« C L A R I C E »
Nem todos milhares de cenários criados em minha mente foram capazes de prever o que realmente foi a nossa conversa.
Eu imaginei que Valquíria não fosse querer nada comigo hoje e pelos próximos dias por estar furiosa comigo, então, quando ela me chamou para o vamos ver eu fiquei sem reação e sem saber se era real ou uma pegadinha de mal gosto. Será que essa era forma codificada para dizer que vou apanhar? Uma “punição” merecida, mas não estava em condições emocionais para lidar com isso hoje.
Sem entender muito, eu me levantei e fui para o quarto atrás dela. Apesar de não saber o que de fato me aguardava, eu não seria louca de perder essa oportunidade. Uma semana até sem beijinho é complicado. Complicado demais.
Confesso que quando entrei no quarto estava me sentindo uma virgem perdida sem saber o que fazer. Como já disse várias vezes, eu não sei desempenhar esse papel. Também não gosto de me ver como uma submissa. Vejo o Otávio e como ele perto de sua domme e essa não sou eu… e agora estava com medo de decepcionar a Val.
Esse pensamento me trouxe um gosto ruim na garganta. De todas as pessoas no mundo, a última que gostaria de decepcionar é a Val. Decepcionar ainda mais na verdade… porque os últimos dias eu tenho sido apenas decepção. E embora ela não tenha demonstrado isso em nossa conversa, era o que eu sentia.
E por falar em nossa conversa, eu estava surpresa. Não pelo desfecho em si, mas todo o decorrer. Não houve gritos, xingamentos, briga calorosa ou qualquer outra coisa que eu esperava que fosse acontecer. Foi literalmente uma conversa entre duas pessoas civilizadas e isso estava sendo difícil de processar. Sinto que no fundo ainda estava esperando por alguma forma de agressão ou reação raivosa. Ela não poderia querer resolver tudo assim… poderia?
– O que está fazendo aí? – Val perguntou atraindo a minha atenção. – Ma vie, vai lavar sua mão e me espera na cama, eu já volto.
Fiz como ela pediu e me dei conta de um detalhe; como ela espera que eu vá ter um bom desempenho se minha principal mão estava fora de jogo? Precisarei de outros recursos para compensar.
Val demorou alguns minutos para voltar e essa demora estava me preocupando. O que essa mulher está aprontando? Será que vai aparecer aqui com uma lingerie super sexy que comprou na viagem ou uma fantasia? Gosto da ideia, hehe.
Minha namorada entrou no quarto com as exatas mesmas roupas que saiu, mas antes que eu pudesse fazer alguma piadinha ou questionar sua demora, ela jogou algo em meu colo e minha reação foi tentar pegar.
– Tira a roupa e coloque isso.
Quando me dei conta do que era o “isso” em questão meu queixo caiu. Se eu tinha alguma preocupação pelo o que estávamos prestes a fazer, essa preocupação sumiu e deixou de existir em um piscar de olhos.
Um dildo. A Val me mandou vestir um dildo!
Meu sonho se tornando realidade e eu nem precisei me ajoelhar e implorar por isso. Meu deus! Onde está minha bombinha de asma? Eu acho que vou precisar de ter uma por perto.
– Pensei que você seria um pouco mais rápida, mon amour. Precisa de ajuda?
Val se aproximou, deixou algo sobre a mesinha de canto e veio me ajudar com as tiras. Não era difícil, mas era chato. Porém, meu erro foi olhar para a mesinha e ver o que Val deixou ali… depois disso eu perdi o fio da meada.
Lubrificante… e algemas!
Quando me virei para Val outra vez, minha boca secou. Ela estava ajoelhada a minha frente, ajustando as tiras e foi impossível não imaginar o que não deveria. Não sei se teria graça ou se a Val faria, mas pensar eu pensei…
– Confortável? – Val se colocou de pé.
– É uma sensação diferente. Estranha.
– Quer tirar?
– Não! – Respondi rápido demais e quando me dei conta senti minha bochecha queimar de vergonha. – Não, – respondi mais “calma”.
Val sorriu e balançou a cabeça. – Você é um caso perdido, Clarice.
– Um caso perdidamente apaixonado por você.
Engoli o seco ao ver Val despejar um pouco do lubrificante na ponta do dildo e espalhar por toda extensão fazendo um movimento de cima para baixo com a mão. Distraída com a visão, não percebi quando ela apoiou o joelho sobre a cama quase colando seu corpo no meu.
– Sabe, Clarice, a verdade era que eu deveria te dar um castigo por ter sido uma menina muito rebelde na minha ausência, – ela disse com o rosto a centímetros do meu. Desviei o olhar para os seus lábios e foi necessário um autocontrole surreal para me conter. – Você merecia uma punição por ter ousado ir para a cama de outra mulher e só por isso eu deveria deixar essa bunda dolorida e vermelha por dias para se lembrar que pertence somente a mim.
Queria acreditar que não se passava de um blefe, mas Valquíria estava falando muito sério. Pensar que o nosso “acordo” dava o direito de ela me punir muito além do pequeno espaço me causava um mix de emoções. Eu não concordo totalmente, mas também não discordo. Eu só… é realmente saudável dar esse tanto de poder sobre você na mão de outra pessoa?
– Não vai se repetir, – disse determinada.
Ao menos isso não havia nenhum traço de dúvidas em mim. Apenas a ideia de perder a Val me causava um nó no estômago e uma profunda dor. Ela é o grande e único amor da minha vida.
– Très bien, mon amour. Dessa vez você teve sorte…, mas não pense que irá se repetir se ousar tentar outra vez.
– Me desculpe.
– Eu já te perdoei, ma vie – ela acariciou o meu rosto rapidamente. – E não vou te punir. Por ter sido sincera e honesta sobre os sentimentos, principalmente a respeito dos seus receios sobre se submeter a mim, e pelo belíssimo quadro que fez, eu decidi que ao invés de um castigo severo, você merece uma recompensa.
– Uma recompensa? – A olhei surpresa e ao mesmo tempo curiosa.
– Oui, mon amour…
Val pegou a algema que estava sobre a mesinha e exibiu na ponta do dedo.
– Você vai me algemar?
A ideia de usar uma algema era sexy e tudo mais, mas não conseguia ver isso como uma recompensa e sim uma tortura. Eu passei uma semana sem ter a chance de tocar a minha namorada, seria uma tortura a ter tão perto – e tão gostosa – sem poder fazer nada a respeito.
– Non. Você vai me algemar… não era o que você queria? Me comer de quatro com o dildo… a algema é um plus.
Eu fiquei sem reação.
Eu sei que fui eu quem sugeriu isso mais cedo, mas nunca em meus sonhos mais felizes imaginaria que isso fosse me acontecer tão… fácil e rápido. Isso só pode ser uma pegadinha. Ou no fim desse capítulo tudo não terá passado da minha imaginação, um delírio febril.
– Isso é sério mesmo? – Peguei as algemas com receio. – Você não está armando uma para mim, não está?
– Seríssimo, mon amour. Sua preocupação em se submeter a mim era que eu a fizesse uma passiva. Quero que entenda que sou a sua maman e mulher, e na cama posso ser muitas outras coisas também… se assim merecer, – ela estendeu as duas mãos para mim, – aproveite… eu não vou te deixar me algemar outra vez tão cedo.
Se eu soubesse que o segredo para ter a Val de quatro era falar abertamente sobre os meus sentimentos e pintar um quadro, eu certamente teria feito antes. De agora em diante, eu serei a pessoa mais sincera e honesta que esse mundo já viu. Sem segredos, sem filtros, tudo pelo amor…
– Se eu fosse você, eu tiraria a minha roupa primeiro – Val comentou antes que eu fechasse a segunda algema. – A não ser que não queira me ver completamente nua, nesse caso pode continuar.
Parei por um instante e realmente, Val tinha razão.
Roupas primeiro, algemas depois.
– Mon amour, – Val começou assim que tirei sua camisa. – Deixe que eu cuide disso.
Entendi o que quis dizer quando levou as duas mãos para trás e soltou o sutiã preto. Não que eu conheça todas as lingeries da Val – provavelmente quase todas pelo menos – mas eu sabia dizer que essa era nova. E maior.
Se antes os seios da Val já eram incríveis, depois de toda essa história de indução, eles estavam ainda melhores e suculentos. Seu tamanho estava um pouco maior, a aureola deu um leve escurecida e as veias se tornaram mais aparentes, os mamilos ficaram mais pontudos e convidativos. Era impossível olhar e não ter vontade de abocanhar.
– Clarice… você não está regredindo, está?
– Definitivamente não.
Val me observou por um instante levou a mão para a minha nuca e se aproximou do meu rosto. – Esse não é momento para pequenos. Se sentir qualquer escorregada, a menor que for, paramos tudo. D’accord?
– Sim, senhora.
– Boa menina, – ela sorriu. – Vamos continuar.
– A começar pela sua parte de baixo. Estou te esperando tirar.
Esperei uma patada ou reclamação, afinal, Val não gosta de receber ordem de nenhum teor, mas eu a vi inspirar e engolir a seco sua resposta. Ela está se esforçando.
– Comme tu veux, mon amour (como quiser, meu amor).
Val abriu o zíper dos seus shorts sem pressa. Meu coração na expectativa do que me aguardava batia tão forte que seria capaz que ela pudesse ouvir. Era sempre assim; como se fosse a primeira vez, toda as vezes em que tirava a roupa perto de mim, sentia meu corpo em chamas.
Ela se virou de costas e tirou a peça de roupa lentamente empinando o bumbum para mim. Cada movimento de Val era calculado, por malícia e porque ela sabia – sempre soube – que eu a observava como se o mundo ao redor tivesse desaparecido. E, naquele momento, ele realmente havia sumido.
Incapaz de me conter – e antes que Val implicasse com as peças de roupas no chão, – a peguei pelo punho e a fiz virar trazendo seu corpo para perto do meu.
– Me beija, – ela disse, sua voz saiu quase como um sussurro cheio de desejo e paixão.
Eu fingi não perceber que Valquíria estava me dando uma ordem. Para quem disse que seria o que eu quisesse na cama, ela realmente tinha dificuldades de guardar suas ordens para si. Talvez se eu a amordaçar e a manter bem caladinha…, mas eu não iria abusar da minha sorte e bondade da minha mulher.
A obedeci mesmo assim. Eu também estava morrendo de saudades de lhe beijar a boca. Era o nosso primeiro beijo de verdade desde que Val voltou para mim e o efeito que o toque nos seus lábios nos meus causou em meu corpo, era bem capaz que eu chegasse em meu ápice ali mesmo. Mais um pouco e eu estaria totalmente rendida aos seus pés… e foi por isso que – a contragosto – eu interrompi.
Eu queria mais dela…eu precisava de mais…
– Levanta. Mãos para trás.
Foi a minha vez de mandar e sinceramente? A sensação de dar ordens na Valkyrie Touchon é algo indescritível. Único. Deus me abençoe que momentos como esse se repitam no futuro.
– Você está adorando isso, não é mesmo? – Ela perguntou me observando ir para atrás dela.
– Você nem imagina o quanto.
Fechei a outra algema prendendo as mãos de Val para trás.
Tirei um momento para apreciar a minha mulher. Eu achava impossível existir uma mulher sem defeitos até conhecer a Valquíria. Cada detalhe seu me fascinava, seu corpo era uma obra de arte esculpida com perfeição.
Assim, com as mãos algemadas para trás e usando apenas uma – minúscula – calcinha preta, Val era personificação da tentação e queria eu poder tirar uma foto para registrar essa cena eternamente. Com certeza, essa será a inspiração do meu próximo desenho.
– Você não vai fazer nada? – Val quebrou o silêncio, me olhando por cima do ombro.
– Eu estava te admirando. Sabe, eu gostaria de tirar uma foto para usar de referência para o meu próximo quadro.
– Para que uma foto se pode ter a modelo ao vivo em cores?
– Você posaria para mim?
– Se me quiser posando nua tudo que precisa fazer é pedir, ma vie.
A resposta deu luz a minha imaginação fértil. Em uma fração de segundo imaginei inúmeras as possibilidades e todas elas me agradavam. E muito…
Às vezes me esqueço que a minha namorada tem zero pudor e sinto que não me aproveito o suficiente disso.
– Fique à vontade para admirar além do olhar, mon amour – Val me trouxe de volta dos meus devaneios. – Você pode me tocar se quiser.
Desconfiei do convite, mas fui incapaz de recusar.
Me aproximei devagar, deixando meus dedos deslizarem pela sua pele exposta. Um arrepio sutil percorreu seu corpo, e um pequeno sorriso se formou nos meus lábios ao perceber o efeito do meu toque nela. Com delicadeza, beijei o seu ombro nu e sem resistir ao impulso, deslizei meus braços ao redor da sua cintura, puxando-a para mais perto de mim.
Em momentos como esse eu gostaria de ser mais alta para poder ver o que acontecia do outro lado, mas agora me limitava a sentir seus seios em minhas mãos. Val conseguiu melhorar o que já era perfeito. Se antes eu já era fascinada pelos seus seios, agora eu sentia que eles se tornaram imãs para as minhas mãos.
Val suspirou no momento que belisquei as pontas dos seus mamilos suavemente. Ela estava ainda mais sensível nessa região e certamente iria me aproveitar disso… em outra ocasião. Lentamente, deslizei meus dedos pelos músculos da sua barriga memorizando cada detalhe no toque. Sem escrúpulos e cerimonias, invadi a sua calcinha e encontrei uma agradável surpresa.
Valquíria estava completamente enxarcada.
– Para quem se gaba por ser uma domme, você está muito molhada por estar algemada.
– Já se olhou no espelho, ma vie? E difícil não ficar molhada quando tem você como namorada.
Deslizei os dedos entre os lábios de Val, no momento em que toquei seu clitóris ela se inclinou levemente e por consequência empinando o bumbum para mim. Nesse momento, eu poderia facilmente colocar sua calcinha para o lado e a foder com o dildo como gostaria, mas depois de uma semana distante eu queria me aproveitar ao máximo.
Tirei a mão de dentro da sua calcinha e chupei meus dedos lentamente.
– Hmmm… estava morrendo de saudades de sentir seu gosto, – comentei enquanto me deliciava chupando meus dedos.
– Sers-toi, mon amour. Bon appétit.
– O que disse?
– Eu disse para se servir, fique à vontade.
Empurrei Val contra a cama a pegando de surpresa. Antes que ela pudesse protestar, me ajoelhei no chão puxando sua calcinha comigo. Não resisti a tentação que era ver seu bumbum e sexo expostos bem diante dos meus olhos e lhe dei um belo de um tapa. Tapa esse que provavelmente irá ter volta no futuro, mas no presente, eu não me importava. Com uma raba dessa, ela merecia esse tapa e muitos outros mais.
– Sua filha da…
Calei Valquíria com a minha língua em sua boceta. A lambi por inteiro, do clítoris ao anus e por ali fiquei. Confesso que tinha reais interesse em explorar essa parte do seu corpo, mas suspeitava que minha namorada não seria boazinha a esse ponto, ou seria… minha namorada era tudo, menos previsível. Vai ver ela esteja boazinha o suficiente, não custa nada lançar meus sinais ao universo.
– Nem pense nisso, mon amour – como quem era capaz de ler a minha mente, Val respondeu meus pensamentos. – Você não terá acesso aí.
– Por que não? Você disse que iria me recompensar.
– Terá que se esforçar mais para isso.
– Mas…
– Clarice.
Odiava admitir, mas a Valquíria realmente não precisava de muito para me colocar no “meu lugar”. Uma palavra e eu me calei…, porém não ficaria assim. Ela quer estar no controle? Ótimo, que fique. mas não pense que será fácil assim.
Faltavam três semanas até o fim do ano. Tempo o suficiente para testar a paciência da Val e mostrar a ela que se quiser uma “boa menina e submissa” também terá que se esforçar.
Conhecendo todos os seus pontos mais sensíveis, explorei a sua boceta com a língua. Os gemidos da minha namorada denunciavam que estava bem próxima do seu ápice. Determinada a conseguir o seu orgasmo mais intenso, suguei seu clítoris levemente e concentrei minha língua ali.
Quando percebi que Val estava prestes a gozar, eu me afastei e me coloquei de pé. Pelo o olhar que me deu por cima do ombro sabia que não gostou nenhum um pouquinho de ter seu orgasmo interrompido, mas essa era a minha – deliciosa – vingança pelo que fez comigo semana passada.
– Você é uma…
Val se calou no momento que comecei a esfregar o dildo bem em cima do seu clítoris a empurrando mais uma vez para perto do seu orgasmo.
– Eu sou o que? – A provoquei.
– Uma peque…
Encaixei o dildo na sua entrada e empurrei o quadril para frente a fazendo interromper sua resposta com um gemido. – Desculpa, eu não entendi. O que você disse?
Val me lançou um olhar por cima do ombro e por um momento tremi a base. – Não me faça arrepender da sua recompensa, Clarice. Você ainda pode ter a sua punição e castigo.
– Não seja maldosa, maman – me inclinei para frente para acariciar seus cabelos ao mesmo tempo que ia mais fundo dentro dela. – Você não vai querer assustar a sua bebê logo no primeiro dia, não é mesmo?
– Não se preocupe, a minha bebê tem tratamento especial. E você, se continuar agindo como uma pirralha malcriada, irá ser tratada como uma e te garanto que não irá gostar.
– Mas você vai gostar de como essa pirralha malcriada irá te fazer gozar, Valkyrie.
Val mordeu o lábio para conter o gemido quando movi meu quadril lentamente. Talvez o seu ego não fosse lhe permitir admitir isso, mas seu corpo entregava todos os sinais para confirmar o que eu já sabia.
Ela estava gostando.
Sinceramente, nem eu esperava que usar um dildo fosse tão satisfatório. Visualmente falando e a pressão que a base fazia em meu sexo, era uma combinação bastante prazerosa e que me permitia conter meu gozo precoce. Eu poderia facilmente me ver usando esse brinquedo mais vezes.
Por um momento me empolguei e não percebi que Val estava falando algo.
– Que?
– Em cima da mesinha, – Val apontou com o dedo. – O controle.
Ao lado do lubrificante havia um controle tão pequeno que não havia percebido antes. Curiosa, peguei o objeto e não entendi sobre o que se tratava até apertar o botão de ligar e ser surpreendida ao sentir o dildo vibrar me pegando desprevenida.
Okay, retira do que eu disse sobre conter o gozo precoce.
– Devagar, putain – Val tocou na minha virilha com as pontas dos dedos me trazendo de volta para a realidade.
Confesso que me empolguei com a novidade e pelo visto Val não gostou muito. – Desculpa, eu me empolguei. Melhor assim?
– Oui… assim mesmo.
O ritmo do meu quadril seguia as pistas que ela dava com o corpo – uma rebolada aqui, um sussurro ali –, e eu não notava que cada movimento meu era coreografado por seus gemidos calculados, por seus olhos que nunca fechavam, me vigiando sobre os ombros.
– Mais forte, – ela disse, disfarçando em um gemido.
Fiz como pediu aumentando o ritmo, mas ela logo me olhou brava.
– Devagar, mon amour. Eu disse mais forte – voltei a mover o quadril mais devagar e ela gemeu, – continue assim. Desse jeito.
Algumas estocadas depois, comecei a sentir uma certa resistência à medida que Val se contraída em volta do dildo. Ela estava prestes a gozar. Eu também estava me sentindo muito perto, mas sentia que iria precisar de um pouco mais que isso para chegar lá.
Percebendo que Val estava quase lá, eu puxei seu cabelo e dei um tapa antes de segurar seu quadril para puxar contra mim. Sem mudar o ritmo, passei a estocar o mais forte que conseguia e a reação dela foi imediata.
– Clarice… eu vou…
– Goza para mim, meu amor.
– Meu amor?! Oh, mon dieu! Je vais…
Val gozou e novamente me tocou com as pontas dos dedos, entendi como um recado para não me mover mais. Depois de um momento, quando sua respiração já não estava tão ofegante, ela me olhou por cima do ombro outra vez.
– Você está bem? – Perguntei esfregando suas costas suavemente.
Eu não queria causar desconforto a minha namorada causando excesso de estímulos, por essa razão eu esperei por seus sinais. Apesar de ser quase uma ninfomaníaca, a Val ainda tinha autismo e parte do seu desejo por controle era justamente para ditar o tempo e o ritmo ao seu próprio.
– Tira isso de você.
Dessa vez ela deu a ordem, não foi um pedido.
Retirei o dildo e o joguei sobre a cama achando que havíamos acabado por ali, mas me surpreendi ao ver Val se mover na cama, deslizando até ficar de joelhos no chão e se virar em minha direção.
– Quero te fazer gozar na minha boca. Vem.
Entenda uma coisa; não era a primeira vez que recebia um oral da Valquíria, mas era definitivamente a primeira vez que a via de joelhos para isso. Valkyrie Touchon de joelhos para mim. Essa merece até um palavrão: puta que pariu.
Eu estava em uma situação lastimável por ter sido privada de gozar há uns dias e agora por ter chegado bem perto, mas não o suficiente. Sentir a língua quente e úmida contra o meu sexo causou muito mais sensações que deveria. E eu estava desesperada para gozar ao mesmo tempo que queria prolongar o momento de prazer.
Os olhos de Val estavam fixos em mim, assistindo de perto toda a confusão que estava causando dentro de mim. Juro que tentei me segurar e prolongar o quanto pude, mas fui fraca e quase não dei trabalho algum a minha namorada.
– Por favor, não para. Não para! – eu supliquei entre gemidos e agarrei os cabelos de Val com as mãos para a manter no mesmo lugar. – Oh, meu deus… eu vou… por favor, maman. Me deixa…
Meu orgasmo veio lento e avassalador, drenando toda energia que ainda existia em meu corpo. Minhas pernas estavam tão bambas que me manter te pé tornou um esforço quase surreal.
– Eu te amo, – disse ofegante, ainda segurando a cabeça de Val no lugar.
Valquíria limpou o meu gozo com a própria língua e depois sorriu triunfante. E sério, a ver assim; de joelhos, algemada e um sorriso desses nos lábios enquanto tem o queixo úmido com o meu gozo… eu quase tive outro orgasmo.
– Você é muito linda.
– Eu sei… agora solta as minhas mãos, antes que você caia no sono.
– Como você…
– Eu sou a sua maman, Clarice. Eu sei todas as suas caras, inclusive as de sono pós orgasmo.
Ela conhecia as minhas caras? Eu tenho caras? Eu nem sabia.
Removi as algemas de Val e ela não me deu um tapa logo em seguida, isso era um bom sinal, pois eu realmente estava temendo que essa fosse sua primeira reação ao final de tudo.
– Nem pense em deitar, vá direto para o banheiro fazer xixi.
Se eu queria seu lado mandão para cima de mim? Nem um pouquinho, mas no modo economia de energia, eu não tinha disposição nem para contestar. E também não queria uma infecção urinária, então apenas obedeci e depois a esperei na cama. Depois de uma semana longe dela, eu me recusava até cochilar sem estar grudada em seu corpinho.
Val se deitou ao meu lado quando voltou e eu logo a abracei. – Te amo.
– Eu também te amo, bebê. Você quer mamar um pouco antes de dormir?
– Eu posso? Não vai atrapalhar o processo lá?
– Não, ma vie. Não atrapalha em nada, – Val se virou de lado, ficando de frente para mim. – Eu estava com saudades de te dar tetê. Saudades de ter você por perto, em meus braços e me chamando a cada dez segundos.
Sorri sonolenta. – Você diz isso agora, amanhã a saudade passa.
– Das suas aventuras e caos? Provavelmente, mas se é o preço que eu pago para ter meu neném por perto, eu faço o sacrifício. Agora mama, você está morrendo de sono e quando está assim só fala asneiras.
Isso era verdade. Me ouvir durante meu sono era prova de amor e resistência…
Abocanhei o seio que Val me ofereceu e de imediato senti meu corpo relaxar. Fechei os olhos concentrando no toque suave dos seus dedos acariciando meu rosto e o cafuné em meus cabelos.
E assim eu peguei o expresso direto para o sono.
« V A L K Y R I E »
A soneca da Clara significava algumas horas de paz e tranquilidade para mim. Seria o momento perfeito para resolver algumas pendências, checar meus e-mails ou só jogar Sodoku para relaxar. E era o que eu teria feito se não fosse a saudade que ainda sentia dentro de mim e que me impedia de sair de perto dessa garota.
Eu ainda não estava acreditando que levou seis meses juntas para Clarice finalmente me chamar de outra coisa que não seja “maman” ou meu próprio nome e foi para mandar gozar para ela. Sério, eu não sei mais o que eu faço com essa garota. A forma que fala comigo e com seus amigos é a mesma, ela nunca usou um apelido carinhos e quando finalmente me chama de “meu bem” ou “meu amor” ambos foram durante o sexo. Clarice é inimiga do romantismo e eu posso provar.
Sabia do amor de Clara por mim, seu lado pequeno era incapaz de esconder isso. Em compensação, sua versão adulta era ainda pior que eu. Não existe diferença da forma em que ela fala comigo ou com seus amigos. E eu me pergunto se isso era a sua personalidade ou era reflexo dos seus traumas que não a permite se entregar de cabeça. Se bobear ela é capaz de chamar o Chloée de “meu amor” e não a mim.
Eu não quero estar atrás de um cachorro… mesmo o cachorro em questão sendo a coisinha mais linda e fofa desse mundo.
Estava distraída, imersa aos meus devaneios quando senti uma pontada muito forte no meu seio. Olhei para baixo e era Clarice me sugando com força
– Putain! Clarice! Me solta! – Se pensar muito, segurei o cabelo de Clarice firme para a afastar de mim. – Você enlouqueceu?! Isso dói e machuca!
Clara fez bico, ameaçando a chorar. – Mas é que… é que… saiu. Saiu, maman.
– O que está falando? – Percebendo que eu não corria riscos de ter o peito atacado por uma pequena, eu a soltei ainda mantendo a mão por perto por precaução. – O que saiu?
– Leitinho! Saiu leitinho!
Por mais que existam mulheres que consegue concluir a indução em poucos dias e todo o processo é muito rápido, eu não parecia ser uma dessas. As mudanças que a Gio teve em dois dias, por exemplo, eu precisei de quase cinco. Então eu estava sim desconfiada que de fato tenha saído algo de mim ou se não passava de delírios e sonhos de Clarice.
– Ma vie, o que você sentiu provavelmente não era leite.
– Era sim, maman! Era sim!
Determinada a provar o seu ponto, Clarice pegou o outro seio para o ordenhar com as mãos. Eu iria reclamar, no entanto, uma pontinha branca se formou no meu mamilo e aos poucos – muito lentamente – essa pontinha se tornou uma gota. A minha pequena tinha razão… eu estava começando a lactar!
– Viu só, maman. Eu falei! – Clara disse empolgada. – Num precisava gritar com o neném… você foi maldosa com eu!
– Desculpa, mon bébé. Você tinha razão…, mas ter razão não lhe dá direito de machucar a maman.
– Eu… desculpa eu, maman.
– Está tudo bem, – dei um beijo na testa de Clara. – Agora você tem uma gota de leite.
Clarice lambeu a gotinha que estava se formando e sorriu empolgada. – A gotinha mais gostosa do mundo! Quero mais! Quero mais! Quero mais!
– Mon bébé… você vai precisar ter um pouco mais de paciência. Ainda vai levar um tempo para a maman ter leite o suficiente para você.
– Mas eu quero agora… a maman não pode fazer mais?
– Pelo visto, a fábrica da maman só tem capacidade de uma gotinha por enquanto.
Clara suspirou frustrada, mas em poucos segundos voltou a sua empolgação. – Vamos induzir mais uma vez, maman!
– Ainda não está na hora…
– Está sim! Eu te ajudo!
O sono da pequena sumiu. Seu interesse agora era estimular meu seio para produzir o seu leite. E não adiantava protestar ou reclamar, Clarice se alojou do meu lado, tomou meu seio para si e começou a mamar sem me dar sequer chances de negar. Eu estava ferrada… muito ferrada!
A soneca que iriamos ter não aconteceu. Clarice mamou – sem sucesso em conseguir mais gotas -, e eu assisti novela em paz. Quando a sessão de indução não programada acabou, Clara foi dar uma volta com o Chloée pelo condomínio e eu tomar um banho. Precisava de relaxar um pouco e um tempo de descanso para os meus seios antes que eu acabe voltando para a França para fugir de uma pequena faminta.
Eu estava em êxtase, confesso. Ter as primeiras gotinhas era um excelente sinal e agora seria apenas questão de tempo até conseguir um volume satisfatório… e humanamente possível. Pelo visto, o apetite de Clara para leite me parece muito maior do que eu imaginava e isso me deixa levemente preocupada.
E se eu for daquele tipo de mulheres que não conseguem ter muito leite? Como eu vou lidar com essa mini draguinha? Será que ela irá aceitar e entender?
Antes que eu tivesse uma crise existencial na banheira, eu me levantei e saí do meu banho. Já tinha ficado tempo o suficiente por aqui e era hora de dar saber do paradeiro de dona Clarice e seu Chloée. Apesar da minha pequena ter mostrado ser bem capaz de cuidar do meliante, sempre tenho meu pé atrás. Não se pode confiar a impulsividade dessa garota. Ela é pequena, mas seu estrago é sempre grande.
Para a minha surpresa, quando desci as escadas, Clara e o Chloée estavam entrando pela porta. Ambos estavam limpos e sem ferimentos, isso era bom. Muito bom.
– Como foi o passeio?
– Rápido. O Chlô não gostou de correr na grama molhada e nem de andar na calçada molhada. Ele é tão fresco quanto você.
– É o que, garota?!
Clara me passou o cachorro. – Toma, vai pentear os cabelos dele. Eu vou tomar meu bainho. Penteia direitinho, tá bom? Eu não demoro, – ela disse antes de sair em direção do quarto
Fiquei até sem reação com tamanha ousadia da criatura. Onde já se viu isso?
– Clarice, não corra nas escadas! – Ela parou onde estava, me olhou, sorriu e passou a subir em passos normais. – Chloée, essa sua mãe está ficando impossível. Como isso é possível?! Só espero que você não cresça e fique igual.
Ele latiu e eu não sabia se isso era sua forma de concordar comigo ou o contrário. Sinceramente? Tenho medo até de saber!
Depois de pentear a mini bola de pelo da Clara e dar petiscos ao meliante, fui para o quarto na expectativa de encontrar minha pequena saindo do banho, pronta para eu lhe colocar sua fraldinha e roupas de dormir, mas a encontrei terminando de se vestir. Ela estava de fralda de vestir, par de meias felpudas e vestia a minha camisa de algodão que obviamente era maior que o seu tamanho.
– Você vai dormir assim? – Ela afirmou com a cabeça balançando efusiva. – Por que não me chamou ou não me esperou para te vestir?
Clara se virou para mim preocupada. Pelo seu olhar, ela sequer cogitou me chamar. Um absurdo.
– É que… num sei.
– Não sabe…, pois agora você sabe que a minha petite cuido eu, d’accord? Da próxima vez, você irá chamar a maman quando terminar o banho. Você nem me deixou conferir se tomou banho direito.
– Tomei sim, ó!
Puxei Clara para pertinho de mim. – Deixa a maman te dar um cheiro, – enfiei o rosto contra o pescoço dela a fazendo dar pequenas risadas com as cócegas que sentiu. – É, por aqui está tudo certo. Esse neném está cheiroso. Mas só por precaução, deixa eu sentir daqui do outro lado.
– Faz cosquinha, maman! – Ela disse entre risadas. – Para. Para.
Confesso que continuei um pouquinho mais para ouvir as gargalhadas de Clarice. É quase raro ouvi-las e queria apreciar um pouco mais.
Dizer que eu gostei de ver a minha pequena tão independente, seria mentira. Estou há dias sem a ter por perto, sem poder lhe cuidar, dar amor e carinho. E quando finalmente estou de volta, Clarice se resolve sozinha como gente grande sem precisar da sua maman por perto. Não gosto dessa sensação de ser desnecessária, minha pequena deveria me querer e querer a minha ajuda para essas coisas. Só espero que seja algo pontual porque se continuar assim eu vou ficar bem brava.
E quem poderia imaginar que tirar cochilos durante o dia iria afetar o sono da nanica durante a noite? Clarice que depois das 22h funciona no modo automático e se parar dois minutos dorme, agora estava cheia de energia e empolgada querendo assistir desenho e brincar com o cachorro.
Sem saber muito o que fazer, levei os dois – o cachorro e a Clara – para a sala onde havia espaço o suficiente para brincar dentro de casa e a mesa de jantar por perto para eu usar. Enquanto a Clara brincava com o “Chlô”, eu aproveitava para trabalhar em meu laptop e ainda conseguia manter olho neles… ou seja, 100% de aproveitamento.
Okay… não tanto aproveitamento assim, afinal, Clara decidiu assistir um desenho de uma família de cachorros com o volume nas alturas enquanto jogava bolinhas para o Chloée buscar. Caótico demais para me concentrar totalmente, mas os pequenos da casa pareciam se divertir.
Com o passar do tempo, o caos foi se reduzindo denunciando a chegada lenta – quase arrastando – do sono e eu finalmente consegui avançar nas demandas do trabalho ignorando o som da televisão. Vez ou outra Clarice dava risada do seu desenho e esse som me fazia sorrir para a tela do meu laptop como uma boba.
Apesar de caótico e muitas vezes barulhento, esse era o lar que escolhi para mim. Nos meus sonhos e planos para o futuro não incluía uma mulher, tampouco uma que tivesse seu lado pequeno, também não tinha um cachorro ou qualquer outro animal de estimação, mas aqui estávamos.
Completamente diferente do que esperava, mas muito melhor do imaginava. Essa era a vida que construía com o meu amor.
Já estava ficando tarde. Bem mais tarde que o horário usual de ir para cama e amanhã era um novo dia – entende-se: alguém acorda cedo para ir a faculdade. Ou seja, era hora de preparar para dormir em breve. Encerrei o trabalho que fazia e decidi preparar uma mamadeira para a Clara, afinal, fazia um tempo que não lhe dava uma e depois do leite a conta gotas de hoje, acho que uma mamadeira bem cheia lhe fará bem.
– Mon bébé? – Clara virou o rosto para mim e no mesmo instante meu sorriso em paz se desfez. – Chupando dedo, mocinha? O que a maman já falou sobre chupar dedo?
– Desculpa, – ela tirou o dedo da boca.
– Você tem a sua chupeta agora, ma vie. Se quiser, use-a. D’accord? – Ela concordou com a cabeça. – Agora vamos para cama.
– Mas eu quero assistir…
– Você ainda vai poder assistir de lá. Agora cama, vamos, vamos, vamos.
Nós fomos para a cama, Clarice rapidamente se enfiou de baixo da coberta e ligou a televisão para continuar seu desenho exatamente de onde parou.
– Você vai mamar e dormir, estamos entendidas? Não pense que irá passar a noite assistindo desenho.
– Tá bom, maman – ela se aninhou contra o meu corpo como pôde. – Mas eu posso tetê depois? Eu quero ver se tem mais gotinhas…
Respirei fundo. – Okay, bébé. Mas antes, mamadeira.
Se Clarice mamar no peito tal qual mama a mamadeira, eu estava completamente ferrada. Qualquer movimento da tal Bluey era uma distração, isso quando não se esquecia que estava mamando e só assistia ao desenho. Tudo isso enquanto eu segurava a sua mamadeira.
Eu só posso ter cara de trouxa para essa garota…
O leite já estava frio e eu quase dormindo quando Clarice finalmente acabou. Demorou, mas quando acabou, ela mesma desligou a televisão, colocou a mamadeira na mesinha, tirou a alça da minha camisola e sem um pingo de vergonha, abocanhou meu seio.
Além de trouxa, eu também servia como um par de seios para essa garota.
É Valkyrie, quem te viu quem te vê. De uma arquiteta renomada e domme para maman quase submissa. Se não dar limites nessa mocinha, ela cria asas.
– Noite, maman! Te amo – ela disse com o meu peito entre os dentes.
Okay, vai… por essa carinha fofa vale a pena ser feita – um pouco – de trouxa. Como não amar? Como?!
– Je t’aime aussi, mon amour!
«-»
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Au revoir!
