cozinhar, às vezes ajudar a minha avó. Nunca era algo de fato para si.

Quando fui para cama já era tarde. Meu pai ainda não tinha chegado e minha mãe mandou não esperar por ele e descansar. De acordo com ela, ele disse que sairia mais tarde do trabalho hoje. O coitadinho estava preocupado com possíveis cobranças adicionais no plano de saúde e estava fazendo horas extras para se garantir no próximo mês. E algo me dizia que esse só era mais uma das suas mentiras.

Esse não é o horário para pequenas como você ir para cama, signorina – Giorgia atendeu a minha ligação com um toque de humor na voz, mas que no fundo era uma verdade. – Onze horas já, muito tarde.

– Eu assisti novela com a minha mãe e acabamos perdendo o horário… também não é como se eu fosse trabalhar amanhã.

Mas você tem sua consulta e terá que levantar cedo.

– Consulta?

Sì, tesoro. Eu disse que te levaria a um médico já que se sente dodói. Nós queremos que fique bem, não é mesmo?

– É…

Muito bem. Esteja pronta às 09h e não coma nada depois da meia-noite.

Eu não sei porque, mas falar em comida agora me fez lembrar do leite da Giorgia.

Era tão errado ter gostado tanto disso, mas era tão gostoso e docinho… agora mesmo seria perfeito antes de dormir.

– Eu posso te perguntar algo? – Mudei completamente o assunto e também o meu tom. Sinceramente eu não estava totalmente confortável em pedir algo a Giorgia, mas eu não teria paz se não soubesse a verdade.

Dimmi, amore mio. Cosa vuoi sapere? (diga-me, meu amor. O que você quer saber?).

– Como você descobriu o que meu pai estava fazendo aquele dia?

Por que está me perguntando isso, bimba?

– Eu quero saber o que mais ele anda escondendo. Ele não está em casa agora e eu tenho minhas dúvidas se está realmente trabalhando como diz.

E você quer descobrir isso sozinha?

– Sim.

Você não vai. Eu não te dou autorização para fazer. Você é só uma bebê, não deve sair por aí se aventurando sozinha. Se quer saber do seu pai, deixe que eu faça isso.

– Eu não quero te dar mais trabalho.

Bebê, você irá me dar muito mais trabalho se decidir bancar a detetive. Eu prefiro que peça qualquer coisa a mim… todas as coisas, até a menor que seja. Eu farei qualquer coisa por você… contanto que seja a minha boa menina e me obedeça. A começar por não ir atrás de respostas sobre o seu pai.

O tom firme de Giorgia me causa frio na espinha. Ela é um amorzinho, um doce e fofa, mas seu tom sério é assustador e dá medo.

– Okay… eu não vou.

Muito bem. Eu não quero que se coloque em risco à toa. E nessas coisas sempre há um risco. Já pensou se o seu pai te vê? Ele pode não gostar. Você não sabe qual seria a reação dele.

– Meu pai não faria nada comigo.

Eu não confio em quem mente para a família.

Ela tinha um ponto. Um excelente argumento que me fez calar.

Bebê, você precisa dormir. Esse não é um assunto para uma pequena como você perder o sono.

– Mas eu não estou com sono.

Deita confortável na sua cama e fecha os olhos. Eu vou te fazer dormir.

– Você vai? – Perguntei curiosa. – Como?

Eu vou ler para você. Que tipos de historinhas de dormir você gosta?

Eu ri. – Está falando sério?

Estou. Responda.

– Eu não sei, eu nunca ouvi historinhas para dormir.

– Okay… eu vou ler algo genérico então.

Sinceramente eu não esperava que isso fosse fazer algum efeito. Historinha de dormir? Quantos anos a Giorgia pensa que eu tenho para isso funcionar?

Seja lá qual for a resposta, eu percebi que, a história em si não fazia diferença alguma. Ela poderia estar me narrando seu dia de trabalho e o resultado seria o mesmo; sua voz me fazendo relaxar aos poucos.

Não me pergunte exatamente em que momento eu dormi, eu só sei que quando acordei era outro dia e não estávamos mais em ligação. E antes que eu pudesse raciocinar sobre qualquer coisa, senti um incomodo desagradável, minha cama úmida e fria.

– Merda! Não!

Saltei da cama quase caindo no chão e para o meu pavor e desespero a mancha amarelada estava evidente, impossível negar.

– Laura? – Minha mãe bateu na porta, entrando lentamente. – Que barulho foi esse? Está tudo bem?

Antes que eu pudesse reagir, minha mãe estava dentro do quarto e viu tudo. Seu olhar foi de surpresa, acho que nem ela esperava que eu fizesse algo do tipo, mas eu fiz.

– Eu posso explicar! – Eu disse.

– Eu não acho que tenha muita explicação por aqui, minha filha. É difícil acontecer, mas também não é impossível. Basta um sonho errado e de repente…

– Mas eu não sou assim, mãe! Eu não faço xixi na cama.

– Mas você fez hoje e agora precisamos tirar essa roupa de cama para lavar antes que molhe seu colchão todo.

Por incrível que pareça, um acidente na minha própria casa conseguiu ser ainda mais vergonhoso. Minha mãe não falou nada a respeito, mas era como se tivesse um elefante branco na sala e todos fingiam não ver.

Mais patético que isso foi chorar no banho em uma mistura de vergonha e medo. Eu nunca fui assim, por que isso agora?!

Assim que saí do banho fui ver o meu celular e tinham algumas mensagens de Giorgia. A maioria nada mais eram que perguntas básicas como eu dormi, se estava bem e lembrando do horário que iria me buscar. De todas as mensagens, somente uma foi preocupante:

“Vista o vestido florido que compramos no seu aniversário. Ficará lindo em você.”

Como eu vou explicar para a Giorgia que as roupas que ela me deu, eu deixei na casa da Natália com medo da minha mãe implicar por não ter nada para o Guto? Nem se a Nat enviasse para cá chegaria a tempo de sairmos.

Será que ela vai implicar? Mas eu nem estou afim de usar vestido também… ela quem quis me dar, não é como se eu usasse normalmente.

– Arrumada logo cedo… mal voltou para casa e já pensa em sair. – Meu pai perguntou em um tom jocoso, porém com um toque de amargura e descontentamento. – Não vai nem tomar o seu café da manhã?

– Eu tenho exame de sangue agora pouco, não posso comer ainda.

– Exame? – Minha mãe perguntou surpresa.

– Eu… marquei uma consulta para mim… acho que estou com infecção urinária.

– Por conta do acidente de hoje?

Senti meu rosto corar com a pergunta da minha mãe. – Também, mas não só isso. Eu só… me sinto estranha e prefiro passar por um médico.

– Não acha que está exagerando um pouco, Laura? Tenho certeza que não há nada de errado com você.

– Se é exagero eu não sei, mas eu já marquei…

– Bem, seu irmão hoje tem dois cuidadores. Se você quiser, eu posso te acompanhar.

– Não precisa, eu vou de carona.

– Posso saber com quem? – Meu pai perguntou desconfiado.

Minha mãe e eu nos entreolhamos rapidamente. Em uma fração de segundos tivemos sum comunicação via Bluetooth.

– A Gigi vai te levar? – Ela perguntou casualmente.

– Quem é Gigi? – Meu pai questionou.

– Ah, é mais uma dessas colegas de trabalho da Laura, da turminha com a Nat.

Do jeito que a minha mãe descreveu nem parecia que estávamos falando da dona, mas enfim. Era melhor sair desse jeito que meu pai desconfiar de qualquer outra coisa. Uma colega como a Nat era bem menos suspeita.

E por falar na tal Gigi, recebi sua mensagem dizendo que estava próxima e aproveitei a deixa para fugir da conversa.

– Ela já está chegando, eu vou indo.

– Vê se não chega tarde. Só porque sua mãe tem mais ajuda não significa que não tem obrigações, – seu Guilherme disse em um tom sério e um olhar quase ameaçador.

– Está tudo bem, Laura. Não se preocupe. Hoje o Guto irá começar uma nova terapia, você não tem que se preocupar. Mande notícias sobre a sua consulta.

– Pode deixar…

Confesso que até eu fiquei surpresa – e impactada, – pelo comportamento da minha mãe. Meus pais não são de se desafiarem ou ir contra a palavra um do outro. O que está acontecendo por aqui?

Assim que sai do portão vi o carro de Giorgia entrando na minha rua. Eu me adiantei para entrar sem dar tempo de ela ou seu motorista saírem do carro. Não queria ficar nem um segundo a mais que o necessário parada em frente a minha casa.

– Você não está usando o vestido.

Foi o primeiro comentário de Giorgia assim que entrei no carro. Não teve um “bom dia”, “oi” ou sei lá, ela foi direto ao ponto e sem rodeios.

– Eu… achei que fosse ficar com frio.

Essa era uma mentira com tons de verdade. Eu realmente estava com um pouco de frio e o clima meio chuvoso não ajudava.

Giorgia tocou o meu rosto, aferindo a minha temperatura. – Tem certeza que não está com febre? Não está frio.

– Eu sou friorenta, – sorri, tremendo um pouco e não era frio e sim nervosismo.

O olhar intenso do par de olhos verdes em cima de mim era um tanto intimidador. Giorgia ainda tinha uma mania de observar demais e fazer pausas longas antes de falar. Pausas essas capaz de deixar qualquer um ansioso.

– A próxima vez prefiro que me comunique antes de decidir algo sozinha. Essa é a minha função para fazer. Você só obedece.

Se fosse qualquer outra pessoa me falando isso eu ficaria puta, mas como era a Giorgia, eu só conseguia pensar em como ela era sexy. Me pergunto se as ondas dos seu cabelo são naturais ou se ela faz no babyliss. Se bem que ela não parece ser do tipo que fica cacheando as madeixas.

– O que está pensando, signorina? – Giorgia perguntou com certo humor na voz e um olhar curioso.

– Nada, – sorri. – Eu senti a sua falta…

Não me pergunte. Eu também fui pega de surpresa com a minha própria fala e quis me jogar da janela do carro em movimento de vergonha. A Giorgia vai achar que eu sou uma pentelha grudenta. Parabéns, Laura! Parabéns.

– Eu também senti muito a sua falta, bebê. Vem cá, – ela disse me convidando para o seu colo. – Deveria ser um crime deixar um neném ficar tão longe da sua mamma.

Aquela sensação estranha voltou com tudo. Era como se estivesse com um nó na garganta, um choro prendido e uma vontade absurda de me libertar, mas ao mesmo tempo nada disso fazia sentido.

E o medo… um medo surreal e irracional que me faz querer grudar na Giorgia como se ela fosse capaz de tirar isso.

Eu não queria pensar nisso agora, mas foi inevitável. É que a vontade de me grudar vem acompanhado de um desejo muito errado. Já estou velha demais para querer essas coisas, mas eu não tenho culpa se o seu leite é muito bom.

– Você está com uma carinha de quem vai escorregar…, – ela acariciou o meu rosto e eu fiquei sem entender.

– Escorregar?

– Eu não posso te dar mamar agora, amore mio, – ela ignorou a minha pergunta, me deixando super constrangida. Como ela sabia o que eu queria? – Você precisa estar de jejum para os seus exames… senta direitinho. Mais tarde você pode ficar pequena.

Giorgia falava umas coisas que me deixava confusa. E não, não era problema com a língua. Apesar do sotaque italiano carregadíssimo, ela falava muito bem e corretamente. Sou eu que não entendo por não fazer ideia do que se trata.

– Você já bebeu água hoje? – Ela pegou a garrafinha de água que estava no porta-copos. – Você precisa estar hidratada para evitar que te furem várias vezes até encontrar uma veia.

Eu quase não tinha bebido água ainda, mas depois que a Gio me falou isso, eu bebi foi tudinho. Deus me livre levar várias agulhadas!

O resto da viagem seguimos em silêncio, mas um silêncio confortável. Giorgia em seu celular claramente trabalhando enquanto sua mão descansava sobre minha coxa de maneira bem possessiva. E eu intercalando entre a observar e observar a paisagem.

O que nós tínhamos ainda não tem um rótulo, mas apesar desse pequeno detalhe, quando ela está por perto sinto um quentinho no peito e espero que continue por um bom tempo aqui. Ainda não estou pronta para me desapagar, menos ainda para a ver partir.

Eu queria era que a minha primeira crush fosse a minha única… será pedir demais?

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1 Comentário

  • marianaantunesmoreira200

    Já quero mais 🥹
    A história está maravilhosa ❤️

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