Elora Aneva

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Prólogo

Oi! Como vão?

Quem me acompanha pelo Telegram sabe que há meses estava em um grande dilema que me levou a criar uma história “teste de laboratório”. E depois de três tentativas falhas de alcançar o meu objetivo de escrever algo que o desenrolar da trama fosse mais rápido, eu finalmente cheguei a minha última tentativa.

Ainda não concluí, estou longe disso, mas tenho 7 capítulos escritos – não estão todos publicados hoje, – e não deu 2 capítulos de SWUR. Ou seja, uma pequena vitória.

Depois de uma onda de desânimo por conta do plágio descarado, essa história me deu um pouco de ânimo e estive genuinamente empolgada para escrever. Empolgação essa que resultou em uma surpresinha aos meus leitores de longa data que irei publicar mais tarde.

One Last Time será um romance de teor duvidoso, um pseudo dark romance com doses de manipulação e possessividade. A little não é sequestrada ou encontrada em um beco, mas nem todos os meios da mommy são convencionais. Por hora não tem aviso gatilhos, mas não garanto nada no futuro.

Sinopse:

Enquanto todos ao seu redor vivem um amor forte e intenso, Giorgia sente o gosto amargo do fracasso. Convencida de que a força não é o único método para domar um little, a italiana de uma família um tanto duvidosa, seguiu seu coração e falhou. Mas orgulhosa como era, ela se deu o luxo de tentar uma última vez e não aceitava falhar, custe o que custar.

Boa leitura!


Giorgia

Mudar para o Brasil não estava nos meus planos. Nada contra o país, eu realmente amo como minha segunda casa, eu só não esperava.

Para ser honesta, nada do que aconteceu estava nos meus planos. Estive cega por alguns anos e não premeditei o caos que me ocorreu. Ainda estava digerindo os recentes eventos e confesso que sentia um gosto amargo na boca.

Ela vai se arrepender, – Ciara, minha irmã de coração quebrou o silêncio entre nós na chamada. – Ela descartou o amor e o cuidado de uma mamma que a amava muito e sentirá falta muito em breve.

Eu sei que ela vai.

Quando a falsa sensação de liberdade passar e perceber que estava muito melhor sob os meus cuidados, será muito tarde. Não vou mentir e dizer que a esqueci totalmente ou que não a amo mais, mas Sarah ultrapassou o limite e esse caminho não tem mais volta.

Sarah é passado, Ciara – eu respondi seca. – Eu perdoei muitas das suas travessuras, fui boazinha demais até para o meu próprio gosto. Mas eu aprendi a minha lição. E o que ela fez não terá volta.

Nem mesmo se ela implorar? Ela foi sua por tantos anos…

Eu a amei… muito. Mas eu me amo muito mais e tenho meu próprio orgulho e imagem a zelar.

Palavras feias poderiam ser facilmente perdoadas, é para isso que servem punições. Eu poderia dar a punição que Sarah jamais esqueceria e seguiríamos nossas vidas como sempre foi.

Mas ela escolheu me humilhar, desprezar todo o amor que lhe dei e jogar no lixo anos e mais anos da minha dedicação e esforço na frente de toda minha família.

Todos sabem que a nossa família é sagrada e não está ligada a vínculo sanguíneo, mas a algo maior e mais intenso. Um pequeno se revoltar, pode gerar um caos generalizado. A minha sorte era que, aparentemente, eu era a única que não soube impor limites na minha pequena e meu erro não afetou o resto da família.

Eu espero que isso não tenha destruído totalmente a sua esperança de encontrar a pessoa certa. É triste quando uma mamma fica só.

Era isso. O discurso de dó e piedade que me irritava. Entendo a preocupação, a vida perde um pouco seu sentido quando não tem seu pequeno para cuidar e zelar. Mas eu sou a Giorgia Barbieri, eu construí meu próprio império. Não preciso da piedade de ninguém.

Quanto tempo pretende ficar no Brasil?

Eu não sei… tenho muitos negócios para fazer por aqui. E você sabe como eu gosto de dinheiro…

O carro parou na entrada dos fundos do hotel, aguardando a liberação dos seguranças. Poderíamos usar a entrada principal, mas eu não gosto da movimentação da recepção próximo ao horário do almoço, então prefiro evitar.

Levantei o olhar para a janela para apreciar a vista do hotel. Eu investi alguns bilhões na construção desse oásis em meio a São Paulo e tinha orgulho do resultado final. Independente do ângulo, essa era uma obra magnifica de tirar o fôlego.

No entanto, algo estragou a minha vista perfeita. Com um cigarro na mão e passos inquietos de um lado para o outro, a moça – cujo o uniforme não identifiquei – parecia estar nervosa.

Esse é o hotel mais luxuoso do Brasil. Eu não me importo quais são os seus problemas pessoais, dentro dessas dependências e ao redor delas, eu espero uma postura a altura do lugar que representa. E de preferência, não fumando com o uniforme.

Toquei de leve no ombro da minha secretária que estava sentada ao meu lado no carro e apontei em direção a moça.

– Descubra quem é. Eu não quero voltar a ver cenas como essa no meu hotel.

É uma pena uma moça que aparenta ser tão jovem se entregar ao fumo assim. É tão deselegante e o cheiro de cigarro é horroroso.

[…]

Como a minha casa em São Paulo estava em reforma, eu estava temporariamente morando no duplex presidencial do hotel. A maior e mais cara suíte e que tinha tudo que eu precisava em um único lugar, inclusive um escritório para continuar com o meu trabalho.

E era nele onde estava quando Leonardo me apareceu. Normalmente eu não gosto de ser interrompida, no entanto, por se tratar dele eu abri uma exceção. O que tinha para mim era algo do meu interesse.

– Chegaram os relatórios sobre o paradeiro da Sarah, – ele me estendeu a pasta, pulando os cumprimentos desnecessários. – Foi vista a última vez em Mykonos. É o terceiro destino na Grécia.

Folheei as fotos tiradas em diferentes lugares da Grécia. Suas roupas novas me causaram desgosto, e o corte de cabelo então… não havia restado absolutamente nada da minha princesa. Minha doce princesa.

Como pôde fazer algo tão cruel, Sarah?

Embora eu estivesse convencida de que não a aceitaria de volta, dói perceber que todo o amor que vivemos existiu somente na minha cabeça. Eu nutri esse amor durante anos com meu tempo, dedicação e o meu peito. E Sarah apenas aguardava o momento certo para me deixar.

A última foto, porém, foi como uma adaga atravessada em meu peito. Sem nenhum pudor ou remorso, ela beijava um rapaz. Provavelmente um turista aleatório que encontrou pela ilha.

– Devemos fazer algo em relação ao rapaz? – Leonardo perguntou ao perceber qual foto eu encarava.

– Não. Deixe estar, – joguei as fotos na lixeira ao lado da minha mesa. – Não quero que interfiram em absolutamente nada na vida dela. Nada, – reforcei a mensagem.

Sarah já não era problema meu, ainda que me preocupasse em saber por onde andava. Mas se suas decisões estúpidas a levarem para um mau caminho, nem eu e nem ninguém que trabalha para mim irá interferir. Ela fez a própria escolha e terá que lidar com as consequências dela.

Ela mesma pediu para que eu a esquecesse e fingisse que nunca a conheci. E bem, eu não costumo me importar com aquilo que não conheço e não tenho interesse.

Leonardo saiu, me deixando sozinha outra vez com a minha própria solidão.

Posso até ter aceitado o fim do meu relacionamento, mas meu corpo ainda não entendia o recado. E mesmo sem a minha pequena, precisava ordenhar o meu leite todos os dias.

Foram vários meses para conseguir lactar. Por um momento pensei que sequer teria leite um dia, mas nunca desisti. Queria ser completa para a minha pequena. E acreditava fielmente que a amamentar iria estreitar nossos laços, assim como ocorreu com todos os outros ao nosso redor.

Quando as primeiras gotinhas saíram eu chorei. Estava tão feliz, tão realizada. Sarah também se empolgou, dizia amar, no entanto, olhando para trás hoje, percebo que tudo não passou de uma mentira. Ela nunca de fato quis o peito, nunca me pediu para mamar fora de hora, nunca mamou mais que o necessário. Tudo que ela fez foi fingir gostar para me manter no escuro e não enxergar sua verdadeira faceta.

Virei todo o leite que havia acabado de retirar na pia do banheiro, sentindo uma mistura de sofrimento, rancor e raiva.

Eu dei o mundo para Sarah. Tudo que o dinheiro podia comprar e todo amor que só uma mommy tem para oferecer… e ainda assim fui jogada fora, como peça descartável, um guardanapo que usado já não tinha mais utilidade. Tudo isso a troco de liberdade…

Uma falsa liberdade. Com prazo de validade até que se tornará uma prisão.

Lavei o rosto com água fria e engoli meu choro. Sarah não merece minhas lágrimas, menos ainda o meu amor. Ela tomou sua decisão de me deixar e eu de a esquecer completamente.

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