« V A L K Y R I E »
A tensão pairou pelo o ar. Bom, pelo menos para os meus pais e eu.
Se um jantar com apenas os dois e a minha avó já seria complicado o suficiente, a presença de Juliette e seu noivo Maël tornou tudo ainda mais desagradável. Você deve pensar que aos trinta dois, eu deveria deixar os problemas do passado no passado. Pois bem, não é essa a verdade.
Os anos de terapia me ensinaram a lidar com toda essa situação e principalmente a reconhecer o que é verdadeiro ou não. Porém, não me fizeram desgostar menos de Juliette ou ao menos aceitar a sua presença entre nós. Se ela ao menos fosse filha da minha falecida tia iria entender o apego de minha avó com essa insuportável, mas ela não era. Juliette foi enteada da minha tia, filha do seu marido com a ex-esposa. E pelo o que a minha mãe diz, a tante(tia) Emma não era tão próxima assim de Juliette. A Hélène que surtou e a trouxe para perto.
E sinceramente? Desconfio bastante que os sentimentos sejam genuínos, mas enfim, isso não é problema meu.
– Val, mon cher, estou surpresa que tenha vindo sozinha – Hélène começou, me obrigando a participar da conversa durante o jantar pela primeira vez. – Achei que estivesse acompanhada nessa viagem. Não foi por isso que voltou ao Brasil?
– Mãe, a Chloé-Valkyrie chegou de viagem há poucas horas – minha mãe respondeu por mim. A coitada estava sofrendo para se adaptar a me chamar pelo primeiro nome. O que a Clarice não faz, não é mesmo.
– Ah, – a vovó expressou descontentamento por um momento e então seguiu naturalmente. – A Margot disse que você estava se relacionando sério outra vez. Estou contente que tenha superado essa sua fase. Já passou da idade de se aventurar, está na hora de casar e formar a sua família.
Bebi um gole do vinho para não ter que responder a provocação. O maior pavor da minha avó é que eu seja igualzinha a minha mãe e simplesmente anuncie estar grávida de alguém que ninguém nunca sequer ouviu falar. Pior ainda, grávida de alguém que ela não considere a “altura” de uma Touchon.
Bom, pelo menos agora posso garantir que o seu maior medo não irá se realizar; me relacionando com a Clarice o risco de surpreender a todos com uma gravidez é nulo. Agora, estar a minha “altura” … falta alguns bons centímetros para a minha baixinha.
– Então, filha, ouvi dizer que está acontecendo um evento com oficina de artes no Musée d’Orsay, – minha mãe mudou o assunto. – E tem uma exposição no final. Acho que devíamos ir.
Algo me dizia que a sugestão do evento não era diretamente para mim. Minha mãe provavelmente pensa que Clarice iria gostar de participar da oficina de artes, e sinceramente, eu também concordo. Acho que é um bom plano para inserir no nosso roteiro de viagem.
– É uma excelente ideia, – sorri.
– Já temos novidades na obra do Sheik, Valkyrie? – Minha avó perguntou mudando de assunto. Ela não gosta de ser deixada de fora na conversa, – É um resort?
– Não, é um hotel. E ainda não saiu do papel.
– Por que? Já se passaram tantos meses. Esse provavelmente será o negócio mais caro de todo seu escritório. Não deveria ser tão lenta.
– Para projetar algo a altura do que está sendo pago leva tempo, mamie. Minha intenção é tornar essa obra reconhecida e quem sabe um segundo Pritzker. O Sheik me permitiu levar o tempo que for necessário.
– É bom que saia algo extraordinário de todo esse tempo que está levando. Faz alguns anos desde o último hotel que projetou. Existem grandes players bastante interessados no que sairá dessa vez. O Jean-Luc está trabalhando para que consigamos bons negócios com esses investidores. Tudo irá depender do seu desempenho.
A minha avó saiu tem pouco tempo do hospital. Pensei que depois do susto iria se aposentar, mas pelo visto eu me enganei. É a segunda vez que ela nos engana assim. A primeira vez foi quando deixou a presidência da T&M e acreditamos que teríamos paz, mas a crença durou pouco… Ela saiu do cargo da presidência da T&M para assumir da TCH Groupe.
TCH Groupe é dona da T&M que tem 40% das ações da T&M Visionnaire no Brasil. Em outras palavras, ela virou presidente da minha presidente e passou a infernizar ao quadrado.
– Tenho certeza que a Valquíria irá superar a expectativa de todos eles, – meu pai comentou tentando melhorar o clima. – Ainda mais por estar trabalhando com a Margot nessa. As minhas garotas são as melhores! E é por isso que não precisamos falar de negócios a mesa, não é mesmo Heleninha?
Minha avó revirou os olhos com o apelido. Ela detesta que a chamem assim, exceto meu pai. Meu pai conquistou esse direito.
– Já que não podemos falar de assuntos de negócios, – Juliette se manifestou me fazendo lembrar da sua existência e respirar fundo para não vomitar sobre a minha Lagosta Thermidor. – Maël e eu temos um assunto familiar para revelar, – ela fez uma pausa dramática. – Vamos antecipar o nosso casamento. Para o próximo mês.
Meus pais e eu nos entreolhamos sem reação. A única interessada nesse casório era a minha avó. Sinceramente nem me lembrava quando estava marcado. Não tinha intenções alguma de participar.
– Algum motivo para essa mudança repentina? – Hélène perguntou. – Planejar um casamento com tão pouco tempo não é uma tarefa simples.
É, principalmente quando você se acha parte da família real da Inglaterra e quer um casamento como os deles.
– Maël e eu estamos esperando um bebê! – Ela disse empolgada, com o brilho teatral que sempre usava quando queria parecer encantadora e nunca entendi porque as pessoas caiam nessa, inclusive a minha avó. – Nós decidimos antecipar o casamento para casar antes da barriga crescer e poder focar a gestação no bebê ao invés de planejando uma festa.
– Mon trésor! Um bebê!
– Sim, mamie. Um bebê!
Sem se conter de emoção no lugar, minha avó levantou para abraçar Juliette. As lágrimas escapando os olhos. Todo aquele show.
– Mon cher, estou tão feliz por vocês. Você me deu o maior presente que poderia receber. Um futuro Touchon no forno, finalmente!
Para nascer um Touchon, a mãe ou pai deveria ser um Touchon, não?
– Que notícia maravilhosa! Estou tão orgulhosa de você, Julie! Por um momento pensei que iria partir desse mundo sem realizar meu sonho de ver uma neta minha casar e poder conhecer o meu bisneto e agora, graças a você, você minha Julie, irei poder viver esse sonho.
Num passado distante essa cena iria me incomodar, hoje em dia eu tenho coisa maior para me importar e preocupar. Eu não posso me resumir a uma mulher casada e mãe de algumas crianças para agradar a minha avó. Especialmente por saber o real motivo por trás desse “grande sonho”.
Hélène tem esperanças de criar um “perfeito Touchon”, seja lá o que isso significa, porque a filha dela – minha mãe – e a filha da filha dela – eu – não nos tornamos o que ela sempre quis e não somos parecidas com as sobrinhas ou as sobrinhas-netas dela.
Enquanto Juliette sonha em ter meu sobrenome, eu não quero ser resumida a ele e viver uma vida fútil cheia de aparências. Tive a sorte de ser filha do meu pai que me criou com amor sincero sem se importar com protocolos. E a minha mãe teve sorte de se casar com alguém que a apresentou a vida de verdade.
Suspeito que meus primos em sua maioria se casaram por interesse no que o outro poderia oferecer ou agregar e não por amor verdadeiro. Tenho prima que namorou escondido por anos o amor da sua vida para no fim se casar com o filho do empresário rico porque sua família jamais aceitaria um simples cozinheiro.
Curiosamente, minha mãe que casou com um “ninguém” a vista da maioria, se tornou a mais rica e tirou esse posto da Hélène há décadas. Eu não tenho intenções de um dia superar a minha mãe financeiramente, não é para isso que trabalho. Por essa razão saber que o CEO Jean-Luc está trabalhando em negócios baseado nos meus projetos me preocupam. Não estou disposta a dedicar ainda mais do meu tempo e energia ao trabalho para atender as expectativas de outrem e encher os bolsos de poucos.
Recebi uma mensagem de Clarice que me distraiu da comoção avó-e-neta. Só sobrevivi essa tortura até agora por estar a noite toda trocando mensagens com a minha bebê.
“Conheci a Léia(?). A comida dela é boa, só não é melhor que a sua. Ela trouxe bolo.”
Ela enviou junto com a foto do prato como se eu não soubesse o que lhe foi servido. Eu pedi a Léa que preparasse bœuf bourguignon para a minha bebê. Um delicioso ensopado feito de carne bovina cozido lentamente no vinho tinto, juntamente com legumes. Meu prato favorito para clima frio, perfeito para comer com um pedaço de baguete.
O bolo, porém, não estava no meu menu.
“Bolo, hein? Não me diga que subornou a Léa para conseguir um? Não vá comer tudo!”
“Sorriso e simpatia contam como suborno?”
“Não, mas corre o risco dela se apaixonar…”
“Coitada dela. Vai se apaixonar sozinha. Meu coração já tem dona! Aliás… a dona dele vai demorar aí ou o que? Estou desidratando de saudades”
“Eu não demoro, ma vie. Je t’aime”
O jantar havia acabado e eu só estava esperando a oportunidade perfeita para “sair à francesa” para evitar os questionamentos de Hélène sobre não me hospedar em sua casa. Como se eu fosse querer estar envolvida com família além do necessário obrigatório das festividades de fim de ano.
Estava em meu canto bebendo uma dose de whiskey no gelo esperando por Pierre para me buscar. Sim, os papos da minha avó me obrigam a apelar para doses mais altas de álcool para suportar ouvi-los mesmo que do outro cômodo. Só queria paz, mas aparentemente ninguém aqui sabe ler o ambiente. Depois falam que só as pessoas com autismo têm esse problema.
– Val! Achei você – Juliette disse levemente empolgada tornando quase impossível eu não revirar os olhos. – Como sempre, escapando da festa, – ela riu.
– Estou só aguardando o Pierre para ir embora.
– Mas já? Por que não fica um pouco mais?
– Estou cansada da viagem. E meu amor está me esperando.
Juliette sorriu ainda mais. – Ah, que bom que ele veio! Eu quero muito os dois no jantar de noivado na próxima semana. Você é o mais próximo que tenho de irmã e faço questão que esteja comigo nesse momento. Você será a minha madrinha!
– Pardon?! – Talvez o álcool me impediu de filtrar a surpresa negativa que essa afirmação me causou. – Eu? Sua madrinha? Quando foi que concordei com isso?
– O Maël conversou com o Henri e ele aceitou pelos dois.
– Henri? O Pedro Henrique?! – Perguntei incrédula e Juliette confirmou confusa. – Mas nem fodendo que eu vou ser madrinha de um casamento com o meu ex! Não sei o que te fez pensar que seria de bom tom essa ideia. Eu nunca concordaria com uma palhaçada dessa.
– Como assim? Vocês reataram, não?
– Não! De onde tirou essa informação?
– Bem, a Margot disse que a mamie que você estava em um relacionamento sério. Ela entendeu que havia voltado com o Henri. Ele inclusive confirmou com o Maël e disse que estavam se reconectando…
– Ele só pode estar reconectando com a própria imaginação, comigo que não é e nunca será. Nós não temos nada!
– Mas… – apesar de não gostar da Juliette e tudo mais, ela parecia genuinamente confusa. – O Henri disse que viria ao jantar, que queria fazer as pazes com a família… ele até pediu permissão para te pedir em casamento durante o jantar.
Quase cuspi o whiskey na cara da Juliette. – Como é que é?! Me pedir em casamento no seu jantar de noivado? Isso só pode ser uma piada de mal gosto. Não sei que tipo de droga que o Pedro Henrique está usando para cogitar que isso poderia dar certo, mas não vai. Eu estou bem feliz com a minha–no meu relacionamento…
Lembrei no meio da frase que, exceto pelos meus pais, ninguém sabe que estou me relacionando com uma mulher e definitivamente não seria a Juliette a primeira a saber.
– Então… você não vai ser a madrinha?
– Não, – parei um momento. Por mais que a odeie, não poderia ser tão grosseira com uma grávida. Bom, pelo menos era algo que tenho certeza que Clarice diria para mim. – Eu volto para o Brasil antes do seu casamento e a minha agenda não me permite vir para a França assim repentinamente. E sinceramente, Juliette… sabendo que o Pedro Henrique estará presente, eu prefiro estar distante.
– Mas… a mamie vai ficar tão decepcionada.
– Ela já está. Sempre esteve. Uma decepção a mais não irá a surpreender.
– Bem, ela já estava se antecipando para planejar o seu casamento. Ela acha que se não enrolarem como da última vez não correrá o risco de desistir do noivado.
Acho que está na hora da dona Hélène se consultar com um psiquiatra. Como assim ela está planejando o meu casamento? Não é possível que isso seja normal. Será que ela ficou com sequelas e ninguém se deu conta disso?
– Não vamos correr esse risco porque antes é necessário ter um noivado e isso não irá acontecer.
– Pelo visto temos um grande mal entendido para resolver. Bom, pelo menos agora teremos mais uma oportunidade para toda a família conhecer seu novo parceiro enquanto estiver por aqui.
Sério que ela ainda espera que eu vá nesse jantar? Aí sinceramente, eu pensei que quem iria querer voltar para o Brasil primeiro seria a Clara, mas aparentemente será eu.
Felizmente Pierre chegou para me salvar dessa tortura.
Essa conversa já estava insana demais para assimilar, ou eu bebi demais. É, pode ser o álcool. Não existe outra explicação lógica para ouvir que o Pedro Henrique, o próprio, estava planejando me pedir em casamento. Tudo isso depois de receber uma notificação extrajudicial dos meus advogados para desocupar o meu imóvel e devolver meus bens. E ser demitido pela a minha mãe. Como alguém planeja pedir o outro em casamento depois de tudo isso, sabe? Estamos quase completando três anos do nosso término, já deu. Supera, vai viver. Arrumar outra mulher para pedir em casamento. Não eu.
Era tanta coisa para pensar e refletir que não vi o tempo passar. De repente estava entrando na minha rua e não havia me dado conta que estávamos chegando. Sequer avisei Clarice que estava chegando. Espero que ainda esteja acordada.
Ao entrar em meu apartamento logo ouvi o som da televisão e as risadas do meu amor. Em um passe de mágica todo stress que estava sentindo até então se esvaiu e as linhas de tensão em meu rosto se desfizeram dando espaço a um pequeno sorriso. Meu amor tem um poder para me trazer paz em uma fração de segundo que suspeito que seja a única capaz.
– Mon amour?
Clara que estava deitada no sofá levantou o tronco e sorriu ao me ver parada na porta da sala. – Você chegou!
– Oui, ma vie – me aproximei e me juntei a ela no sofá em um abraço quentinho e confortável. – Estava com saudades. Como foi a sua noite aqui?
– Hm, legal. Eu tirei um cochilo. Comi o jantar que estava delicioso e agora estou assistindo coisas aleatórias na TV.
Não era bem aleatório assim. Clarice dentro ou fora do pequeno espaço adora assistir ao desenho da família de cachorros, Bluey se não me engano. Agora mesmo ela assistia a versão francesa do desenho.
– E o jantar? Como foi?
– Péssimo e estressante. Em menos de duas horas aconteceram tantas coisas que eu nem sei por onde começar.
– Pode começar me dando um beijo. Estava com saudades.
Um beijo era exatamente o que eu precisava e não perdi tempo.
Sentir os lábios de Clarice nos meus e sua língua na minha me despertou o desejo de fazer outras coisas essa noite. Prometi a mim mesma que iria me controlar nessa viagem, mas todo esse stress só me dá vontade de usar a minha namorada para me descomprimir.
Levei a mão a nuca de Clara e segurei firma a forçando virar o rosto para o lado separando os nossos lábios. Trilhei o caminho até o seu pescoço lhe dando suaves beijos até seu pescoço onde deixei a minha marca mesmo sabendo que não deveria. Clarice gemou ao receber meu chupão e por um momento quase perco meu controle.
– O que você andou bebendo? – Clara perguntou. – Está com outro sabor além do vinho.
– Whiskey. E você andou comendo brigadeiro agora pouco, não foi? – lambi o pescoço de Clarice até próximo a sua orelha. – Espero que tenha sido com moderação ou irá dormir com o bumbum ardendo essa noite.
Mordi a sua orelha e por reflexo Clarice tentou se afastar do meu toque, mas eu não permiti entrelaçando meus dedos em seus cabelos e a segurando firme no lugar.
– Pensei que não estivesse cobrando suas punições ainda. Sabe, aquela história de poupar o seu bebê e amor da sua vida.
– Eu não vou te poupar para sempre, mon amour – comecei a desabotoar a camisa do pijama dela. – E você está aprontando como quem está bem o suficiente para arcar com as consequências das suas ações.
– Eu discordo.
– Quem dá a opinião aqui sou eu, ma vie. Você só aceita e obedece.
Os seios da minha Clarice ficaram rígidos apenas com o contato com a minha mão ainda fria pela temperatura da água quando as lavei ao chegar. Não resisti a tentação de morder de leve seu mamilo.
– Você é maldosa e mandona.
– Está tão preocupada com a possibilidade de levar uma punição, estou começando a desconfiar que talvez tenha reais motivos para tal. Você se comportou essa noite, mon amour?
Apertei o seio do meu amor enquanto chupava o outro. Clara arfou e levou a mão até meus cabelos.
– Estou esperando sua resposta, – suguei o seu seio causando um pequeno estalo. Clara mordeu os lábios inferior e fechou os olhos.
– Sim.
– Não me soou convincente, mon amour – apertei o seu mamilo entre os dedos. – Tem certeza que se comportou na minha ausência?
– Talvez, – admitiu. Sua voz quase falhou sendo interrompida pelo gemido. Seus seios são uma parte sensível, especialmente para dor.
– O que eu faço com você, hein ma vie?
Eu sei muitas coisas que poderia fazer com a Clarice para a ensinar um bom comportamento. Tenho muitos itens nesse apartamento que poderia usar. E apesar de adorar a ideia de poder amarrar a minha pequena e a deixar a minha mercê, nós fizemos uma viagem muito longa. Para tudo existe limites.
Beijei a barriga de Clarice descendo até sua virilha ao mesmo tempo que tratava de tirar seus shorts e calcinha. Seus olhos estavam fixos em mim antecipando o que viria. Minha excitação não me permitiu aproveitar e saborear o momento antes de ir direto ao ponto. Queria sentir o gosto da minha namorada em minha língua e queria agora.
Segurei atrás dos joelhos de Clara a mantendo aberta para mim e a lambi de trás para frente para em seu clítoris. Ela gemeu alto quando mordi de leve sua parte mais sensível e suguei. Conhecendo o meu amor, se continuasse assim mais um pouco a faria gozar rapidamente, mas não era essa a minha intenção… ainda.
Petites não gozam antes de fazerem a maman gozar.
– Por que?! – Clarice perguntou brava quando parei de chupá-la abruptamente. – Não, só mais um pouquinho. Eu estava quase lá.
– No chão. De joelhos.
– Mas…
– Agora.
Clarice me encarou em silêncio enquanto lutava sua batalha interna. Batalha essa que não durou mais que poucos segundos até ela ceder e obedecer a minha ordem.
– Très bien, ma bonne fille (muito bem, minha boa menina) – acariciei o rosto da minha pequena em recompensa pelo bom comportamento. – Quem é a boa menina submissa da maman?
A provocação foi proposital. Apesar de se submeter – quase – sempre, Clarice não gosta de admitir sua posição. Ao menos não verbalmente. É exatamente por isso que a forço dizer com todas as palavras.
– Estou esperando, Clarice.
– Eu, – ela disse entre os dentes.
– Você o que?
– Eu-sou-a-boa-menina-submissa-da-maman.
– Eu não ouvi direto.
– Eu sou a boa menina submissa da maman.
– Muito bem, – abri o cinto da minha calça e a empurrei até os tornozelos junto com a calcinha. – Agora seja uma boa menina e me sirva. Você sabe exatamente o que fazer.
Clarice não protestou o uso das palavras. Sem segundos pensamentos, ela apenas se inclinou para frente e começou a fazer bom uso de sua língua na minha boceta. Fechei os olhos e inclinei a cabeça para trás no sofá para me concentrar na sensação entre as minhas pernas e acariciei os cabelos do meu amor a incentivando continuar.
Poderia facilmente gozar apenas com a língua de Clarice em mim, mas se um dia ela descobrir o poder que seu oral tinha em mim, eu teria sérias dores de cabeça. Por essa razão evitava que chegasse lá somente com sua língua.
– Use os seus dedos, Clarice – mandei.
Antes de me envolver com o meu amor a primeira vez estava acostumada com coisas muito maiores e mais grossas que simples dedos e temia que essa diferença se tornasse um problema, no entanto, é justamente o toque delicado dos dedos de Clarice mesmo quando me fodia com força era o que me levava a loucura.
– Putain, mon amour! Plus fort!
Clarice obedeceu a minha ordem e passou a meter os dedos mais rápido e forte tocando no meu ponto mais sensível cada vez que entrava em mim. Enquanto o meu orgasmo se formava dentro de mim, senti algumas gotinhas vazarem do meu seio, mas não poderia me importar menos se iria arruinar minha roupa ou não.
Abri os olhos e a visão de Clarice entre minhas pernas foi o suficiente para me fazer perder o controle. Ela tem o rosto tão irresistivelmente lindo que tenho vontade de montá-lo dia e noite e fazer dele meu assento favorito. É quase loucura como essa garota me tira do eixo e desperta em mim os desejos mais selvagens. Não me surpreende que bastou colocar meus olhos nela a primeira vez para entender a minha real sexualidade.
O dia inteiro a minha mente vaga por suas curvas quase sempre escondidas pelas roupas largas e tudo no que posso – e quero – fazer com seu corpo delicioso. Se Clarice soubesse o quanto ela torna meus pensamentos ainda mais sórdidos e pervertidos…
– Você vai limpar até a última gota, ma vie.
– Com maior prazer, – ela sorriu com a sua boca toda lambuzada com meu próprio gozo. – Seu gozo só não é mais gostoso que o seu leite.
Revirei os olhos com a sua fala. Isso não é mais Clarice que ela própria.
Do jeito que meus seios ainda estavam vazando, ela logo teria que usar sua boca para lidar com eles também. Não antes dos meus planos.
– Senta no meu colo, – mandei.
Clara se afastou da minha boceta se apoiando em meus joelhos. Não satisfeita em limpar até a última gota do meu gozo, ela lambeu lentamente ao redor da própria boca com um sorriso sapeca no rosto. Ela se levantou devagar e se sentou de lado no meu colo como havia mandado. Não resisti ao seu olhar safado escondido por trás da sua máscara inocente e a puxei para um beijo faminto, como se pudesse roubar da sua boca o meu próprio gosto.
Desci minha mão sem pressa do seu rosto pelo seu corpo até entre suas pernas. Clarice estava ainda mais molhada do que como a deixei e bastou um toque para que ela arquear o quadril receptiva. Deslizei dois dedos para dentro, sentindo o seu calor ao redor deles. Ao mesmo tempo, subi minha outra mão até encontrar seu seio. O acariciei o apalpando firme e brincando com o seu mamilo enrijecido.
– Maman… – ela gemeu, perdida entre o prazer que eu a oferecia em dois lugares ao mesmo tempo. – Eu…
– Oui, mon amour. Eu sou todos ouvidos, – sussurrei contra seu ouvido e mordi sua orelha a fazendo arfar.
Sabia que Clarice estava perto do seu ápice ao sentir seus músculos pulsarem em torno dos meus dedos. Mantive o ritmo dentro dela, pressionando o ponto certo a cada investida enquanto apertava seu mamilo ciente da leve dor que estava lhe causando.
– Maman… eu… eu posso… posso gozar?
Parte de mim quis a torturar um pouco mais. Clarice estava deliciosamente irresistível essa noite…, mas o lado maman precisa sobressair o lado domme. Ela não está habituada a voos longos, a mudança de fuso horário e no fuso em que estávamos já havia passado do seu horário de dormir.
– Oui, mon amour, – respondi depois de um tempo considerável, – goza para a sua maman.
Pareceu que Clarice estava só esperando a minha autorização para se entregar. Sem pudor algum, ela gemeu mais alto, quase em um choro de prazer. Tremendo nos meus braços, ela desfez em meus dedos em um orgasmo longo e intenso. Ser responsável por lhe causar todo esse prazer me fazia sentir poderosa e aumentava meu desejo em tê-la mais vezes.
Clara encostou a cabeça em meu ombro relaxando o corpo inteiro. Fiquei ali, com ela mole em meu colo, eu a fazendo carinhos suaves e lhe dando beijos no pescoço sussurrando o quanto a amava contra o seu ouvido. Conheço muito bem o meu bebê para saber que se sentido relaxada assim acrescentado o cansaço da viagem, ela – com certeza – iria escorregar ao menos um pouco.
– Maman… – ela choramingou.
– Eu sei, meu amor. Não precisa ter medo, eu estou aqui para te pegar quando chegar lá em baixo – a apertei um pouco mais firme, suas costas contra o meu peito. – Je t’aime, mon bébé. Ta maman sera toujours là pour t’accueillir. (Eu te amo, meu bebê. Sua maman sempre estará aqui para te acolher).
Quando percebi que todo êxtase pós orgasmos havia passado, ajustei Clarice em meu colo para ficar deitada virada para mim. Ela se ajeitou na altura certa e não esperou por mim para desabotoar a minha camisa social e puxar meu sutiã para baixo. Não era bem assim que se usava esse sutiã, mas ao invés de tentar lhe dar uma lição de como abrir a parte da frente, apenas soltei a parte de trás e me livrei de todo ele. Não era como se eu fosse continuar usando depois de molhar a minha roupa toda.
Senti um alívio imediato no momento em que minha bebê começou a sugar meu leite. Embora não estivesse mais na rotina estrita de ordenhar há cada duas ou quatro horas, atender a demanda da minha pequena acompanhado do remédio para indução estava dando sinais errados ao meu corpo que parecia aumentar o volume do leite gradualmente. Talvez fosse o momento de parar com o remédio e deixar a natureza seguir seu rumo, mas o medo de dar muito ruim era maior. Prefiro esperar a minha consulta essa semana.
Para a minha surpresa, Clarice parou de mamar muito antes do que esperava e mudou de lado. Sabia que não era por ter acabado o leite, pois ainda me sentia pesada e cheia.
– O que foi, meu amor? Está desconfortável?
– Estou guardando para mais tarde, quando for mimir.
– Ah, entendi. Tem um pouco no congelador que eu tirei hoje mais cedo, meu amor.
– Não tem mais, – ela respondeu sem largar meu seio.
– Você tomou esse leite? – Ela afirmou com a cabeça. – Como você sabia dele?
– Senti no coração.
Eu deveria ter suspeitado o fato de Clarice não ter mencionado “leite” uma única vez sequer enquanto eu estava fora. Às vezes sinto que devo de fato me preocupar com essa sua obsessão e eu acabar me tornando só um par de seios para a minha namorada. Porém, em contrapartida, essa obsessão com o meu leite e os meus seios acaba mexendo com meu ego. Por fim, acabo no meio do muro sem tomar alguma atitude e deixar Clarice ter o que quer de mim e do meu corpo.
– Quero brigadeiro, – ela disse ao largar do meu seio.
– Já está tarde para você continuar comendo doces, meu amor. Amanhã você irá comer mais, agora não.
– Mas maman, só mais um pouquinho? A última colherzinha. Deixa vai? Por favor?
Clarice fez sua carinha de filhotinho de gato em sofrimento e eu desviei o olhar para não cair totalmente no encanto. Infelizmente não fui rápida o suficiente e acabei me derretendo um pouco.
– Uma colherzinha antes do banho, – ela se levantou do meu colo empolgada. – Eu vou pegar para você. Se deixar nas suas mãos é capaz de pegar meio quilo com uma colherzinha. E veste os seus shorts!
Clarice se vestiu e saiu correndo para a cozinha. Eu fui logo atrás depois de vestir novamente a minha calça.
Abri a geladeira para pegar o tal brigadeiro e o primeiro sinal de alerta foi o peso do pote quando o peguei. Estava muito leve para algo que deveria estar quase cheio. Destampei o pote e por algum motivo não estava nada surpresa com o que vi: certa pessoinha havia comido mais da metade do doce enquanto eu estava fora.
– Clarice, quem te deu permissão para comer todo o brigadeiro?
– Eu não comi todo o brigadeiro. Ainda tem, olha aí!
– Ainda tem? Ainda tem?! Clarice, você não deixou sequer uma colher aqui!
– Tem sim, tem o suficiente para a colherzinha que prometeu.
– Colherzinha que prometi? Você ainda acha que vou te dar brigadeiro depois de ter devorado quase tudo? Nem pensar! Sem mais doces para você.
– Você falou que ia me dar e não pode voltar atrás agora!
– Não só posso como vou.
– Não! – Clarice tentou tomar o pote da minha mão e eu fui mais rápida ao estender onde não conseguia alcançar. – Mim dá!
– Não, – respondi firme.
Clarice tentou novamente tomar o pote de mim. Usei meu outro braço para a afastar e impedir de pegar o pote mesmo pulando. O que eu não esperava era que a sua reação fosse me morder.
– CLARICE!
Deixei o pote sobre a pia para resgatar meu braço dos dentinhos afiados dessa petite peste. Ela achou que seria mais esperta que eu para roubar o brigadeiro, mas eu vi seus olhos azuis se virarem em direção a pia. Quando ela me soltou para seu pequeno furto, eu me antecipei e peguei o pote de volta ao mesmo tempo que Clarice.
– É meu! É meu! – Clara tentou puxar para si e eu puxei para mim. – Pala com isso, maman! Mim dá!
– Você não vai comer, Clarice!
Revoltada, Clarice deu um tapa na minha mão achando que isso me faria soltar. Esse foi o meu estopim. Deixar essa garota sem suas punições apenas deu ainda mais espaço ao seu lado petite peste para a dominar.
Em um movimento rápido segurei firme o pulso de Clarice, tomei o pote da sua mão para o deixar na pia, a virei de lado e dei três palmadas em seu bumbum. Foram poucas palmadas, mas palmadas bem dadas.
– Já está bom de doce, Clarice? Tem muito mais de onde esses saíram.
– Num quero, – ela respondeu manhosa fazendo bico e os olhos marejados.
– Ótimo. Então se comporte.
Fui guardar essa merda de volta na geladeira e me deparei com algo pior. Eu conhecia muito bem todas as louças da minha família e sabia exatamente o tamanho do bolo que costumavam servir no prato que estava na geladeira. O micro-pedaço deixado ali não era nem ¼ do tamanho original.
– Clarice, o que você comeu essa noite?
– Comida.
– Qual comida?
– Ensopado.
– Ah, é? E quais os legumes tinham no seu ensopado?
– Cenoura, batata…
Fechei os olhos e respirei fundo para manter a calma. Guardei o brigadeiro no lugar dentro da geladeira, fechei a porta lentamente e me virei para Clarice.
– Você está mentindo.
– Num tô.
– Clarice, não me obrigue trazer a Léa aqui quase onze horas da noite. Você comeu o jantar que te serviram ou só se empanturrou de doces?
– Comi, – ela respondeu de cabeça baixa.
– Clarice. Fale a verdade.
– Mas eu comi, maman… um pouquinho.
Respirei fundo mais uma vez. Raiva e punição não combinam e por essa razão precisava manter a minha calma no momento.
– O que você fez com a comida?
– Tá na geladeira.
Pelo menos isso… se essa garota tivesse jogado no lixo, o castigo seria muito pior.
– Vem cá, – a peguei pelo punho e arrastei até o canto da cozinha. – Você vai ficar aqui. Olhando para essa parede. Sem olhar para os lados. Sem dar um pio. Sem sair do lugar. A única coisa que irá fazer é refletir nos seus atos até eu dizer que pode sair.
– Mas e se eu quiser ir no banheiro?
– Você não vai querer. Eu não estou brincando com você, Clarice. Esse é o seu castigo por agora e não pense que irá acabar aqui. Eu estou te dando oportunidade para reconhecer o que fez de errado a ponto de decepcionar a sua maman antes levar suas merecidas palmadas.
Relutante, Clarice aceitou seu lugar no cantinho. Eu ainda a observei por três minutos para saber se seria rebelde o suficiente e me desafiar, mas ela se aquietou pelo visto.
– Eu vou te deixar sozinha aqui. Não pense que isso significa que pode sair do seu lugar ou olhar para os lados. Me obedeça ou terá que arcar com consequências muito piores, estamos entendidas? – Clarice não respondeu e logo entendi o porquê. – Você pode responder agora.
– Sim, maman – ela respondeu chorosa.
– Eu não demoro.
Eu não queria que a nossa primeira noite na França acabasse assim, mas Clarice precisava de limites e era a minha responsabilidade lhe mostrar quais eram. Estava na hora de colocar em dia sua lista de punições.
Era hora de me preparar…
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Au revoir!
